May 3, 2012

É quarta.

Edvard Munch (1863-1944) , “O Grito” (1893) (Reprodução)

Em torneio mata-mata, empatar fora é vitória, diz nossa mídia.
Com isso, deveríamos comemorar o empate de ontem, 2/5,  do Corinthians, no Equador. Mas nosso técnico já disse que empatar fora, sem fazer gols, é ruim. Pelo sim ou pelo não, a decisão fica aberta para o próximo jogo no Pacaembu, onde o Timão tem plenas condições de vencer, e pronto.

No jogo de ontem, o ponto alto do Corinthians, foi a organização do time, especialmente da defesa.
O goleiro, que já havia atuado com precisão em jogo do Paulista no Pacaembu, saiu-se bem. E isso é bom, porque transmite tranquilidade a todo o grupo. O juiz foi caseiro, marca registrada dos torneios sul-americanos. Puxa a sardinha para a equipe da casa. Como os jogadores do Corinthians já sabem disso é de se esperar um comportamento equilibrado, mesmo quando o árbitro erra. E alguns jogadores mostraram problemas, dentre eles Emerson, Castan e Jorge Henrique. Reclamações em demasia levam a mais  exageros da arbitragem. E eles não são assim novinhos para que não saibam disso. Com calma, cabeça fria, vamos para a vitória no Pacaembu.

E os lordes, que papelão

O Blog do Birner diz hoje que o jogador Paulo Miranda “foi tirado da concentração” por ordem do Presidente do SPFC.
Viram como é bom ler o Blog do Birner! Além de atualizar-se sobre decisões judiciais, ter informações sobre o Corinthians etc,  ficamos sabendo do que ocorre no Tricolor. Ele não esclarece como o jogador foi tirado. Pelo colarinho? Pode ser. Numa viatura do Clube? Não sei.

Isso que é um Clube moderno, bem organizado. Um exemplo para a humanidade. E pelo que diz o blog , o técnico, não concordava com a Direção. Como lembra um leitor deste blog: o São Paulo é um Banco Central da Bolívia com mania de se achar ser o  Federal Reserve. Nem lembrava desta frase , dita há nos. Mas é atual.

Justa revolta

O presidente Mário Gobbi ficou uma arara com a arbitragem e com as condições do jogo de ontem no Equador.
Disse que a Libertadores é pior que a várzea. Está certo, e é daí para pior. Só não deveria ter dito “isso aqui é povico”, numa crítica aos organizadores locais. Retirada do contexto em que foi dita, pode ser vista como uma crítica  (um tanto pejorativa) ao povo de lá.

História mal contada

A mídia diz no dia de hoje que o ex-delegado Cláudio Guerra  revela  num livro que será lançado atos de barbárie dos tempos da ditadura militar (1964-85).
Diz que muitos presos políticos (dados como desaparecidos) foram assassinados e incinerados em usina de açúcar no Rio de Janeiro. Ele cita que alguns dos dirigentes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) foram eliminados desta forma bárbara. Dentre eles cita David Capistrano (velho combatente da Guerra Civil Espanhola (1936-39)), pai do meu amigo David Capistrano, ex-prefeito de Santos, já falecido. Está mais do que na hora das Forças Armadas admitirem seus erros durante a repressão política. Como sabemos, o PCB era dissidente do regime, mas não fazia luta armada. Pelo contrário, combatia a extrema esquerda,  que tinha alguns integrantes na  luta armada. O Partidão dizia que era uma aventura irresponsável. E, o mais curioso, é ler esta notícia e lembrar que os grupos de luta armada classificavam seus adversários (como o PCB) de “traidores da classe operária e da revolução”.
E eles, que defendiam a luta pacífica para a mudança do regime, estavam sendo perseguidos e assassinados como nos revela o livro de Guerra.

May 2, 2012

Melhor é o primeiro jogo …em casa ou …fora

(Victor Brecheret)

O técnico Tite levantou a maior confusão ao dizer que  prefere até perder por 2×1 do que ficar no empate de 0x0.
Está aí uma polêmica que nunca chega ao fim. Nos torneios de mata-mata há todo tipo de opinião sobre o melhor para seu time. Para alguns, o bom será jogar o primeiro jogo fora. Outros, acham que o melhor é fazer a partida em sua casa. Se olharmos as estatísticas veremos que há resultados bons para os dois lados.

