Apr 24, 2012

O chá dos co-irmãos

 

(Anita Malfatti, “A Boba” (1915-16))

A mídia informa que, ontem, numa churrascaria, os quatro maiores Clubes da Cidade (Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos) fizeram as pazes.
Em tom conciliador, o Presidente do São Paulo FC, Juvenal Juvêncio,   e o ex-Presidente do Corinthians, Andrés Sanches, falaram, especialmente, da necessidade de união dos Clubes. Não há qualquer surpresa nisso tudo.

A relação do grandes clubes sempre foi marcada por uma política, digamos assim, de “duas faces”. Uma pública, onde o Dirigentes fazem provocações e até críticas aos adversários, e outra – reservada, onde se abraçam,  combinam tudo, e justificam suas declarações públicas.  Esta é a linha adotada por todos.
Inclusive pela atual Direção do Corinthians.

O único beneficiado por esta relação hipócrita é o São Paulo.
Ele junta todos e exerce uma liderança imposta por uma alegada superioridade cultural, pessoal, postural, econômica  etc. É um engodo que favorece aos tricolores e o maior prejudicado sempre é o Corinthians.

E isto não é de hoje. Recordo-me, quando era Diretor de Futebol, recebia críticas por todo lado (inclusive dentro do Timão) pela minha postura diante do SPFC.
O grupo do vice Nesi Cury, do qual a Direção do Corinthians dos últimos 4 anos é ramificação, exercia uma cobrança quase diária pela relação com o São Paulo. A cada fato era dito “precisamos respeitar o São Paulo” ,  “o SPFC é nosso co-irmão”, “vou ligar pro fulano, presidente do SPFC e explicar …” . Esta linha era majoritária no Clube e nos colocava em um posição subalterna perante um de nossos adversários. O auge do equívoco era narrado pelo Sr. Nesi e companhia,  fora um jantar oferecido, nos anos 60 no Parque São Jorge, para o Presidente do São Paulo, Laudo Natel. Entre elogios e palmas foi decidido que muitos conselheiros comprariam carnês da construção do Morumbi, bem como cadeiras cativas. Sempre fui duro crítico deste jantar e não perdia oportunidade de falar da vergonha dele ter ocorrido. Mas esta relação “amistosa” com o São Paulo sempre foi a marca do grupo. Recordo-me do Campeonato Paulista de 2003, quando a Federação queira (porque queria) ver o São Paulo campeão. Com um regulamento confuso, deu interpretações todas favoráveis ao SPFC. Nós reagimos, embora internamente muitos defendessem que deveríamos ficar calados. Tive que assumir, por  um dia, a Presidência do Clube para encaminhar um recurso a um órgão da Federação que decidiria sobre a matéria. Sabíamos que perderíamos mas, a partir daí,  poderíamos recorrer à CBF e lá o jogo seria outro. Foi o que ocorreu. No julgamento, em São Paulo, todos os Clubes votaram contra o Corinthians e a favor do Tricolor. Até o Palmeiras, que se dizia inimigo dele. A reunião serviu, no entanto, para que pudéssemos recorrer ao Tribunal da CBF. Serviu, também, para que se pudesse dizer, que, naquele momento eu me lembrava que o Corinthians fora o único Clube  solidário com o Palestra,  quando queriam (quem?) tomar o  Parque Antartica. Relembrei a reunião do Conselho Corinthiano e os membros da delegação que foram até a Rua Turiassú levando nossa solidariedade. Foi um constrangimento geral.
Mas recorremos, ganhamos no Rio e principalmente vencemos no campo, para desespero do tricolor.

Nos últimos 5 anos, a política do Corinthians não foi  muito diferente, embora, para efeitos públicos, houvesse brigas para cá e para lá.
Brincadeiras de “bambi”, uma ou outra crítica, eram seguidas de telefonemas para a Direção Tricolor, conforme os própios dirigentes do SPFC vazavam para a mídia. Era a mesma politica de “duas faces”, que os cartolas tanto gostam. No entanto, com aquele episódio dos ingressos, houve um certo momento onde o atrito (que deveria ser permanente) aflorou. Pressionados pela torcida, e diante de uma decisão equivocada dos tricolores, a Direção corinthiana teve um momento de radicalização. Isso não impediu, no entanto, os permanentes elogios ao marketing e à estrutura do SPFC. Mesmo na questão do estádio, o Corinthians apoiou o SPFC para a reforma do Morumbi.  Aquela cerimônia no gramado do estádio com o Presidente Lula, a Direção do São Paulo e outros dirigentes teve como seu maior destaque  o ex-Presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Somente com a posição firme – e correta- da Fifa a questão do estádio teve outro encaminhamento.
E nisso o Presidente Lula foi o motor que mudou o quadro.

