Apr 3, 2012

Discurso para brasileiro ver.

 

(Leonardo Da Vinci. “A Gioconda”.) (Reprodução)

A organização em território brasileiro de grandes eventos  internacionais de esporte é uma mudança e tanto para o Governo, dirigentes do Esporte e todo o Brasil.
Após o Pan, no Rio de Janeiro, teremos o Mundial de 2014 e a Olimpíada – no Rio – em 2016. Alguns pontos ligam todos esses eventos. O mais comum é ver um discurso de mentiras, enquanto o evento é aprovado pelos órgãos internacionais.

Comecemos pelo Pan do Rio de Janeiro. Quando foi decidida sua realização,  o orçamento apresentado pelo Sr. Nuzman era de 440 milhões de reais para os governos. E a justificativa que a iniciativa privada teria uma grande participação. Tudo lorota. O gasto final do Pan ficou em 4,4 bilhões, e o Presidente do COB, para justificar este salto, disse uma frase famosa: “Só é possível termos o orçamento quando terminarmos todo o evento”.  Uma loucura completa que deixou atordoados todos os especialistas em Administração Pública e em Direito Administrativo.
O orçamento, que é peça da maior importância, deve ser feito previamente, exatamente para se saber quanto irá ser gasto, ficou para o final. Quer dizer, o evento seria construído “em aberto”, e o Governo enfiando dinheiro. Foi o que ocorreu. Da iniciativa privada não chegou nada e somente o Governo bancou tudo.
Esta é uma estratégia conhecida na Administração Pública. Antes de realizar a obra ou o serviço é feito um orçamento “irreal”, como fez o COB. Diz que vai gastar pouco, e todo mundo aplaude. Com o tempo, vai aparecendo o quadro real. E são feitos aditivos, com mais e mais dinheiro. Foi o Sistema Nusman de realização.
Um golpe de prefeito de cidadezinha, mas que deu certo numa grande cidade.

Outra mentira veio à tona com a preparação do Mundial de 2014.
Na fase anterior à aprovação da Fifa, o presidente Ricardo Teixeira dizia que a Copa era um evento “praticamente” privado. E que o Governo entraria com quase nada. Uma ou outra obra de transporte urbano e nada mais. Nada disso! Era tudo lorota. Após a aprovação – e no decorrer dos meses que se seguiram – apareceu a realidade. A Copa de 2014 será uma Copa bancada pelo Governo. Como ocorreu em outros países,  na Alemanha, na  Itália, no Japão etc.
A tal presença “prioritária” da iniciativa privada era apenas discurso.

Creio que os dois únicos casos em que entidades privadas vão bancar obras para a Copa, serão os estádios do Corinthians e (pelo que dizem) o do Inter. Nos outros casos, tudo será feito com o dinheiro público. O Corinthians assumiu o desafio de construir um estádio para a abertura da Copa para livrar São Paulo de um vexame sem precedentes. A cidade quase fica fora do Mundial por não ter um estádio em condições para sua abertura. E o Clube está fazendo com empréstimos de todo lado (e bancos), que no final das contas será pago pelo Clube. É certo que o estádio poderá ser um grande fator gerador de receitas. Mas, neste caso, o Clube assumiu o risco por ele e pela Cidade. E deveria ser aplaudido por todas as torcidas. O caso do Inter não conheço, mas creio que será similar. Empréstimos, BNDES etc, mas no fim da conversa o Clube ficará com a dívida. No mais tudo é grana pública: Maracanã, Mineirão e todos mais.  Lembro-me que a mídia dizia que teríamos “fundos da Fifa” para a construção e reforma de estádio. Muito pelo contrário. Como estamos vendo a Fifa quer é ganhar dinheiro. O evento é dela e quem banca é o País.
O resto é lorota e mais lorota.

Apr 2, 2012

Goleada




A vitória do Corinthians, na tarde de ontem em Presidente Prudente, não agradou muito à mídia.
Primeiro, porque não gostam quando o Timão vence. E ficam torcendo para que – caso vença – seja por vitória mínima. Com o três a zero o discurso ficou “oxo ” , como diria o caríssimo Walter Abraão. Liedson afastou a uruca e o mau-olhado que vinha sofrendo. Com o campeonato se arrastando (com jogos fracos por todo lado) o melhor que fazemos é aguardar a fase final do Paulistão (ou seria Paulistinha?). Para o Corinthians, que disputa duas competições, o melhor é acertar a equipe e – principalmente – conseguir que alguns jogadores cheguem a um bom preparo físico. É incrível que já no quarto mês do ano tenhamos jogadores fora de forma. Para os próximos jogos será importante termos, especialmente os mais famosos, no melhor momento da temporada.