Este problema fica agravado quando o regulamento valoriza o gol marcado fora de casa e o usa como um critério de desempate. Assim o bom torna-se jogar fora a primeira partida, mas… se marcar gols! Como diz nosso técnico, mesmo que perca o jogo. O 0x0 passa a ser um resultado ruim. Empate (ou derrota) com gols não chega a ser tão problemático.

O importante para o Timão na noite de hoje é fazer uma boa partida, marcar gols  e vencer. Aí jogaremos no Pacaembu com boa vantagem. É o que esperamos.

Sem Liedson

Liedson é um grande jogador.
Não precisa provar nada para ninguém. Teve na temporada passada grandes momentos e foi decisivo para a conquista do título de Campeão Brasileiro. Como já havia sido grande, no Clube, em 2003. Nesta temporada sua condição física vem atrapalhando seu futebol. Em quase todos os jogos é possível ver da arquibancada o enorme sofrimento do jogador no decorrer da partida. É visível que não se encontra em condições perfeitas para atuar. Com sua saída da equipe no jogo de hoje, o técnico preserva o atleta e procura uma alternativa para o ataque. É uma pena sua saída da equipe. Agrava-se o fato de estarmos inseguros quanto ao seu futuro imediato. Após a saída de Adriano, a perda de um atacante como Liedson seria um duro golpe para o Timão.
Vamos torcer por sua recuperação rápida. A equipe necessita. E muito.

Retornados

Quem estiver dando uma olhada nos  jornais do exterior pela internet, já sabe que muitos dos jogadores brasileiros estão na “linha de tiro” de seus clubes europeus.
Será um “liberô” geral. Até em troca do salário. Com o fim da temporada chegando é  hora de fazer as contas e ver como se livrar dos prejuízos. Não acho que algum clube europeu lute para manter qualquer jogador brasileiro.
E os clubes brasileiros? Serão “aconselhados” pelos empresários locais a “excelentes” negócios para trazer ídolos ao Brasil. O pior é que os clubes daqui acreditam.

May 1, 2012

Mudar ou Morrer

A fórmula de disputa do Campeonato Paulista não agrada (quase) ninguém. Um número grande de clubes, numa primeira fase sem jogos de retorno e uma fase de mata-mata que é só mata, levaram ao descrédito do evento. Há muitos que defendem- pura e simplesmente- o fim da competição. Acho difícil. Muitos interesses seriam feridos e -no atual quadro do futebol- seria improvável.

Há muitos ( e relevantes) motivos que sustentam a manutenção dos campeonatos regionais. O mais fraco é o que se baseia na questão histórica. Campeonatos nascem e morrem. São importantes, perdem a importância e desaparecem.

Mas o Brasil é um pais de dimensões continentais e uma competição regional atende as rivalidades dos locais. Os críticos lembram que na Europa só existe campeonato nacional e não da Catalunha, do Lázio, da Toscana etc. É verdade. Mas são todos países menores que os Estados brasileiros. No campeonato italiano- apenas para citar o mais famoso- as equipes viajam de trem ou ônibus para qualquer partida. Até mesmo no dia do jogo,  uma vez que , as distâncias são pequenas. Apenas um ou outro jogo ultrapassa a quilometragem de São Paulo- Ribeirão Preto.

Mas até os que são pela extinção dos Campeonatos Estaduais defendem alguma mudança na fórmula de disputa. O melhor caminho seria fazer o que foi feito em 2002  com alguns Torneios por regiões do país. Teríamos o Rio- São Paulo e as Copas do Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. Foi um sucesso a disputa naquele ano. O Timão- como já é marca do time- venceu a competição na sua primeira edição. Lamentavelmente a tv- por problemas pontuais – resolveu implodir o Rio- São Paulo. E voltamos para a velha fórmula do campeonato por Estados. Foi um lamentável retrocesso na organização do nosso futebol. Se aquele modelo tivesse sido mantido (como fez a Fifa com o Mundial de clubes que começou em 2000), hoje estaríamos numa situação muito melhor.