Ao se reunirem, em almoço (poderia ser um chá), os Dirigentes, especialmente do Corinthians, subscrevem uma política errada, que dá a liderança ao São Paulo.
Não há qualquer motivo para não mantermos distância de nossos adversários. Até a questão da TV não necessita mais de “união de Clubes”.
É cada um por si e a Globo do outro lado.

Nem a Diretoria passada, que adotou o esquema de “duas faces” na relação com o São Paulo, nem a Diretoria atual, que – sinceramente – não mantem nenhuma postura para confrontar-se com o Tricolor, agem de forma  correta com os interesses do Corinthians. Sou contra ficar fazendo qualquer provocação barata entre os grandes Clubes, mas sou especialmente contra criar-se esta geleia geral onde todos são irmãos e iguais. Nada disso!
É confronto e pronto.

 

Apr 23, 2012

Pane geral

 

(Michelangelo, “Capela Sistina” (detalhe)) (Reprodução)

Não gosto de ficar procurando um culpado quando o time perde.
Igualmente, não apoio a tese de ficar discutindo regulamento quando o time é eliminado. O que houve ontem no Pacaembu foi uma pane geral. Um ou outro jogador falhou em exagero, mas todos falharam. Foi a derrota de um desacerto completo. E não devemos ficar buscando um culpado aqui ou acolá.
É bola prá frente, que temos muitas competições no ano.

Este time que perdeu ontem é – basicamente – o mesmo que foi campeão brasileiro no ano passado.
E que fez a melhor campanha na primeira fase do Paulista. A principal qualidade do time atual do Corinthians é sua organização dentro do gramado. Compacto, aguerrido e difícil de ser vencido. Esta vem sendo a razão do seu sucesso que – embora muitos não gostem – devemos ao técnico. Mas, como este blog diz (e não é de hoje), faltam alguns jogadores de melhor qualidade no grupo. Uns 2 ou 3 craques dariam um salto  na produção da equipe. E isso faltou ontem, como faltará sempre em jogos difíceis. Quando a situação complica no jogo (ou quando as duas equipes são iguais) é o craque (o jogador diferenciado) que aparece para colocar “ordem na casa”. E isso falta a esta equipe. Mesmo quando ganhamos o Brasileiro do ano passado não tínhamos jogadores com estas qualidade. Nem sei se existe no futebol brasileiro.
Mas é o que precisamos.

Vamos contar com a competência – que não tem faltado – da comissão técnica para fazer uma boa preparação dos próximos jogos.
E não vamos ficar querendo cabeça de jogadores que erraram.
É este elenco que está aí – e que venceu no ano passado – que o time dispõe para a batalha.

Apr 22, 2012

O mundo gira

A devastadora crise econômica que vive a Europa terá um grande impacto no futebol. Sem saída para seus problemas, vários países importantes- na economia e no futebol- vivem uma década perdida e caminham para voltarem a ser nações do “terceiro mundo”. Nada indica que Espanha, Portugal, Itália, Inglaterra, França e outro menos cotados possam solucionar seus problemas no curto prazo. O que estamos vendo é um empobrecimento desses povos e o impacto no futebol será evidente.

O grande crescimento europeu começou logo após o fim da guerra. Diante do perigo do comunismo, os Estados Unidos e seus aliados, trataram de levantar aquela Europa  caída. Nestes últimos 50 anos, quase todos os países europeus viveram um “milagre” econômico. Itália, França, Inglaterra, Espanha, Portugal foram superando seus problemas com grande progresso econômico e social. A reconstrução da Europa veio com a implantação de um Estado Social onde os trabalhadores, a classe média  e os ricos tiveram um salto na qualidade de vida. Este novo mundo trouxe a crescimento econômico e a distribuição de renda. Todos os países europeus passaram a viver melhor. E o futebol seguiu o mesmo caminho. Mais dinheiro para os clubes, melhores jogadores, melhores estádios etc tudo numa marcha que levaria a uma vida melhor.

