Apr 9, 2012

2 x 0, resultado perigoso

(Antonio Peticov. “Man dragora”) (Reprodução)

O Corinthians venceu mais um jogo no Paulistão (ou seria Paulistinha?), no Pacaembu, ontem no domingo de Páscoa.
Mas a mídia pouco falou sobre a vitória  ou da  co-liderança do Campeonato. Preferiram destacar o placar de um a zero com que foi batido o Paulista, de Jundiaí. Mas, 1×0 por acaso, é empate ou derrota ? Quando se trata do Timão, a mídia tem critérios que nem Deus explica. O time não perdeu, e daí? Mas também não goleou, dirão.  E desde quando este deve ser o objetivo num campeonato disputado em conjunto com outro.

A vitória foi importante mas deixa, para os corinthianos sinceros, algumas preocupações.
A maior delas é a precária condição física de alguns jogadores de grande importância para a equipe. Está mais do que na hora de termos um elenco em boas condições físicas, para as duras competições que vêm pela frente. O time está organizado, joga de forma compacta e, em geral, controla o jogo. Mas necessita de alguns jogadores em melhor forma para enfrentar adversários mais fortes. O ideal, como já foi dito, era termos mais uns 3 ou 4 jogadores – de boa qualidade – e com boa preparação física.

Para a mídia – no entanto –  o assunto que importa é o placar apertado. E muitos torcedores do Timão entram nesta onda. Ontem, quando saía do Pacaembu, um jovem torcedor aproximou-se com esta queixa midiática. 1×0… 1×0… 1×0…, só isso? Respondi de forma cordial e irônica: “prefiro o 1×0 porque 2xo é um resultado muito perigoso, como diz a mídia”. O torcedor entendeu a minha brincadeira e passou a falar de outras coisas, inclusive sobre alguns atletas que “estão correndo pouco”.
Aí concordamos e saímos andando e comentando o sofrimento dos nossos adversários (até em campeonatos simples, como o Paulista).

A Nova CBF

Quem achava que o novo presidente Marin seria um mero elemento dominado por todos, deve estar surpreso.
Ele está correndo por todo lado. Articula com Federações, Clubes, Estados, Municípios e com a União. Fará tudo (tudo, mesmo) para manter-se no poder. E não há composição impossível para sua pretensão e para os interesses que o futebol e a Copa movimentam. Para ele não há direita nem esquerda, velho ou novo, Flamengo ou Vasco, Corinthians ou São Paulo, Ministros, Secretários ou Governadores.
Todos serão aliados – pelo menos em potencial – desde que concordem com sua manutenção no cargo. Até a mídia diminuirá suas críticas. O problema será quando um acordo com um aliado atingir interesse de outro, também aliado. Aí mora o perigo de confusão. Mas ele lutará para que isso não ocorra.

 

Apr 8, 2012

Mentirinha ou mentirona?

“A mentira é condenável em sua natureza” diz a Igreja Católica no seu Código ( §  2485).
Acrescenta ainda que “a culpabilidade é maior quando a intenção de enganar acarreta o risco de consequências funestas”. Mas a própria Igreja, conhecendo a natureza humana, afirma que  “uma simples mentira é um pecado venial”,  isto é, pode ser perdoado mediante arrependimento e rezas. Dante Aleghieri, em sua notável obra,  A Divina Comédia,  coloca  a mentira no segundo círculo do inferno, dando-lhe um caráter grave. Mas há situações onde aparece uma mentira piedosa – quase sempre dizendo proteger a pessoa envolvida- vítima do pecado. É o caso do médico de Violeta, na ópera La Traviata,  quando seu médico diz que a cura do seu mal está próximo – embora ela estivesse às portas de falecer. Sentencia a “dama das camélias”, na ópera de Verdi: ” os médicos tem direito  de dizer mentiras piedosas”.