Um Torneio Rio- São Paulo é sempre atrativo para o público e para a tv. Mas ela não entendeu assim e voltamos para um passado com fórmula vencida. Não acho que as Federações aceitem mudar o campeonato. Isso é obra para os clubes grandes. E eles estão para lá de domados( todos) pelas cúpulas das Federações.

No fígado

A eliminação do São Paulo pelo Santos, dirigido por Muricy Ramalho, deve ter doído muito lá pelos lados do Morumbi. Como sempre leio o blog do Birner ( muito bem informado-pela mesma fonte- sobre o São Paulo e Corinthians)  recordo-me da campanha terrível que fazia um dirigente tricolor contra o técnico. O atual treinador santista sabe de tudo. Nome , posto, profissão etc. Mas esta tática de dirigente tentar derrubar técnico já é antiga por lá. Recordo-me que todas as vezes que tentei falar com Parreira sobre sua passagem pelo Morumbi ele- elegantemente- desconversava. Na época tinha sido -recentemente- campeão do mundo (94) e seu prestígio era imenso. Mas, mesmo com a recusa de Parreira, bem informados do futebol contaram-me como foi a queda do técnico no Morumbi. Os dirigentes fizeram um churrasco com os jogadores e tramaram a derrubada do técnico. E a equipe começou a jogar um futebolzinho vagabundo. Era a trama direção e jogadores. Não tinham coragem de demitir o técnico- educado, cordial e competente- geraram uma crise no futebol para desculpar-se.  Por ai dá para conhecer a conduta deste pessoal. E o técnico Muricy sabe tudo. Nos mínimos detalhes.

Apr 30, 2012

Mi Buenos Aires Querido

Sempre gosto de retornar à Buenos Aires. É uma bela cidade, cosmopolita como São Paulo, e com uma noite de fazer inveja. Bons restaurante – e incrivelmente baratos, se considerarmos os de São Paulo – teatros, livrarias e o tango que dá um sabor forte aos portenhos. Está invadida por brasileiros. Por todo lado só se ouve o português e conversas sobre “reais”. Nas lojas, restaurantes e na rua é uma capital “tomada” por brasileiros. Os paulistas são maiorias e chegam com aquela vontade de fazer compras que deixa todo mundo doido. Compra tudo, em pacotes e poucos discutem os preços. Sabe que está barato e vão naquela arrogância consumista que já virou a marca dos brasileiros. Os gaúchos são minorias .mas não menos indelicados. Tudo que aparece é comparado com algo do Rio Grande. O churrasco ( ou parrilla) o “melhor” é o de Porto Alegre; o caneloni “não tem igual” ao do Rio Grande”; o café da manhã não é igual “ao café colonial” da Serra; e por ai adiante em comparações que só mostra o provincianismo gaúcho. Não chegaram ainda a dizer que o vinho do Rio Grande é melhor que o argentino, mas está perto.

Fui ao Teatro Colón ver a ópera “A Força do Destino”, de Verdi. Bons cantores, boa orquestra, mas uma montagem muito conservadora. Pesada, como gostam os argentinos. Com muita gente no palco (um coral imenso, que poderia ser menor) que faz a produção  perder o impacto que esta obra traz. Mas enfim uma bela montagem num Teatro que os argentinos (com justa razão) amam. É o maior e o melhor teatro de ópera da América, que me perdoem os gaúchos. Uma pena que a crise econômica tenha reduzido o número de produções e também comprometido a qualidade dos elencos.

Os argentinos são muito simpáticos nesta invasão de brasileiros. Quando a discussão é futebol volta sempre o papo de Maradona e Pelé. Isso é uma bobagem. Pelé não participa desta disputa. Esta acima dos deuses do futebol. Sempre gostei do futebol argentino. Considero que o mundo tem duas grandes escolas de futebol: Brasil e Argentina. Acho que somos melhor que eles, pois temos o que falta na Argentina: a presença de jogadores negros. Eles fazem a diferença à favor do Brasil.