É este “novo mundo” construído após a segunda gerra que esta sendo destruído. Ou melhor, desconstruído. A brutal crise nos Bancos,e Seguradoras e Mercado financeiro levou a uma situação de quase falência dos Estados. E o caminho até agora percorrido para resolver os problemas foram cortes de tudo: dos gastos em saúde, educação: corte nos salários e pensões; cortes nos investimentos em estradas, empresas, trens etc. A crise européia atinge todos os lados mas quem esta perdendo mesmo são os assalariados, pensionista e a classe média. Com isso a base do Estado social construído no pós-guerra vai ao colapso. E o lazer( onde entra o futebol) é uma grande vítima.

É neste novo quadro de dificuldades por todo lado que vivera o futebol após o final da temporada 11/12. A partir do meio do ano, os grandes clubes europeus viveram a realidade de estarem num continente cada vez mais pobre. A Liga das Estrelas da Espanha perderá o brilho ,o campeonato português será ainda menos atraente do que é nos dias atuais. E a Itália, sempre importante no futebol e na dolce vita, perderá muito do seu charme.

Esta crise profunda deixa as empresas sem grana e um governo sem condições de socorro. Empresas sem dinheiro é menos recurso no futebol, na publicidade, nas contratações de craques etc. Mesmo a Inglaterra com seus oligarcas já começa a sentir o corte de dinheiro. Sem condições de contratações milionária muito coisa mudará no futebol mundial. A América do Sul que tradicionalmente “exporta” craques viverá, também, este impacto. As vendas serão menores e muitos “craques” que atuam nos clubes europeus voltaram para sua  terrinha.

É neste mundo que passaremos a viver após o fim da atual temporada. Os grandes campeonatos europeus, com craques por todo lado “o vento levou”. E o mundo, viverá uma nova fase do futebol, exatamente ao tempo, em que o Brasil organiza a Copa do Mundo.Viva .

Vampeta, Edilson e Fábio Luciano

Quem foi ao Teatro do Corinthians, no Parque São Jorge, ontem,  para a homenagem a Vampeta, Edilson e Fábio Luciano viveu uma agradabilíssima manhã. Três grandes jogadores que muito honraram a camisa alvinegra e, também, três figuraças. Vampeta e Edilson mais descontraídos e Fábio Luciano, mais tímidos, mostraram o valor do ato. Destacaram a importância do Corinthians nas vida de cada um. Além de história deliciosas os torcedores viveram a explosão de alegria que estes três trouxeram para o Timão. Viva!

Apr 21, 2012

Vampeta, Edilson e Fábio Luciano

O Corinthians presta justa homenagem a três grandes jogadores que honraram a camisa alvinegra: Vampeta, Edilson e Fábio Luciano.

Vampeta

Foi um dos grandes volantes que o Corinthians teve em toda sua história . Atuou de 1998/2.000 e 2002/2003. Jogou 248 partidas com a camisa do Timão. Era um volante refinado que marcava, carregava a bola e armava belas jogadas. Ganhou o Mundial de 2.000;os Brasileiros de 1998/1999; a Copa do Brasil de 2002; o Rio-São Paulo de 2002; e os Paulistas de 199/2003. Atuou em vários clubes mas sua grande identidade foi (é) com o Corinthians.

Edilson

Grande atacante do Timão que jogou com a camisa alvinegra de 1997/2000. Atacante talentoso teve participação inesquecível em conquistas do Timão. Aquela bola por entre as pernas do francês Karembeu tornou-se antológica.  Conquistou o Mundial de 2.000; os Brasileiros de 1998 e 1999; e o Paulista de 1999. Como Vampeta, atuou em outros clubes, mas a marca de sua carreira é o Corinthians.

Fábio Luciano

Grande zagueiro que brilhou no Timão onde atuou de 2.000 a 2003. Defensor clássico, jogava com elegância e chegou a marcar muitos gols pelo Timão. Ganhou o Mundial de 2.000; a Copa do Brasil em 2002; o Rio-São Paulo, de 2002; e os Paulista de 2001 e 2003. Foi, por inúmeras vezes, capitão da esquadra do Timão, onde atuou em 167 partidas.