“Especulação”

Dar chute de todo tipo não é exclusividade de jogadores. A mídia também é craque nesta atividade!
Jogadores “fechados”, que nunca fecham, é assunto prioritário da mídia. Mas não é só isso. Agora a moda é “especular” sobre o contrato de publicidade no uniforme do Corinthians. Já apareceu de tudo e  todo tipo de valor. Há uns dez dias foi uma chuva de informação (99% de certeza) que o Timão teria um contrato com uma montadora coreana por 50 milhões ao ano. Divulgado por todo lado, a matéria foi desaparecendo como picolé no sol. Hoje a Folha vem com outra informação e totalmente diversa da semana passada. Diz o jornal: “Corinthians aceita receber menos por patrocínio”, e que o valor seria entre 27 a 30 milhões por cada ano . O valor seria quase a metade do que foi dito há uma semana e é menor do que o atual contrato que, segundo o jornal, seria de 38 milhões por ano.
Não acredito muito nem no que foi dito há 10 dias e nem no que está sendo afirmado hoje. É negociação que tem várias etapas. O problema é que a mídia gosta de especular e este pessoal de marketing  (de todos os Clubes) gosta de “contar vantagens” aos jornalistas.
O que definirá o valor é o mercado. Pouco ajudará o charme do marketeiro. O Corinthians é o melhor “produto do futebol” e ganhará mais que os outros clubes. Mas será um valor que atenda às condições das empresas.
O resto é especulação. Como a mídia (e os marketeiros) gostam.

Apr 1, 2012

Bola pro alto…

A ombudsman (ou seria “o”) da Folha de São Paulo, Suzana Singer, retorna o assunto do diretor do São Paulo, que desmentiu publicação do Painel FC. Após publicar duas extensas carta do diretor tricolor (no Painel do Leitor) o jornal publicou um “erramos” onde deixa oculto que a nota publicada estaria incorreta. Que força tem este diretor do São Paulo: duas longas cartas em dois dias! E neste domingo, a ombudsman gasta quase a metade de sua página para explicar o caso do são-paulino. Mas, aproveitando a deixa, avança em considerações mais ampla, e, a nota “Bola Fora”, fica como uma crítica as colunas do jornal. Diz, de início, que as colunas ( Painel,Mônica Bérgamo e o Painel FC), vivem de informações passadas por “pessoas interessadas que não querem aparecer”. Pode ser. Mas não é só isso o problema destas colunas do futebol. É comum o jornalista, querendo “esquentar” assunto nas colunas, procurar pessoas do mundo do esporte e instiga-los a declarações e provocações.

É um jogo para “ferver o clima” de clube, jogadores etc. Mas há outros e mais problemáticos. Não quero aqui levantar os assuntos que envolveram a cobertura da parceria MSI- Corinthians. Fato grave que o jornal preferiu “fingir-se de morto”, mas é sempre preocupante a força que tem hoje “empresários” do futebol. Dentre eles, alguns que publicam tudo(em quase todo lugar) sobre seus jogadores. Alguns medíocres viram “craques” até serem negociados. Há também, problemas com a preparação da Copa do Mundo. Novas empresas e empresários chegam ao futebol e tornam-se “fontes” dos jornais. Lembro que um projeto de estádio  (totalmente inviável e descartado pela diretoria do Corinthians) que teve uma ampla, extensa, cansativa e desconsertante cobertura da Folha. Ao finalizar sua análise diz a ombdsman que as colunas “devem checar as informações passadas”. Não dá. Com este procedimento a coluna perderia tudo. O que o jornal deveria fazer é ver se – com a existência da Internet- este tipo de jornalismo não é coisa do passado. E deveria mudar.

Apr 1, 2012
admin

A carta de Getúlio. Documento histórico.