Os clubes estão em crise e a seleção também. Faltam craques, dizem eles, que tem o Messi. A fragilidade financeira dos clubes leva a venda de jogadores cada vez mais jovens para o exterior. E a seleção perde. Uma situação que lembra a nossa. Como o Brasil, também estão apreensivos com o desempenho na próxima Copa. Mas acham que farão um bom papel. Vamos ver.

A Copa de 2014 no Brasil é motivo de esperança para os argentinos. Acham que muita gente irá para Buenos Aires – que teria melhor infraestrutura- fugindo de ficar no Brasil. Não acredito. O Aeroporto de Buenos Aires consegue ser mais atrapalhado do que o de São Paulo e a rede hoteleira não é das mais modernas. A banda larga (ou lenta) deles é tão ruim quanto a nossa. Mas a verdade é que eles acreditam que terão um “naco” de vantagens com a Copa. É sonho.

Apr 27, 2012

Ganhar e perder

(Pablo Picasso. “Guernica”. A 26 de abril de 1937, a cidade basca de Guernica sofreu um maciço e cruel ataque, executado pelas forças aéreas alemã e italiana. Entre 16 e 18h, centenas de bombas foram lançadas sobre o povoado de pouco mais de 5.000 habitantes. A devastação da cidade e as cerca de 1.500 mortes marcou este ataque, que serviu para a Luftwaffe testar o poderio de suas bombas aéreas, e para o ditador local, Franco, selar seu vínculo com Hitler, seu confrade germânico. A obra de Picasso traduz o horror deste episódio.)

O objetivo de todos os times é ganhar.

Mas a derrota é, quase sempre, uma possibilidade real. Vencer e perder são regra no futebol. Diferente de outros esportes, no futebol não há vencedor ou vencido antes do apito final.
Nos últimos tempos temos visto jogos, cujos resultados provocam controvérsias. A derrota do Corinthians para a Ponte Preta foi tida como inaceitável, embora o time campineiro seja da Primeira Divisão. A derrota do Barça também causou perplexidade.
Esta é a visão comum do torcedor, que quer sempre mais e que seu Clube vença.
Para vencer no futebol é preciso trabalhar bem (planejar, executar e controlar), mas todos devemos entender que há uma faixa grande de pequenos fatos que podem mudar tudo. Uma falha numa jogada, um gol perdido na hora errada, um deslize do goleiro, uma desatenção do beque, um erro do bandeira ou do árbitro etc.
Tudo pode levar a um resultado diverso do desejado pelo time ou do afirmado pela mídia.

Este aspecto imponderável é também o que dá beleza ao futebol. Nós vibramos nas vitórias e sofremos nas derrotas, mas, para os reveses  devemos estar sempre preparados.

Por mais difícil que seja,  no futebol, sempre conviveremos com vitórias e derrotas.

Apr 26, 2012

E o futuro?

 

(Botticelli, “A Calúnia de Apeles”, 1490)

Passou quase sem comentários a informação, vazada pelo tio de Ricardo Teixeira, de que o ex-Presidente da CBF acredita que o Brasil não vencerá a Copa do Mundo de 2014.
É informação importante, trazida pelo Blog do Perrone, e mostra um quadro ruim para nossa Seleção. A perspectiva de uma derrota seria um dos motivos da renúncia e da mudança para os Estados Unidos, organizada e executada pelo ex-Presidente. Não acredito muito que desempenho da Seleção no gramado tenha sido motivo para este gesto inédito de um dirigente esportivo. Acho que as razões foram outras. Mas não deixa de ser relevante a informação de descrédito na Seleção Brasileira por parte de seu comandante.

Não há dúvidas de que o futebol brasileiro não vive um grande momento.
É só olharmos para os campeonatos europeus que, no passado, eram dominados por grandes jogadores brasileiros que, nos dias atuais, não mostram nenhum destaque. Quase todos os brasileiros que atuam no Velho Continente têm atuações apagadas. Muitos são jogadores médios (até ruins), que foram levados por “empresários” através do “bom diálogo” com dirigentes de clubes europeus. Foram contratados pela Europa a partir de uma única referência: são atletas brasileiros. E isso, por muito tempo, foi sinônimo de excelência . Contudo, trata-se de um exército de jogadores, que saíram do Brasil quase sem ser percebidos.