Tudo vem à tona quando os médicos anunciam a “repetição” da cirurgia do jogador Adriano. O atleta será operado pelo médico José Luiz Ronco, que trabalha no Flamengo e na Seleção Brasileira e convidará para participar da intervenção o médico do Corinthians que fez a anterior. E que será agora repetida! Justificam, tanto um, quando outro,que o atleta “não cumpriu” as regras pós-operatórias. Curioso a conduta destes médicos. Parecem lembrar o médico de La Traviata, ou até coisa pior. Ninguém disse, nestes meses todos, que havia problema na recuperação da cirurgia. Todo problema era o peso. Peso… balança… peso… balança.
Uma centena de vezes isto foi afirmado sem que nunca tenham dito, como diz agora o médico do Corinthians, que já havia “programado essa cirurgia para o fim do ano”.

O melhor a  ser feito nesta situação seria contratar médicos que não vivem o futebol, (e há tantos especialistas na matéria)  e deixar que eles resolvesse (ou tentasse fazê-lo) os problemas do jogador. Mas isso é sonho no mundo do futebol. Os médicos que atuam por aí -na maioria- são boleiros. Vivem sendo endeusados em programas de futebol. Tratam jogadores e jornalistas o tempo todo. Também, na sua maioria, não tem qualquer respeito acadêmico. Isto é, grandes Escolas e professores falam cobras e lagarto desse pessoal do futebol. Mas o prestígio na área esportiva é grande, embora na maioria, não tenham publicado uma apostila de suas “especialidades”. Este caso do Adriano marca bem a situação. Tudo será resolvido entre os mesmos, com todo corporativismo que já marca a profissão. Não nos esqueçamos do tal “dr. Roger” famoso em “reproduções” que vivia nas páginas e programas como estrela. Embora muitas pacientes tenham – por longos anos- reclamado do dito cujo- os órgão de controle da profissão ficaram mudos. Mudos não, na moita. Quando a Justiça denunciou o médico, os fiscais da medicina reuniram as denúncias velhas e expulsaram  o ex- famoso doutor.

Neste caso do jogador Adriano – independente do seu problema no tendão- não é este o caminho para sua recuperação. Os ” doutores” mentem ( de forma piedosa ou não), mas seu problema é outro. Como já foi dito, por um sem -número de gente séria, é alcoolismo e depressão. Mas convenhamos, alguém acha que estes médicos de clubes citados são especialista no tratamento de tais doença? É quase um escárnio o fato da mídia ficar ouvindo, entrevistando, badalando médicos que não tem nenhuma condição de resolver tais problemas.

Mas afinal, será que a mídia não sabe disso?  Sabe e é conivente.

Apr 7, 2012

Suor, glória ou derrota.

Não gosto muito de ficar falando de seleção brasileira. Torço, apoio e vibro, mas tudo sem a mesma carga de emoção do Timão. Acho que após aquela tragédia de 1982 na Espanha, perdi um pouco o pique de acompanhar nossa seleção. Como sabemos, a vitória da Itália naquela Copa é o marco que levou o mundo há (pelo menos) duas décadas de futebol medíocre. Quando o time de Sócrates, Zico e outros perdeu a mídia tupi, passou a atacar o futebol bonito, jogado e criativo. A Itália havia vencido com um anti-futebol retranqueiro, feio e chato. E todos passaram a aplaudir times aguerridos, sem criação, com chuveirinho por todo lado.

Passado aqueles 20 anos de penitência, nunca mais voltei a ter o mesmo envolvimento com a seleção nacional. Mas a proximidade com a Copa de 2014, que será no Brasil, instiga qualquer brasileiro. Não acho que o nosso futebol viva um grande momento. Dentro e fora do gramado. Entre os jogadores temos a mais fraca geração de “craques” desde 1950. É só darmos uma olhada no que está passando com os mais conhecidos jogadores brasileiro na Europa. Nenhum destaque. Quase todos são reservas (alguns de luxo) e poucos atuam. Mesmo com nossa mídia tentando “bombar” os destaques são os argentinos e europeus. Não há -nem aqui nem na Europa- um jogador brasileiro que possa ser classificado como “fora-de-série”. Temos bons jogadores, médios e alguns prá lá de médio, mas craque feito, nenhum. Algumas promessas, outros jogadores famosos, mas craque mesmo, estamos esperando. E sem jogador “fora-de-série” fica difícil ganhar uma Copa. E não adianta a mídia procurar promover os jogadores. Vamos torcer mas tenhamos os pés no chão. A Copa de 2014 pode ser um sucesso de público, festa etc, mas futebol que encante está complicado. Os problemas do Dunga na Copa da África são os mesmos do Mano na seleção atual. E nada indica que irá melhorar.