Getúlio Vargas é, até os dias atuais, um presidente “bem avaliado”, como afirmam os institutos de pesquisa. Comandou uma revolução, em 1930, que derrubou a velha República e realizou grandes mudanças no país. Por dois períodos (um como ditador, outro como presidente eleito) enfrentou grande inimigos, produziu reformas que mudaram o Brasil. Criou a CLT – até hoje o código que regula o trabalho; implantou a Justiça Eleitoral ( embora governasse ditatorialmente) ; criou as base para o progresso industrial do país com a fundação da Petrobrás, Companhia Siderúrgica Nacional; Vale o Rio Doce; Cia de Energias Elétricas etc. É um marco no Brasil como Roosevelt é nos Estados Unidos. De forma correta colocou ( na Segunda guerra) o Brasil   ao lado dos Estados Unidos, embora tivesse grande pressão interna de apoiadores do Eixo. Seu suicídio parou o país. E marcou tudo o que veio em seguida até os dia atuais. A carta que ele deixou é um documento da maior importância da história do Brasil.

VERSÃO MANUSCRITA:

“Deixo à sanha dos meus inimigos, o legado da minha morte. Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa.
Acrescente-se a fraqueza de amigos que não defenderam nas posições que ocupavam à felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês, à insensibilidade moral de sicários que entreguei à Justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país contra a minha pessoa.
Se a simples renúncia ao posto a que fui levado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranqüilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria.
Mas tal renúncia daria apenas ensejo para, com mais fúria, perseguirem-me e humilharem-me.
Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas.
Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes.
Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos.
Que o sangue dum inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus.
Agradeço aos que de perto ou de longe me trouxeram o conforto de sua amizade.
A resposta do povo virá mais tarde…”

CARTA DATILOGRAFADA:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fi z-me chefe de uma revolução e venci.
Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.
A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.
Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém.
Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”

Mar 31, 2012

Vida dura

A crise econômica que atingiu a Europa ( e não chegou ao fundo,ainda) já esta batendo no futebol. A Espanha é a maior vítima. Durante anos e anos os clubes espanhóis receberam todo tipo de ajuda dos governos. Direta ou indireta, com empréstimos  ou doações, os vistosos clubes ibéricos resolveram seus problemas de grana nos cofres do Estado. O novo orçamento do Estado anunciado ontem (com cortes brutais em todas  áreas) mostra o tamanho das dificuldades. Nunca tiveram um orçamento tão apertado nos últimos 30 anos. O mesmo ocorre na Itália, ainda que os italianos façam um ar de pouco caso. Portugal é um caso desconcertante. Uma crise sem tamanho que a única saída é a porta da rua (isto é, sair da comunidade econômica européia). Outros países, também, em menor ou maior grau  estão no buraco. Inglaterra, França, Alemanha e a quebrada Grécia, todos, vivem o drama de uma crise sem rumo. O grande problema é que esta crise não é só dos Estados. Já seria preocupante se assim fosse pois, como já foi dito, são os governos que socorrem os clubes sem grana. Mais difícil, é a situação das empresas. Grandes bancos( que tradicionalmente apoiam o futebol) estão -claramente – quebrados. Só ficam em pé porque o Euro está sendo impresso dia e noite para socorro bancário. Empresas, com tradicional presença no futebol, estão com grave dificuldade de caixa. E os clubes europeus já estão vendo que o mar não está prá peixe. Na última porta para contratações , quase não houve negócios. Só escambo. Troca de um jogador por outro, perdão de dívida (com liberação de pagamentos futuros), enfim, negócios de quem está sem grana. O futebol sul-americano, que sempre é vendedor de jogadores para a Europa, já esta sentindo o tamanho do problema. Exceto um ou outro clube inglês,onde reinam aqueles oligarcas, ninguém contrata ninguém. Pelo contrário. Clubes espanhóis vivem oferecendo jogadores em troca de não pagarem os atuais contratos. Esta problema  não é de todo negativo para os clubes brasileiros, argentinos e uruguaios. Com saída menor de craques, com suas economias crescendo, poderemos ter um novo quadro no futebol mundial. E a América do Sul pode tornar-se um pólo mais importante do que é para o futebol.