Mas há também as estrelas, badaladas pelo mídia nacional. Qualquer passe, gol ou defesa desses grandes nomes são festejados por aqui. Quase sempre em imagens curtas, que não mostram a real e completa atuação do craque. Mas, mesmo estas estrelas (geralmente lembradas quando o assunto é Seleção), não estão jogando grande coisa.
Outro dia, vendo um jogo do Milan pela RAI, o locutor disse algumas vezes: “Dov´è Robinho?”.  No dia seguinte jornais, rádios e TVs daqui destacavam  a “grande partida” do atacante brasileiro. Kaká vive uma má fase e seu maior destaque limita-se ao twitter de seus familiares. Dizem que seu problema é físico. Pode ser, mas seu desempenho não é diferente dos de Ronaldinho Gaúcho,  Adriano etc.

A maior prova de que não há craques brasileiros na Europa é a luta diária, permanente, compulsiva dos clubes europeus para emprestarem,venderem, darem seus craques para clubes brasileiros.
Com o fim da temporada europeia teremos uma grande  leva de “retornados”. Todos com o mesmo discurso: de amor ao clube e à terra natal. Mas trazendo na bagagem pouco futebol.

Ainda há tempo de montar uma boa Seleção, mesmo sem grandes jogadores?
É o desafio do técnico Mano Menezes. Vamos acreditar na riqueza do futebol brasileiro, que sempre faz nascer craques. E faltam dois anos pra Copa.

99% acertado

A contratação da publicidade na camisa do Corinthians sumiu dos noticiários.
Há algumas semanas, tudo foi dado como tendo 99% acertado com uma montadora coreana. Surgiam inclusive valores (50 milhões  por ano), estratégias, lançamentos etc. tudo foi falado. E, claramente, vazado pelo Corinthians. Teria sido um grito de gol antes do tempo? Pode ser. O marketing sabe que o maior impacto vem do silêncio. Quanto aos vazamentos, estes são muitos, fazendo a coisa perder força. Vamos torcer para que o silêncio das últimas semanas seja indicativo de que o Clube negocia um bom contrato.
É aguardar.

Apr 25, 2012

Choque de direção

(Carybé. “Feira de Água de Meninos”) (Reprodução)

São muitos os que defendem que os times brasileiros contratem técnico estrangeiros para nossas equipes.
Um choque na direção de nossas equipes viria, segundo essas pessoas, com profissionais não vinculados aos vícios de nosso futebol. Não há dúvida de que muitos de nossos problemas estão nos bancos dos times. Bem remunerados, como são os brasileiros, não alteraria muito as finanças dos Clubes se técnicos de fora do Brasil fossem contratados. Juca Kfouri radicaliza, no dia de hoje, 25/4, e, em seu blog, defendendo a contratação de Guardiola para a Seleção Nacional. Aí já acho difícil.

Não há dúvida que uma mudança traria um sopro de renovação ao nosso futebol, que anda precisando tanto de mudanças (inclusive dentro de campo).
Para a evolução técnica do esporte seria positivo novas formas de atuar, novas táticas, e novas técnicas de treinamento. Certamente, os italianos ajudariam muito nossos defensores a melhorar sua maneira de atuar. Ganharíamos mais eficiência na defesa. Técnicos argentinos, espanhóis, sérvios etc poderiam muito contribuir para o progresso de nosso futebol.

Mas, diferente do que pensa  o Juca, isso deveria iniciar-se pelos Clubes.
E com técnicos de várias nacionalidades. Afinal, não vamos acreditar nesta bobagem que só por aqui se joga um bom futebol. Ajudaria os Clubes, também, na redução de salários dos técnicos brasileiros, que são incompatíveis com  a condição econômica  das agremiações.

A chegada de técnicos estrangeiros seria um vento renovador para nosso futebol. Mudaria inclusive a relação com a imprensa. Talvez aí esteja um problema grande pela frente.