Sem comentário

Muitos internautas vivem cobrando que eu escreva sobre mais variados temas  que ocorre no futebol e no Corinthians. Primeiro, é preciso dizer, que não é possível escrever sobre tudo. Este blog não é profissional e só escrevo quando sobra tempo do trabalho. Agora, tenham dó, pedir que escreva sobre “invasão do MST”, ou sobre “estátua no Parque São Jorge”  não dá. Vamos guardar o tempo neste blog para assuntos mais interessantes. No mínimo.

Apr 6, 2012

Aumenta o ódio

A Folha de hoje ( sexta-feira santa), no caderno de esporte, publica um extensa entrevista com o jornalista Chico Malfitani, sobre o problema das torcidas organizadas em São Paulo. O título- “os cartolas se provocam, e a Gaviões que é violenta? “- é furado. Nada disso é relevante no  conjunto da reportagem. O jornal esclarece que o Chico é um dos 15 fundadores da Gaviões da Fiel , em 1969. Pode ser, embora tenha conhecido milhares, que digam o mesmo. Mas o jornalista diz coisas da maior importância sobre o atual conflito, sendo o principal ponto o “aumento do ódio” contra o Corinthians, que vem sendo manifestado, por todo lado, nos últimos anos. Esta aí o ponto que deveria ser a manchete. Nas últimas décadas há um generalizado ataque ao Timão. E este pode ser a motivação para os atuais conflitos.

É fácil conferir na mídia em geral (jornais, rádios, tv e internet) o aumento dos ataques contra o time do Parque São Jorge. Nesse ponto o jornalista Chico Malfitani está certo. Infelizmente, o jornal perdeu uma boa oportunidade de discutir tal questão. Ficou no periférico e não entendeu o principal. Divirjo de algumas afirmações do jornalista. Ao tentar falar do último conflito, dá uma explicação que é de difícil aceitação. Como também erra ao falar das ligações da diretoria do clube com as Gaviões. Mas tudo isso é de menor importância diante da identificação de um problema maior (“o ódio contra o Timão”) . E o jornal quase nada destacou as afirmações de Malfitani. Sobre as relações com a polícia, o entrevistado sai por uma discussão politico-partidária. Não é o caso, pois torcidas organizadas e clubes têm relações com todo  o mundo  politico-partidário. A proposta de uma UPP é um equívoco, até porque, esta fórmula tem muito apoio de mídia, mas pouca melhoria nos números da criminalidade. Todavia, foi uma boa entrevista onde o mais importante foi escondido pelo jornal. Por último, fez bem o jornalista ao não colocar- como já se tornou comum- as organizadas como grandes instituições que lutaram contra o regime militar. Não foram. Aquela faixa no estádio, pedindo anistia politica, já nos meses finais do regime, foi obra do MR8 e não teve boa acolhida na direção das torcidas. A Folha – que esta meio perdida na área do esporte- poderia ter aproveitado melhor as opiniões do jornalista. Só quem lê tudo, e em detalhes, vai encontrar.

De novo a UOL

O portal UOL (do Grupo Folha) volta com noticias sobre o estádio do Timão. Notícia nova e assunto velho. Agora antecipando novas ações- segunda após a páscoa- proposta por adversários do Timão. Vão discutir o já discutido e, em alguns casos, até julgado. Vamos aguardar nos próximos dias. A UOL está pronta pra qualquer aventura jurídica. Contra o Timão vale tudo.