Apr 20, 2012

A rosca do parafuso

 

(Georgina de Albuquerque (1885-1962)) (Reprodução)

A declaração feita aos jornalistas, no dia de ontem, sobre a Seleção, pelo  atual presidente da CBF  José Maria Marin, não deixa dúvidas.
O novo grupo no poder na entidade não está para brincadeira. “Quero ver a lista (de convocados) antes da divulgação oficial”, disse Marin.  E ponto final. Sinal mais claro de mudança, e  que o parafuso está apertando pelos lados da Seleção Brasileira de Futebol, não precisa mais ser destacado. Completou Marin: “Não vou  convocar nem escalar ninguém…  mas hierarquia é fundamental e quero ver a lista antes… não abro mão”.
Mensagem mais direta não poderia ser dada.  O técnico Mano Menezes sabe o que o presidente fala de seu trabalho e que  sua vida não será fácil na direção da seleção. O diretor de seleção Andrés Sanchez (que antes falava em autonomia de seu trabalho) já percebeu que a área está minada. A forma Marin de administrar é essa. Vai, pouco a pouco, tomando pé das coisas e criando formas de controlar.  O que fará ao receber a lista? Vai ver o horóscopo de cada jogador? Procurar algum conhecido de Santo Amaro ? No início, nada fará.
Mas, vai avançando até os incomodados pedirem pra sair.

E o Triunvirato?

A entrevista do ex-secretário da CBF, Marco Antonio Teixeira,  hoje, no blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br, responde muitas das perguntas para os que querem entender as mudanças da CBF.
Aquela fantasia (de um triunvirato na CBF) anunciada pela Folha, no dia posterior à renúncia do ex-presidente Teixeira, cai por terra. Acho que a UOL (que anda errando muito na questão do estádio do Timão) deveria colocar uma chamada – o dia todo – em seu portal. A ideia dos cartolas de deixar qualquer mudança no nosso futebol para depois da Copa está cada dia mais ameaçada. E a entrevista do tio de Teixeira mostra a complexidade dos acordos para costurar o futuro. Interessante é ver que hoje todos reconhecem o efeito devastador da entrevista do ex-presidente na Revista Piauí. O futebol vivia num mundo próprio, com uma ou outra voz em contrário.
Bastou uma jornalista – que estava fora do futebol- fazer uma matéria e o caldo entornou.

Mata-mata

Começa, neste final de semana, uma nova fase no futebol brasileiro.
Vencido o período de classificação das principais competições agora é matar ou matar. O Corinthians – que venceu bem – a etapa inicial vai – num bom momento – para as disputas mais complicadas. Vamos torcer, porque, domingo  começa a aumentar a emoção. E temos boas condições de avançar. Até hoje não sei se o melhor é fazer o jogo decisivo em casa ou fora. Nem os técnicos têm opinião comum nesta história se “é melhor a primeira partida em casa”  … “melhor a primeira partida fora”. Há exemplos positivos e negativos dos dois lados. Creio que o importante é estarmos num bom momento. E esquecer esta bobagem de que a Libertadores é diferente… blá-blá-blá.
Vamos jogar bola. E pronto.

 

Apr 19, 2012

Gols e sofrimento

 



A goleada do Corinthians ontem no Pacaembu, foi uma boa preparação para os próximos confrontos que terá o Timão.
Agora, no campeonato Paulista e na Libertadores, os jogos serão mata-mata. Ao golear o Timão frustou a mídia, que vive dizendo que o Corinthians só ganha de 1×0. Bom, primeiro é melhor vencer com o placar mínimo, do que perder ou empatar. Mas, ontem, quem estava no Pacaembu vendo o jogo e ouvindo rádio, como eu, teve uma noite para lá de agradável.  Além de belos gols,  a boa notícia foi que alguns jogadores – que vinham jogando abaixo do esperado – estão entrando em forma. E isto é muito importante para o Timão nas próximas partidas. No rádio a ladainha é a de sempre: “a Libertadores é uma disputa diferente” (tá bom, não é, mas, e daí?); “só quem joga a Libertadores pode entender este clima” (bom, como todos já jogaram, todos entenderam); “Libertadores é para jogador catimbeiro” (eu pensava que era para bom jogador); e daí pra frente. E a frustração midiática pela goleada? Quase chorei… de rir.
Agora é tocar pra frente que os jogos vão ser cada vez melhores.