CBF em mudança

A interferência do novo Presidente, José Maria Marin, na preparação de nossas seleções já está chegando em todas as áreas da entidade.
Após a sua ordem, que vai querer a lista de jogadores convocados para a Seleção em 48 horas antes de sua divulgação (para estudar, certamente), o novo Presidente mostra que já opina sobre tudo. O técnico Mano Menezes – como era esperado – não reagiu à comunicação na imprensa sobre convocações. Ficou mudo. Como também não falou nada o Diretor de Seleções, Andrés Sanchez, mesmo sabendo que a ordem foi mais para ele do que para o técnico. Mas o presidente Marin avança. Até nas questões de imprensa. E na política encontrou o caminho que chega ao Governo: o vice-presidente Michel Temer. São-paulino roxo, fala – e muito – com o Presidente da CBF. Com isso, o tradicional esforço dos cartolas de aproximação com o ex-presidente Lula ou com o Ministro do governo Dilma  foi substituído por uma via sem intermediários,  que o Presidente Marin conhece bem. Pode não ser a melhor. Mas é a dele.

Valha-me, São Jorge!

Que semana complicada para os times que gozam a proteção de São Jorge!  
No domingo, foram o Corinthians e o Genova. Ontem, o Barça. Deve estar ocorrendo alguma briga feio contra o dragão, lá nas alturas. Por aqui o Corinthians deve seguir a máxima dos beneditinos: Reza e trabalho.
É o caminho.

Apr 24, 2012

O chá dos co-irmãos

 

(Anita Malfatti, “A Boba” (1915-16))

A mídia informa que, ontem, numa churrascaria, os quatro maiores Clubes da Cidade (Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos) fizeram as pazes.
Em tom conciliador, o Presidente do São Paulo FC, Juvenal Juvêncio,   e o ex-Presidente do Corinthians, Andrés Sanches, falaram, especialmente, da necessidade de união dos Clubes. Não há qualquer surpresa nisso tudo.

A relação do grandes clubes sempre foi marcada por uma política, digamos assim, de “duas faces”. Uma pública, onde o Dirigentes fazem provocações e até críticas aos adversários, e outra – reservada, onde se abraçam,  combinam tudo, e justificam suas declarações públicas.  Esta é a linha adotada por todos.
Inclusive pela atual Direção do Corinthians.

O único beneficiado por esta relação hipócrita é o São Paulo.
Ele junta todos e exerce uma liderança imposta por uma alegada superioridade cultural, pessoal, postural, econômica  etc. É um engodo que favorece aos tricolores e o maior prejudicado sempre é o Corinthians.

E isto não é de hoje. Recordo-me, quando era Diretor de Futebol, recebia críticas por todo lado (inclusive dentro do Timão) pela minha postura diante do SPFC.
O grupo do vice Nesi Cury, do qual a Direção do Corinthians dos últimos 4 anos é ramificação, exercia uma cobrança quase diária pela relação com o São Paulo. A cada fato era dito “precisamos respeitar o São Paulo” ,  “o SPFC é nosso co-irmão”, “vou ligar pro fulano, presidente do SPFC e explicar …” . Esta linha era majoritária no Clube e nos colocava em um posição subalterna perante um de nossos adversários. O auge do equívoco era narrado pelo Sr. Nesi e companhia,  fora um jantar oferecido, nos anos 60 no Parque São Jorge, para o Presidente do São Paulo, Laudo Natel. Entre elogios e palmas foi decidido que muitos conselheiros comprariam carnês da construção do Morumbi, bem como cadeiras cativas. Sempre fui duro crítico deste jantar e não perdia oportunidade de falar da vergonha dele ter ocorrido. Mas esta relação “amistosa” com o São Paulo sempre foi a marca do grupo. Recordo-me do Campeonato Paulista de 2003, quando a Federação queira (porque queria) ver o São Paulo campeão. Com um regulamento confuso, deu interpretações todas favoráveis ao SPFC. Nós reagimos, embora internamente muitos defendessem que deveríamos ficar calados. Tive que assumir, por  um dia, a Presidência do Clube para encaminhar um recurso a um órgão da Federação que decidiria sobre a matéria. Sabíamos que perderíamos mas, a partir daí,  poderíamos recorrer à CBF e lá o jogo seria outro. Foi o que ocorreu. No julgamento, em São Paulo, todos os Clubes votaram contra o Corinthians e a favor do Tricolor. Até o Palmeiras, que se dizia inimigo dele. A reunião serviu, no entanto, para que pudéssemos recorrer ao Tribunal da CBF. Serviu, também, para que se pudesse dizer, que, naquele momento eu me lembrava que o Corinthians fora o único Clube  solidário com o Palestra,  quando queriam (quem?) tomar o  Parque Antartica. Relembrei a reunião do Conselho Corinthiano e os membros da delegação que foram até a Rua Turiassú levando nossa solidariedade. Foi um constrangimento geral.
Mas recorremos, ganhamos no Rio e principalmente vencemos no campo, para desespero do tricolor.