Apr 5, 2012

Salgado & Doce

O preço dos ingressos, para os jogos do Corinthians, esta dando o que falar por ai. O clube, como é sabido, necessita de receita para manter um elenco competitivo nos vários campeonato que disputa. A renda de bilheteria sempre foi um ponto forte do Timão. Mesmo com jogos às 10 horas  da noite,com televisionamento direto,  o público é muito grande. Nos últimos tempos- especialmente agora na Libertadores- o preço do ingresso ficou “salgado” para o torcedor que vai ao estádio. Creio que não há similar em todos os clubes ou competições do Brasil. Mesmo comparado com outros países da Europa, nosso ingresso não é um “doce”. O complicado nesta questão, é encontrar um ponto de equilíbrio entre as necessidades do clube e a capacidade de sua torcida. O importante é que não podemos  esquecer(nunca) nossa história, que esteve sempre ligada as classes populares. Creio que o melhor caminho é um preço “salgado” para o setor VIP e numeradas, e um preço “menos salgado” ou “doce”  para a geral(tobogã) e arquibancada. Acho que não podemos aumentar- indefinidamente- os ingressos, especialmente os mais populares. Os atuais níveis são quase proibitivos. Não podemos também esquecer da luta para acabar com esses ingressos gratuitos, que ganham os conselheiros e diretores, bem como, não podemos fazer qualquer distribuição-igualmente gratuita- entre torcedores ( organizados ou não). O clube não pode perder sua forte ligação com as camadas de menor renda, mas ingressos neste preço dificulta muito ( e põe muito nisso). A necessidade de grana do clube- para manter uma equipe competitiva- deve estar no nível de nossa torcida. É difícil, é. Mas é o caminho.

Como está?

Quando o ex-presidente Ricardo Teixeira renunciou e deixou o país, a Folha publicou que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) seria tocada por um triunvirato; Del Nero, Ronaldo e Andrés. Ainda não vimos isso. Mas o jornal deve ter lá suas fontes pra bancar uma informação tão clara, na primeira página. Vamos aguardar os próximos dias, semanas e meses. Pode ser !

Apr 4, 2012

Quarta sem Timão

(Reprodução)

Não vamos ser chatos mas, quarta-feira sem jogo do Corinthians, é um problema e tanto.
Primeiro, é uma encrenca para a TV. Com o Timão na TV é audiência certa dos corinthianos e (dizem) dos que procuram secar o alvinegro. Mas, pelo que estamos vendo nos últimos anos, o Corinthians leva nas costas o produto futebol.
É a enorme presença social do Clube na região mais importante para o mercado publicitário. Liderar na região Sudeste não é pouca coisa. Mesmo com a má vontade da mídia (que fala muito do Timão, mas fala para o  achincalhar), o Corinthians é um fenômeno de audiência.
Queiram os adversários ou não, Ibope é com o Timão.

A Fifa perdeu o rumo?

A tentativa de a Fifa enfiar seu Secretário-Geral em uma audiência do Senado é coisa de amadores.
Ou de quem se acha muito esperto. O convite foi para o presidente da Fifa depor e, se ele não puder agora, que se marque outro dia.  Porém, a tentativa de substituí-lo mostra que a Fifa perdeu o rumo. Após aquela declaração grosseira, chula e pedante do Secretário-Geral,  o que esperam os dirigentes da federação de futebol mundial?
Como já está claro, o Mundial de 2014 é da Fifa (inclusive o lucro), mas a grana é do Governo.

Agarrar, pode?