Interessante

O vice-presidente de futebol do São Paulo Futebol clube, conseguiu uma proeza. Ontem e hoje, a Folha de São Paulo publicou, na seção Painel do Leitor, duas extensas cartas do dirigente. Ele protesta contra nota do Painel FC,  que teria publicado nota errada, sobre declaração feita num clube de São Paulo. As cartas ocuparam mais de 20% de toda seção num procedimento pouco comum. Ao final, numa nota de rodapé, o jornal confirma que o dirigente tricolor não estava no clube, e, portanto, não poderia ter feito aquela declaração. Acho justo que um dirigente queira que suas palavras editadas de forma correta. Mas eu , em todo tempo que ocupei cargo no futebol, jamais procurei enviar carta cobrando retificações. Conhecendo o futebol( e o jornalismo)  e, se tivesse o mesmo procedimento, ficaria escrevendo carta o dia todo. Por esta razão não dou crédito absoluto pra tudo que leio. E não desminto nada. O tempo se encarrega de retificar as inverdades .

Mar 30, 2012

Novo Bosman

(Wassily Kandinsky. “Amarelo, Vermelho, Azul”. (1925))  (Reprodução)

A notícia de que a Justiça Suíça deu ganho de causa, em processo contra Fifa, ao jogador brasileiro Matuzalem,  vai dar o que falar.

Mais uma vez, o jornalista Jamil Chade, correspondente do Estadão na Europa, marca um gol de placa, trazendo este assunto bomba.
Matuzalem atuava no Shaktar Donestsk, da Ucrânia, quando se iniciou o conflito. O jogador saiu e foi atuar na Espanha. O Clube do Leste Europeu recorreu à Fifa e ganhou a causa. Foram condenados o clube espanhol e o jogador,  que deveriam pagar R$ 28,8 milhões  aos ucranianos. Após o prazo (sem pagamento), o atleta não poderia defender nenhum clube de futebol. O jogador – que hoje está na Lázio, da Itália – recorreu  à  Justica Suíça e, aí, deu-se a surpresa: a Justiça disse que a decisão da Fifa não deveria atingir o jogador e este poderia jogar.

Trata-se de uma decisão perigosa para o “poder da Fifa”. Esta entidade tem um poder sem igual no mundo. Regula o futebol e os “negócios” dele decorrentes. Diferentemente de qualquer outro órgão mundial (ONU, UNESCO etc)  tem grande poder coercitivo. Isto é, suas decisões são cumpridas pelas Federações nacionais e pelos Clubes. Quem não aceita seus decretos (no futebol e nos negócios),   não cumprindo o que ela decidir –  seja o Clube  ou o jogador – fica proibido de atuar. E as Federações obrigam o fiel cumprimento de suas imposições, sob pena de elas próprias serem punidas.

A decisão do caso Matuzalem fulmina esta fortaleza. Não podendo excluir o jogador de atuação, suas sentenças pouco valerão,  serão tranformadas em meras “resoluções”, como as da ONU, que vive determinando isso ou aquilo, mas só são aplicadas quando países como EUA, França ou Inglaterra resolvem mandar suas tropas e bombas (como no caso da Líbia).
A Fifa tem verdadeiro pavor das decisões das Justiça nacionais, mas sempre contou com uma certa proteção do judiciário suíço. Por esta razão, quando vê que vai perder, faz acordo, como no caso Bosman, onde falou muito e, depois, calou-se. Se esta decisão prevalecer, o mundo terá uma mudança, sem precedentes, no futebol. Como ocorreu no caso Bosman, os desdobramentos do caso Matuzalem vão repercutir por todo lado.
E possivelmente com intensidade maior.

Alô, Pelé

O maior jogador do mundo, Pelé, telefonou, no dia de ontem, para o Presidente da CBF, José Maria Marin. Nenhum assunto novo, nada extraordinário, mera rotina. Só uma diferença:  o simples telefonema virou noticía em todos os jornais.  Nas páginas esportivas e em colunas sociais. Claramente, foi divulgação da CBF. Ou seu presidente recebe poucos telefonemas, ou o assunto era importante e não foi revelado. Só faltou aos jornais perguntarem o que de tão relevante se discutiu na conversa telefônica. Pode ser muita coisa mas, provavelmante, não era nada.
Só algum assessor mostrando quanto tem  influência na mídia, especialmente nas colunas “sociais” .