Nos últimos 5 anos, a política do Corinthians não foi  muito diferente, embora, para efeitos públicos, houvesse brigas para cá e para lá.
Brincadeiras de “bambi”, uma ou outra crítica, eram seguidas de telefonemas para a Direção Tricolor, conforme os própios dirigentes do SPFC vazavam para a mídia. Era a mesma politica de “duas faces”, que os cartolas tanto gostam. No entanto, com aquele episódio dos ingressos, houve um certo momento onde o atrito (que deveria ser permanente) aflorou. Pressionados pela torcida, e diante de uma decisão equivocada dos tricolores, a Direção corinthiana teve um momento de radicalização. Isso não impediu, no entanto, os permanentes elogios ao marketing e à estrutura do SPFC. Mesmo na questão do estádio, o Corinthians apoiou o SPFC para a reforma do Morumbi.  Aquela cerimônia no gramado do estádio com o Presidente Lula, a Direção do São Paulo e outros dirigentes teve como seu maior destaque  o ex-Presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Somente com a posição firme – e correta- da Fifa a questão do estádio teve outro encaminhamento.
E nisso o Presidente Lula foi o motor que mudou o quadro.

Ao se reunirem, em almoço (poderia ser um chá), os Dirigentes, especialmente do Corinthians, subscrevem uma política errada, que dá a liderança ao São Paulo.
Não há qualquer motivo para não mantermos distância de nossos adversários. Até a questão da TV não necessita mais de “união de Clubes”.
É cada um por si e a Globo do outro lado.

Nem a Diretoria passada, que adotou o esquema de “duas faces” na relação com o São Paulo, nem a Diretoria atual, que – sinceramente – não mantem nenhuma postura para confrontar-se com o Tricolor, agem de forma  correta com os interesses do Corinthians. Sou contra ficar fazendo qualquer provocação barata entre os grandes Clubes, mas sou especialmente contra criar-se esta geleia geral onde todos são irmãos e iguais. Nada disso!
É confronto e pronto.

 

Apr 23, 2012

Pane geral

 

(Michelangelo, “Capela Sistina” (detalhe)) (Reprodução)

Não gosto de ficar procurando um culpado quando o time perde.
Igualmente, não apoio a tese de ficar discutindo regulamento quando o time é eliminado. O que houve ontem no Pacaembu foi uma pane geral. Um ou outro jogador falhou em exagero, mas todos falharam. Foi a derrota de um desacerto completo. E não devemos ficar buscando um culpado aqui ou acolá.
É bola prá frente, que temos muitas competições no ano.

Este time que perdeu ontem é – basicamente – o mesmo que foi campeão brasileiro no ano passado.
E que fez a melhor campanha na primeira fase do Paulista. A principal qualidade do time atual do Corinthians é sua organização dentro do gramado. Compacto, aguerrido e difícil de ser vencido. Esta vem sendo a razão do seu sucesso que – embora muitos não gostem – devemos ao técnico. Mas, como este blog diz (e não é de hoje), faltam alguns jogadores de melhor qualidade no grupo. Uns 2 ou 3 craques dariam um salto  na produção da equipe. E isso faltou ontem, como faltará sempre em jogos difíceis. Quando a situação complica no jogo (ou quando as duas equipes são iguais) é o craque (o jogador diferenciado) que aparece para colocar “ordem na casa”. E isso falta a esta equipe. Mesmo quando ganhamos o Brasileiro do ano passado não tínhamos jogadores com estas qualidade. Nem sei se existe no futebol brasileiro.
Mas é o que precisamos.