Não assisti ao jogo do Barça com o Milan na tarde de ontem, 3/4.
Vejo que muitos reclamam dos pênaltis marcados, especialmente o segundo, em que o beque do Milan agarrou a camisa do jogador do Barça. Não vi, mas procedeu bem o juiz em  marcar este tipo de jogada, feita por defensores italianos. Após aquele maledetto jogo da Espanha de 1982, onde o defensor da Itália rasgou a camisa de Zico e o juiz não deu nada, não perdoo os italianos . Eles fazem isso o tempo todo. E qualquer pênalti marcado deve ser aplaudido. Ainda que fique a dúvida. Não quero atacar o Milan, time por que torci naquele escândalo  na década de 60, no Maracanã. Foi uma dos maiores sacanagens já feitas no futebol. Quem quiser saber é só ler  a biografia do Almir Pernambuquinho. Ele jogava no Santos e nos conta todo o acerto com o juiz argentino.
Mas aquela simpatia pelo Milan, garfado no Maracanã, terminou em 1982.

Mais uma

O UOL publica – pela décima vez, creio – uma matéria sobre  o estádio do Timão e sua propriedade.
É um conjunto de informações confusas, que amanhã mesmo podem ser corrigidas em outra matéria do mesmo UOL. O importante é que o estádio vai sendo construído, e que  o Timão livrará São Paulo de um vexame sem precedentes: ficar fora do Mundial. Isto é importante para a Cidade . E pouca coisa mais.

TV  Timão.

A notícia de dificuldades na TV Timão não é nenhuma surpresa.
Quem conhece o futebol, os clubes e os projetos de televisão sabe – e bem – que as premissas com que o Corinthians lançou sua TV eram irrealistas.  Trata-se de um fruto da marketagem, achando  que pode a tudo resolver,  apenas importando seguir em frente com mais uma “boa” ideia. Poderiam ter visto o que já foi feito pelo mundo (as experiências de Barça, Milan, Juventus, Real etc). Mas a auto-suficiência é um caminho para o fracasso.
E agora terão que resolver o problema criado pela arrogância.

Apr 3, 2012

Discurso para brasileiro ver.

 

(Leonardo Da Vinci. “A Gioconda”.) (Reprodução)

A organização em território brasileiro de grandes eventos  internacionais de esporte é uma mudança e tanto para o Governo, dirigentes do Esporte e todo o Brasil.
Após o Pan, no Rio de Janeiro, teremos o Mundial de 2014 e a Olimpíada – no Rio – em 2016. Alguns pontos ligam todos esses eventos. O mais comum é ver um discurso de mentiras, enquanto o evento é aprovado pelos órgãos internacionais.

Comecemos pelo Pan do Rio de Janeiro. Quando foi decidida sua realização,  o orçamento apresentado pelo Sr. Nuzman era de 440 milhões de reais para os governos. E a justificativa que a iniciativa privada teria uma grande participação. Tudo lorota. O gasto final do Pan ficou em 4,4 bilhões, e o Presidente do COB, para justificar este salto, disse uma frase famosa: “Só é possível termos o orçamento quando terminarmos todo o evento”.  Uma loucura completa que deixou atordoados todos os especialistas em Administração Pública e em Direito Administrativo.
O orçamento, que é peça da maior importância, deve ser feito previamente, exatamente para se saber quanto irá ser gasto, ficou para o final. Quer dizer, o evento seria construído “em aberto”, e o Governo enfiando dinheiro. Foi o que ocorreu. Da iniciativa privada não chegou nada e somente o Governo bancou tudo.
Esta é uma estratégia conhecida na Administração Pública. Antes de realizar a obra ou o serviço é feito um orçamento “irreal”, como fez o COB. Diz que vai gastar pouco, e todo mundo aplaude. Com o tempo, vai aparecendo o quadro real. E são feitos aditivos, com mais e mais dinheiro. Foi o Sistema Nusman de realização.
Um golpe de prefeito de cidadezinha, mas que deu certo numa grande cidade.

Outra mentira veio à tona com a preparação do Mundial de 2014.
Na fase anterior à aprovação da Fifa, o presidente Ricardo Teixeira dizia que a Copa era um evento “praticamente” privado. E que o Governo entraria com quase nada. Uma ou outra obra de transporte urbano e nada mais. Nada disso! Era tudo lorota. Após a aprovação – e no decorrer dos meses que se seguiram – apareceu a realidade. A Copa de 2014 será uma Copa bancada pelo Governo. Como ocorreu em outros países,  na Alemanha, na  Itália, no Japão etc.
A tal presença “prioritária” da iniciativa privada era apenas discurso.