Mar 29, 2012

Chute no valor

(Reprodução)

O inverno chegou ontem, à noite, no Pacaembu, no jogo do Corinthians contra o XV de Piracicaba.
Frio, vento e uma partida sem grandes emoções. O Corinthians fez o básico e venceu. Bom para alguns jovens que começam a ganhar experiência de jogo. Ruim para outros jogadores que, já no terceiro mês da temporada, estão em precárias condições física. Outros, que vivem querendo ser titulares, mostraram que o técnico está certo. O melhor é continuarem na reserva. Além do frio e do jogo pouco criativo, o destaque foi o enorme policiamento. Parecia final de campeonato com policiais, cavalos e viaturas por toda parte. Parabéns. Mas acho que esta mobilização foi em jogo errado. Tudo bem.
Vamos ver nos próximos.

Dinheiro mais dinheiro

A mídia gosta de especular sobre o valor dos contratos que o futebol gera para os Clubes. 
Os marketeiros também gostam de ficar vazando valores aqui e acolá. O Corinthians – pelo seu tamanho – é o preferido dos jornalistas. Agora, a respeito do novo contrato de publicidade de sua camisa, já se falou de tudo. Sobre valores e  empresas. Um jornalista afirma que “está 99% fechado” com a empresa X, pelo valor “tal”. Logo depois,  desaparece o noticiário,  retornando em seguida, com outra suposta empresa e novas cifras. Estes dias a bola da vez é o contrato do Timão com uma montadora, por 50 milhões ao ano.
Vamos aguardar, porque nem sempre o que é falado na assinatura corresponde ao valor real. E isso ocorre em todos os Clubes. Veja-se o caso da contratação da TV.
Tudo o que se divulgou foi inflado, pelos Clubes em geral! Hoje sabemos que a TV paga quase 1/3 menos do que se propagandeou. E aí estão todos os Clubes. Os marketeiros gostam de dizer que os grandes contratos são obra de suas “jogadas”. Não é bem assim.
Quem define valores, patamares, tetos, limites é o mercado. Veja-se que todos os Clubes têm aumento de seus patrocínios quase em conjunto. Obviamente, respeitando-se o tamanho comercial de cada um.
Nos últimos anos, foi isso que ocorreu. Todos os contratos melhoraram, até de Clubes que não tinham Departamento de Marketing. É este movimento (das empresas e da economia) que aumenta ou reduz os valores.
Por esta razão é bom acompanharmos (todos os Clubes) para vermos para onde vai o mercado.

Mar 28, 2012

Sem anjos.

(Aldemir Martins) (Reprodução)

A briga do jogador Oscar, com a participação do SPFC, de seu empresário e do Inter, está interessante de se acompanhar.
Nesta confusão toda só há uma verdade: não há anjos neste caso. Os tricolores não são exemplos nobres nesta questão, pois já agiram de todas as formas para atrair jovens jogadores. E algumas delas nada santificadas. O jogador, normalmente, quer passar por pobrezinho, enganado, enrolado, usado etc, mas ele foi desmascarado por declarações dos próprios colegas.

Ficou claro – o que é comum neste casos – que o jovem não era vítima, mas participava de uma trama. Como no caso Nilmar/Lion/Corinthians, o rosto triste do atleta é só uma forma de dissimulação para  obter apoio de torcedores. Seu empresário é conhecido no mercado, agindo desta forma contra e a favor de todos os clubes. O vento (clube) vira de acordo com seu interesse. Muito bem relacionado com a cartolagem, apronta poucas e boas para os clubes e, em seguida, é perdoado, partindo para novas transações.

O Inter é o Inter. Reclama, grita, chora  e faz cara de vítima. Nem tricolor, nem colorado têm do que reclamar.

Interessante, também, nesta confusão, é ver a mídia dividida. Normalmente (quando é o Corinthians) ela fica do lado do jogador. O “pobrezinho”  é apoiado por todos os brados de liberdade contra a “escravatura” dos contratos. Mas, nesse caso, está envolvido o “Mais Querido”… da mídia, e os jornalistas estão divididos. Poucos empunharam a bandeira da liberdade (do jogador), muitos passaram a exigir o cumprimento do contrato. Coisa que nunca fizeram e só o fazem agora por que o prejudicado é o Tricolor.