Vampeta, Edilson e Fábio Luciano

O Corinthians faz bem em homenagear seus ídolos.
Jogadores que marcaram sua história com a camisa alvinegra e merecem ser sempre lembrados. Neste próximo sábado (dia 21), às 11 hs no Parque São Jorge entrarão para a Calçada da Fama os craques Vampetas, Edilson e Fábio Luciano. Os três devem ser ter o aplauso eterno do Timão. Deixaram um enorme legado de dedicação e brilho com a camisa do Corinthians. Creio, também,  que o Clube não deve se esquecer dos jogadores da geração de 1950 – que tantas glórias trouxeram para os alvinegros – e não podem ser esquecidos.

FoxRio

O canal de esportes Fox, que começa a funcionar no Brasil, poderia ser um passo à frente na mídia do futebol.
Mas não é. Não sei o que esse pessoal tem na cabeça, mas chega a lembrar a década de 1950/60 , quando o rádio vivia de brigas bairristas entre São Paulo e Rio. As transmissões da Fox relembram o pior daquele período. Parecem um bate papo em Madureira ou na Pavuna. Falam como se o Brasil todo vibrasse com um craque do Flamengo dos anos 50, que nunca foram craques, exceto nas mesas de bar do Andaraí. Nem falo do sotaque chiado, com uma explosão de ssss por todo lado. Tudo bem. Se a Fox quer ser uma nova emissora carioca – transmitindo do Rio para o mundo – não há problemas.
Mas não sei se este é o melhor caminho para alguém chegar no Brasil.

A novela Oscar

Continua a lendária questão do jogador Oscar, SPFC, Inter e Guiliano Bertolucci.
Ontem o Blog do Birner (www.blogdobirner.net) realizou quase uma transmissão em tempo real das decisões jurídicas que moldam o caso. Consultores são ouvidos, juízes são citados, desembargadores lembrados, tudo para dar um ar mais técnico ao problema. Como já disse, nesta confusão não há anjos. Mas creio que este jogador esteja pagando o maior mico processual da história do futebol. Com o Tricolor fora da Libertadores – que eles promovem tanto – o grande acontecimento do clube “Mais Querido… da mídia”  que sobrou  foi este processo contra Oscar.
Aguardemos os próximos lances.

UOL na muda

Hoje, 19/4, pela manhã, dei uma olhada no Portal UOL , da Folha e não vi nenhuma notícia nova sobre o estádio do Corinthians. Será que ocorreu alguma coisa?
Já fiquei preocupado.

Apr 18, 2012

Mudanças: sim ou não

 

(Juan Miró)(Reprodução)

Para a  maioria dos Dirigentes de Clubes e Federações não devemos discutir qualquer mudança no futebol brasileiro: tudo ficaria para depois da Copa de 2014.
A renúncia, e mudança para Miami, do ex-presidente Ricardo Teixeira desorientou  todo mundo. Liga, novo Clube dos Trezes, projetos A, B, C foram todos para o arquivo. Dirigentes que eram inimigos (na maioria das vezes só para efeito público) voltam a sorrir e a se abraçar. É hora de curar as feridas, pois a renúncia atingiu todo mundo. Fica apenas a esperança de  que as coisas continuem no mesmo lugar, sem grandes solavancos.

Mas já aparecem dois fatos que podem antecipar as mudanças no futebol brasileiro, desrespeitando a trégua até o final da Copa .

O primeiro fator preocupador é o governo com sua ideia de editar  uma nova legislação para o esporte. É uma mudança que atingiria em cheio o “poder” nos Clubes, Federações e Confederações. A declaração do Ministro Aldo Rebelo, ontem no Estadão, provocou urticária em muitos Dirigentes. Uma nova legislação pode democratizar os Clubes e Federações e trazer uma dose grande de transparência na gestão esportiva.  Os dirigentes pouco podem fazer , além de figa. Se o Governo for em frente será um transtorno – e grande- para a cartolagem.

O segundo ponto que preocupa é esta disputa por um vice na CBF. O que parecia pacífico, sem problemas, pode tornar-se numa sinalização do novo poder no futebol. Embora todos digam que as decisões ficam para o pós- Copa, as pedras no tabuleiro estão sendo colocadas agora. E haverá reações. Quais e de onde nós veremos mais claramente nas próximas semanas.
Mas a consolidação do poder “Marin” nesta gestão pode ser, também, uma reeleição fácil de seu grupo em 2014.