Creio que os dois únicos casos em que entidades privadas vão bancar obras para a Copa, serão os estádios do Corinthians e (pelo que dizem) o do Inter. Nos outros casos, tudo será feito com o dinheiro público. O Corinthians assumiu o desafio de construir um estádio para a abertura da Copa para livrar São Paulo de um vexame sem precedentes. A cidade quase fica fora do Mundial por não ter um estádio em condições para sua abertura. E o Clube está fazendo com empréstimos de todo lado (e bancos), que no final das contas será pago pelo Clube. É certo que o estádio poderá ser um grande fator gerador de receitas. Mas, neste caso, o Clube assumiu o risco por ele e pela Cidade. E deveria ser aplaudido por todas as torcidas. O caso do Inter não conheço, mas creio que será similar. Empréstimos, BNDES etc, mas no fim da conversa o Clube ficará com a dívida. No mais tudo é grana pública: Maracanã, Mineirão e todos mais.  Lembro-me que a mídia dizia que teríamos “fundos da Fifa” para a construção e reforma de estádio. Muito pelo contrário. Como estamos vendo a Fifa quer é ganhar dinheiro. O evento é dela e quem banca é o País.
O resto é lorota e mais lorota.

Apr 2, 2012

Goleada




A vitória do Corinthians, na tarde de ontem em Presidente Prudente, não agradou muito à mídia.
Primeiro, porque não gostam quando o Timão vence. E ficam torcendo para que – caso vença – seja por vitória mínima. Com o três a zero o discurso ficou “oxo ” , como diria o caríssimo Walter Abraão. Liedson afastou a uruca e o mau-olhado que vinha sofrendo. Com o campeonato se arrastando (com jogos fracos por todo lado) o melhor que fazemos é aguardar a fase final do Paulistão (ou seria Paulistinha?). Para o Corinthians, que disputa duas competições, o melhor é acertar a equipe e – principalmente – conseguir que alguns jogadores cheguem a um bom preparo físico. É incrível que já no quarto mês do ano tenhamos jogadores fora de forma. Para os próximos jogos será importante termos, especialmente os mais famosos, no melhor momento da temporada.

“Especulação”

Dar chute de todo tipo não é exclusividade de jogadores. A mídia também é craque nesta atividade!
Jogadores “fechados”, que nunca fecham, é assunto prioritário da mídia. Mas não é só isso. Agora a moda é “especular” sobre o contrato de publicidade no uniforme do Corinthians. Já apareceu de tudo e  todo tipo de valor. Há uns dez dias foi uma chuva de informação (99% de certeza) que o Timão teria um contrato com uma montadora coreana por 50 milhões ao ano. Divulgado por todo lado, a matéria foi desaparecendo como picolé no sol. Hoje a Folha vem com outra informação e totalmente diversa da semana passada. Diz o jornal: “Corinthians aceita receber menos por patrocínio”, e que o valor seria entre 27 a 30 milhões por cada ano . O valor seria quase a metade do que foi dito há uma semana e é menor do que o atual contrato que, segundo o jornal, seria de 38 milhões por ano.
Não acredito muito nem no que foi dito há 10 dias e nem no que está sendo afirmado hoje. É negociação que tem várias etapas. O problema é que a mídia gosta de especular e este pessoal de marketing  (de todos os Clubes) gosta de “contar vantagens” aos jornalistas.
O que definirá o valor é o mercado. Pouco ajudará o charme do marketeiro. O Corinthians é o melhor “produto do futebol” e ganhará mais que os outros clubes. Mas será um valor que atenda às condições das empresas.
O resto é especulação. Como a mídia (e os marketeiros) gostam.