Relações perigosas

Se a Polícia continuar a investigar as torcidas organizadas, vamos ter surpresas. Quase todos os clubes, cartolas e políticos têm laços fortes com estas organizações. E as polícias Civil e Militar, também. Desde  o fornecimento de ingressos à ajuda jurídica nas “encrencas” ; de ônibus ao apoio no carnaval, em quase tudo  (quase tudo, mesmo), podem aparecer vereadores, deputados, secretários de governo, cartolas, oficiais da PM e policiais civis.

Por aí podemos entender porque tantas investigações anteriores andaram devagar (quase parando) e não chegaram a grande coisa.

Portugal é uma mãe

Não sei quais são os motivos que levaram o Diretor da CBF, Andrés Sanchez, a falar (de forma agressiva) do futebol português.
Hoje, na Folha ele diz “ se nós (cartolas brasileiros) fizéssemos o que se faz no Porto, estaríamos na cadeia”. Sem conhecer este caso (mas conhecendo outros), acredito que o futebol da “terrinha”  não seja bom  exemplo para ninguém. Seus grande clubes são dominados por dois ou três “empresários”, que são operadores de “investidores” do Leste Europeu. E fazem qualquer coisa .
Portugal é um paraíso fiscal, sem prestígio, mas com muitos “espertos”.  Qualquer transação de jogador que passe por clubes lusitanos, é uma encrenca. Mas, para ser justo, alguns ex-dirigentes de lá estão condenados e foragidos da Justiça (na Inglaterra, é claro).

Mar 27, 2012

Inúteis decisões

(Almeida Junior, “Recado Difícil”, óleo sobre tela, 1895)  (Reprodução)

Com mais uma morte, em meio à briga de torcidas organizadas, a Federação decidiu fazer o que sempre faz: tomou uma medida que significa rigorosamente nada.
Expulsou dos estádios as duas torcidas litigantes (Gaviões e Mancha Alviverde). Trata-se de um veto que não veta. O torcedor só não  poderá  entrar com os pertences  alusivos à torcida, sem eles, não haverá problema.
É o mais completo caso de não fazer nada, dizendo que fez tudo.

Alguns perguntam: o que poderia fazer a Federação para encontrar solução deste problema? Há medidas – que são  papel da Federação e não dependem de lei, do Ministério Público, do Governo ou da Polícia.
A primeira, e mais importante, é estabelecer a venda de ingressos de forma identificada (como é feito na Europa). Compras pela internet, com cartão ou boleto e de outras formas, que identifiquem quem está comprando. E garantir lugares marcados (ou áreas, como preferem alguns) . Sabe quando as Federações vão adotar estas medidas? Só quando os governos obrigarem.
Venda identificada é o fim de mamatas na fabricação e  distribuição de ingressos, que ocorre na CBF, nas Federações e nos Clubes.

Nem vou falar hoje no problema grave da promiscuidade dos Clubes, Federações e torcidas com as polícias (civil e militar). Se for adotado o sistema europeu de venda identificada, os elementos  punidos já não conseguiriam mais ingressos. Mas para se adotar um sistema desses, seria preciso comprar uma briga com as empresas que confeccionam as entradas. E, neste caso, a briga será de morte!
Maior do que entre torcedores de organizadas.


Mudei
.

Na entrevista de ontem, no UOL, o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, agora como Diretor de Futebol da CBF, disse que “é a favor de todos os dirigentes serem remunerados até para acabar com essa onda de que todo dirigente é ladrão”. É uma mudança e tanto no que sempre disse Andrés. Foram muitas as vezes em que defendeu que os Clubes e Federações tivessem,  em sua direção, empresários bem sucedidos, sem necessidade de ganhar mais nada, inclusive salários. Chegava ao ponto de se auto indicar como exemplo. Mudou.
Não há problema em mudar de ideia. O que espanta é a forma tão radical, sem qualquer fato novo. É claro que o futebol necessita de profissionais bem remunerados:  técnicos, médicos, jogadores, preparadores físicos, técnicos de administração etc. Mas ter os dirigentes remunerados (não são profissionais de áreas específicas), isto é outra conversa.
Com os clubes sociais, sem finalidades lucrativas, controlando o futebol, sempre será necessário o dirigente sem remuneração. Afinal, quem o sócio colocará para controlar o contratado?
Remunerar dirigentes só é possivel no modelo de clube-empresa.  Não é o caso brasileiro.


Livro da discórdia
.