Fritando

As declarações do presidente Marin – no início discretas, agora quase públicas -,  sobre o técnico da Seleção, Mano Menezes, são constrangedoras.
O novo presidente da CBF não esconde – de ninguém – que não gosta de Mano. Por enquanto o técnico está “fingindo-se de morto”, mas, se vierem maus resultados e a campanha continuar, não terá como não falar. Neste caso, o presidente Marin não se mostra nada discreto e cordial.
É crítica o tempo todo.

Caso Oscar

Quem acha que teremos emoções somente no “Caso Cachoeira” é porque não está acompanhando a confusão Oscar-SPFC-Inter-Bertolucci.
Já apareceu de tudo: gravações, traições, contratos frios, comissões, participações, decisões judiciais  e tudo mais. Não perco nenhum lance, acompanhando a mídia, inclusive o www.blogdobrirner.net. Este vive um momento raro: parece o Consultor Jurídico, com decisões, sentenças, opiniões de juristas etc.
E vêm mais emoções por aí.

O UOL fraquinho

Hoje pela manhã fui dar uma olhada no UOL para ver a notícia do dia sobre as “dificuldades” do estádio do Corinthians.
A matéria do dia está fraquinha: “Para MP, lista de obras sociais do Corinthians não preenche padrão de acordo judicial”. Fraca, não? Estava esperando que anunciasse que o foguete da Coreia do Norte, lançado recentemente, estava se dirigindo para Itaquera e o choque destruidor estava por ocorrer. Bom, menos mau.
Vamos aguardar a matéria de amanhã.

Publicidade na camisa

Nos últimos meses foram publicados notas e notas sobre o novo patrocinador da camisa do Timão.
Há um mês o assunto esquentou e a mídia – praticamente toda – garantia um contrato do Clube com uma montadora coreana. Números, prazos e estratégia de marketing, tudo foi anunciado em jornais, rádios, TVs e blogs. Passados alguns dias o assunto desapareceu. Hoje ninguém fala mais nada. É possível que a atitude certa seja a dos dias atuais. Bico calado até terminar a negociação. Aquela divulgação prévia – de que tanto o marketing gosta – não ajudou em nada ao Clube.
Só as empresas ganham com as divulgações antecipadas.

 

Apr 17, 2012

O Estado pode mudar o futebol

 

(Djanira da Motta e Silva) (Reprodução)

Durante décadas, os clubes de futebol, as Federações e os Dirigentes alimentaram a balela de  que a Constituição garantia a eles “autonomia” e poderiam fazer o que quisessem.
Sem qualquer controle do Estado. Era, segundo os Dirigentes, um mundo auto-regulado, sem interferências de ninguém. Diziam-se “entidade privadas”, imunes a qualquer controle ou regulamentação. Uma parte significativa da mídia entrou nesta lorota, que era um dogma do futebol. Com esta  “interpretação criativa” da cartolagem chegou-se  a dizer que não poderia haver CPI sobre o Futebol, pois a autonomia seria atingida.  
Puro equívoco.

No último dia 23 de fevereiro, o Supremo Trinal Federal, enterrou – de uma vez – este conjunto de ideias malucas dos Dirigentes. Ao julgar a constitucionalidade do Estatuto do torcedor, o STF disse que o Estado pode legislar sobre Futebol e tudo mais. Não poderia ser diferente. Aquela autonomia das entidades, de que fala a Constituição de 1988, é mero instrumento ou meio para a concretização do esporte, definido como direito do cidadão. A ideia de que a regulamentação do Poder Público é uma “interferência estatal no funcionamento das associações desportivas” caiu por terra.
E mais , o Estado pode e deve regulamentá-las.

Hoje, em longa entrevista no Estadão, o Ministro Aldo Rebelo diz que o que mais incomoda o Governo é a ” perpetuação de cartolas no comando das entidades”.
Períodos de “10, 15, 20 anos de uma pessoa na mesma cadeira são considerados um abuso”. Entre outros pontos, este fará parte de um conjunto de normas e diretrizes que regulamentará a Gestão de Clubes, Federações e Confederações. Viva! O Governo, finalmente, entendeu que pode mudar o Futebol. E, após a decisão do STF, caiu por terra qualquer pretensão “independentista” do esporte. Será uma grande revolução se o Governo inovar e estabelecer normas para o estatuto das entidades desportivas.