Apr 1, 2012

Bola pro alto…

A ombudsman (ou seria “o”) da Folha de São Paulo, Suzana Singer, retorna o assunto do diretor do São Paulo, que desmentiu publicação do Painel FC. Após publicar duas extensas carta do diretor tricolor (no Painel do Leitor) o jornal publicou um “erramos” onde deixa oculto que a nota publicada estaria incorreta. Que força tem este diretor do São Paulo: duas longas cartas em dois dias! E neste domingo, a ombudsman gasta quase a metade de sua página para explicar o caso do são-paulino. Mas, aproveitando a deixa, avança em considerações mais ampla, e, a nota “Bola Fora”, fica como uma crítica as colunas do jornal. Diz, de início, que as colunas ( Painel,Mônica Bérgamo e o Painel FC), vivem de informações passadas por “pessoas interessadas que não querem aparecer”. Pode ser. Mas não é só isso o problema destas colunas do futebol. É comum o jornalista, querendo “esquentar” assunto nas colunas, procurar pessoas do mundo do esporte e instiga-los a declarações e provocações.

É um jogo para “ferver o clima” de clube, jogadores etc. Mas há outros e mais problemáticos. Não quero aqui levantar os assuntos que envolveram a cobertura da parceria MSI- Corinthians. Fato grave que o jornal preferiu “fingir-se de morto”, mas é sempre preocupante a força que tem hoje “empresários” do futebol. Dentre eles, alguns que publicam tudo(em quase todo lugar) sobre seus jogadores. Alguns medíocres viram “craques” até serem negociados. Há também, problemas com a preparação da Copa do Mundo. Novas empresas e empresários chegam ao futebol e tornam-se “fontes” dos jornais. Lembro que um projeto de estádio  (totalmente inviável e descartado pela diretoria do Corinthians) que teve uma ampla, extensa, cansativa e desconsertante cobertura da Folha. Ao finalizar sua análise diz a ombdsman que as colunas “devem checar as informações passadas”. Não dá. Com este procedimento a coluna perderia tudo. O que o jornal deveria fazer é ver se – com a existência da Internet- este tipo de jornalismo não é coisa do passado. E deveria mudar.

Apr 1, 2012
admin

A carta de Getúlio. Documento histórico.

Getúlio Vargas é, até os dias atuais, um presidente “bem avaliado”, como afirmam os institutos de pesquisa. Comandou uma revolução, em 1930, que derrubou a velha República e realizou grandes mudanças no país. Por dois períodos (um como ditador, outro como presidente eleito) enfrentou grande inimigos, produziu reformas que mudaram o Brasil. Criou a CLT – até hoje o código que regula o trabalho; implantou a Justiça Eleitoral ( embora governasse ditatorialmente) ; criou as base para o progresso industrial do país com a fundação da Petrobrás, Companhia Siderúrgica Nacional; Vale o Rio Doce; Cia de Energias Elétricas etc. É um marco no Brasil como Roosevelt é nos Estados Unidos. De forma correta colocou ( na Segunda guerra) o Brasil   ao lado dos Estados Unidos, embora tivesse grande pressão interna de apoiadores do Eixo. Seu suicídio parou o país. E marcou tudo o que veio em seguida até os dia atuais. A carta que ele deixou é um documento da maior importância da história do Brasil.

VERSÃO MANUSCRITA:

“Deixo à sanha dos meus inimigos, o legado da minha morte. Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa.
Acrescente-se a fraqueza de amigos que não defenderam nas posições que ocupavam à felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês, à insensibilidade moral de sicários que entreguei à Justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país contra a minha pessoa.
Se a simples renúncia ao posto a que fui levado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranqüilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria.
Mas tal renúncia daria apenas ensejo para, com mais fúria, perseguirem-me e humilharem-me.
Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas.
Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes.
Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos.
Que o sangue dum inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus.
Agradeço aos que de perto ou de longe me trouxeram o conforto de sua amizade.
A resposta do povo virá mais tarde…”

CARTA DATILOGRAFADA:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fi z-me chefe de uma revolução e venci.
Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.
A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.
Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém.
Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”