Vamos contar com a competência – que não tem faltado – da comissão técnica para fazer uma boa preparação dos próximos jogos.
E não vamos ficar querendo cabeça de jogadores que erraram.
É este elenco que está aí – e que venceu no ano passado – que o time dispõe para a batalha.

Apr 22, 2012

O mundo gira

A devastadora crise econômica que vive a Europa terá um grande impacto no futebol. Sem saída para seus problemas, vários países importantes- na economia e no futebol- vivem uma década perdida e caminham para voltarem a ser nações do “terceiro mundo”. Nada indica que Espanha, Portugal, Itália, Inglaterra, França e outro menos cotados possam solucionar seus problemas no curto prazo. O que estamos vendo é um empobrecimento desses povos e o impacto no futebol será evidente.

O grande crescimento europeu começou logo após o fim da guerra. Diante do perigo do comunismo, os Estados Unidos e seus aliados, trataram de levantar aquela Europa  caída. Nestes últimos 50 anos, quase todos os países europeus viveram um “milagre” econômico. Itália, França, Inglaterra, Espanha, Portugal foram superando seus problemas com grande progresso econômico e social. A reconstrução da Europa veio com a implantação de um Estado Social onde os trabalhadores, a classe média  e os ricos tiveram um salto na qualidade de vida. Este novo mundo trouxe a crescimento econômico e a distribuição de renda. Todos os países europeus passaram a viver melhor. E o futebol seguiu o mesmo caminho. Mais dinheiro para os clubes, melhores jogadores, melhores estádios etc tudo numa marcha que levaria a uma vida melhor.

É este “novo mundo” construído após a segunda gerra que esta sendo destruído. Ou melhor, desconstruído. A brutal crise nos Bancos,e Seguradoras e Mercado financeiro levou a uma situação de quase falência dos Estados. E o caminho até agora percorrido para resolver os problemas foram cortes de tudo: dos gastos em saúde, educação: corte nos salários e pensões; cortes nos investimentos em estradas, empresas, trens etc. A crise européia atinge todos os lados mas quem esta perdendo mesmo são os assalariados, pensionista e a classe média. Com isso a base do Estado social construído no pós-guerra vai ao colapso. E o lazer( onde entra o futebol) é uma grande vítima.

É neste novo quadro de dificuldades por todo lado que vivera o futebol após o final da temporada 11/12. A partir do meio do ano, os grandes clubes europeus viveram a realidade de estarem num continente cada vez mais pobre. A Liga das Estrelas da Espanha perderá o brilho ,o campeonato português será ainda menos atraente do que é nos dias atuais. E a Itália, sempre importante no futebol e na dolce vita, perderá muito do seu charme.

Esta crise profunda deixa as empresas sem grana e um governo sem condições de socorro. Empresas sem dinheiro é menos recurso no futebol, na publicidade, nas contratações de craques etc. Mesmo a Inglaterra com seus oligarcas já começa a sentir o corte de dinheiro. Sem condições de contratações milionária muito coisa mudará no futebol mundial. A América do Sul que tradicionalmente “exporta” craques viverá, também, este impacto. As vendas serão menores e muitos “craques” que atuam nos clubes europeus voltaram para sua  terrinha.

É neste mundo que passaremos a viver após o fim da atual temporada. Os grandes campeonatos europeus, com craques por todo lado “o vento levou”. E o mundo, viverá uma nova fase do futebol, exatamente ao tempo, em que o Brasil organiza a Copa do Mundo.Viva .

Vampeta, Edilson e Fábio Luciano

Quem foi ao Teatro do Corinthians, no Parque São Jorge, ontem,  para a homenagem a Vampeta, Edilson e Fábio Luciano viveu uma agradabilíssima manhã. Três grandes jogadores que muito honraram a camisa alvinegra e, também, três figuraças. Vampeta e Edilson mais descontraídos e Fábio Luciano, mais tímidos, mostraram o valor do ato. Destacaram a importância do Corinthians nas vida de cada um. Além de história deliciosas os torcedores viveram a explosão de alegria que estes três trouxeram para o Timão. Viva!