Também no UOL, o ex-presidente ataca o zagueiro Paulo André, por este ter criticado Ricardo Teixeira.
Diz que ele deveria primeiro jogar e não dar palpite na casa dos outros.  Foi infeliz a declaração. Como aquela do Zorro e o Sargento Garcia.  O jogador está se recuperando de uma contusão e, pelas notícias, é dedicado a seu tratamento. Mas não creio que a bronca com o Paulo André tenha sido  pelas críticas ao ex-presidente Ricardo Teixeira.
Acho que foi pelo lançamento do livro. Não fica bem pro mundo da bola ter um jogador que escreve e lança livros.

Mar 26, 2012

Um estado de promiscuidade

(Pablo Picasso. “Guernica”) (Reprodução)

Já se tornou rotina o choque entre torcidas organizadas, com brigas, socos, tiros e mortes.

Sempre que isso ocorre (especialmente com anúncio de vítimas fatais), aparecem  fórmulas para se resolver o problema “da violência no futebol”. Não tenho ilusão. Quase nada será feito, porque há um erro básico que explica este grau de violência.  Esses equívocos não são de hoje.

Quando, há décadas, a Polícia Militar determinou a separação de torcidas, implantou o eixo de todas as violências.
Com a separação, os grupos tornaram-se tribos e a cada dia aumentam seus atritos. Isso não era assim. Torcedores de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e outros íam ao campo no mesmo ônibus, sentavam-se lado a lado.
Os atritos existiam, mas eram quase sempre limitados a insultos, bate-bocas ou empurrões. Foi a divisão (determinada pela Polícia), que preparou o estado de guerra entre os fãs. A própria ideia de levar os torcedores escoltados para o estádio (outra ideia errada da Polícia), só consolidou o conflito.
A primeira medida (adotada em outros países) é o fim da separação de torcidas. Cada um fica no lugar que comprou, não importando quem esteja ao lado. Ou se faz isso, ou não se muda nada. Mas só isso não resolve.

Os ingressos, como no mundo todo, devem ser vendidos com comprador e lugar identificados. Pela internet, por cartão, por boleto e etc, o Clube saberá quem comprou aquele posto no estádio. Não sei se os cartolas aceitam uma venda controlada de ingressos (até pelos esquemas de privilégios que existem), mas, sem isso, o problema não caminha para a solução.

Por último, e talvez o mais importante ponto, é encerrar-se o estado de promiscuidade que existe entre as Polícias (Militar e Civil) e as torcidas organizadas e seus braços do samba. Não há quem não conheça delegados, investigadores, oficiais da PM e soldados que não frequentem – de forma habitual – sedes de Torcidas e de suas Escolas de Samba. Políticos e cartolas nem se diga! Estão lá para defender e apoiar seus amigos. Assim, não há política de segurança pública que resolva.

Com tal grau de relações amigas, fica difícil investigar ou  prender quem quer que seja. Ou as autoridades da Administração Pública encerram este estado de conivência absoluta, ou nada será resolvido. Neste mundo de futebol, reunindo cartolas, políticos, policias militares e civis, existe ainda um sem número de “empresas de segurança”, que funcionam como elo de ligação com as forças policiais do Estado. E quase sempre seus donos são ex-delegados e ex-oficiais, prontos para “resolver” qualquer encrenca.

Neste estado, onde não há uma linha separando a condição marginal das autoridades de segurança, não há repressão à violência que funcione. Quem conhece os Clubes, as Federações e as torcidas sabe que esta convivência entre os que praticam a violência e os que deveriam reprimir-la, é para lá de “amigável”.

Sem o fim desta situação promíscua, nenhuma medida terá efeitos plenos e duradouros. Como não tiveram no passado o credenciamento na Federação, a filmagem de torcedores blá-blá-blá… Ou as autoridades superiores de segurança determinam o rompimento entre seus quadros e as organizações de torcida, Clubes e Federações (e também das empresa de ex-policiais),  ou tudo continuará numa boa. E outros choques virão, e novas mortes também.

Empresários no futebol

É incrível como a mídia gosta de rotular todo mundo de “empresário”. Basta ocupar um cargo no futebol, e lá vai o rótulo: empresário. Ou grande empresário, empresário de sucesso. Isso já virou bordão.
E longe da realidade.