O fim da reeleição de Dirigentes deve ser um objetivo claro. Sugiro que seja adotado o modelo do Corinthians: os dirigentes têm um mandato de 3 anos, sem reeleição, somente podendo recandidatar-se após 2 gestões. Isto deveria valer para Clubes,  Federações e Confederações. E também deveria estabelecer novas normas de transparência e controle destas entidades. Seria uma revolução e tanto no Esporte brasileiro.

Devemos lembrar que os problemas no Futebol são de menor grau quando comparados aos de  outras modalidades. No Futebol, o torcedor e a opinião pública estimulam mudanças, especialmente em clubes grandes. Em outros esportes olímpicos o quadro é desolador. Veja-se o COB, onde há mais de décadas e décadas segue o domínio do Sr. Nuzman. Nas Federações não é diferente.

O Ministro Aldo Rebelo poderá fazer uma revolução.
E será um marco no Futebol. O Estado pode mudar o Futebol. Só é preciso querer. Nas últimas décadas, os Ministros da área queriam ser paparicados pelos cartolas. E isso os Dirigentes esportivos  sabem fazer muito bem. É trocar festas e elogios por uma revolução. Vamos torcer para que o Ministro faça a sua.
O Futebol agradecerá.

Apr 16, 2012

Agora é pra valer.



Quem gosta e quem não do gosta do Campeonato Paulista (Paulistinha ou Paulistão) sabe que esta primeira fase é longa e pouco atraente.
Agora, com a fase final, o campeonato ganha uma outra ordem. O Corinthians venceu a primeira fase, o que chega a ser uma surpresa. Disputa a Libertadores, viaja muito e, em vários jogos, colocou a equipe “B” para atuar. Como fez ontem, quando venceu a Ponte em Campinas. Mas os outros vacilaram (ou não estão jogando grande coisa) e o Corinthians ganhou sem jogar tudo o que pode  jogar. Vamos esperar esta segunda fase para vermos os melhores jogos. Será? O importante para o Timão foi testar alguns jogadores da base que poderão ser aproveitados nos próximos jogos e temporada.
E ficou claro que alguns reservas, mesmo com nome, não estão em boas condições físicas para atuar o jogo todo.

Briga feia

Nesta briga sem quartel entre o jogador Oscar, o São Paulo Futebol Clube, o Inter e o empresário Giuliano Bertolucci,  as surpresas são diárias.
Agora o Clube paulista, alertado por uma entrevista dada para um certo jornalista, vai usar as palavras do atleta para fazer prova contra o Inter. Pelo que vi no Blog do Perrone a entrevista nunca teria sido colocada no ar. Ôpa! Que radialista bonzinho este que dá ao SPFC uma declaração que os ouvintes nunca ouviram.
Vale tudo. Até o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, que nunca teve o problema de escancarar as categorias de base do Clube às parcerias com empresas, agentes, empresários etc, segundo o Painel FC da Folha, mudou de ideia e entrou na cruzada do Presidente do Tricolor, Juvenal Juvêncio. Agora defende a necessidade de “mais medidas de proteção aos clubes”. Como ele anda lá pela CBF, é  só  pedir pro presidente Marin fazer como a Fifa: proibir qualquer contrato de jogador que não seja só com o Clube. E mandar as agremiações ignorarem estes acordos de empresas e empresários que atletas e clubes tanto vivem fazendo.

O UOL e a guerra do estádio

Nesta segunda-feira, pela manhã,  o portal UOL publica mais uma manchete sobre o estádio do Corinthians em Itaquera.
E, no padrão escândalo, diz que o Clube pode perder o terreno se não…
Li as duas primeiras linhas e mudei de matéria. Vamos aguardar a próxima.

Apr 15, 2012

Uma confusão salutar

A briga entre o jogador Oscar, o São Paulo Futebol Clube, o Inter de Porto Alegre e o empresário Giuliano Bertolucci está cada dia mais quente. Como já disse por aqui, não há anjos neste terreiro. O jogador com a bandeira da liberdade quer jogar no lixo o contrato com o clube paulista. O SPFC , que não é nenhum exemplo de santidade nestas questões, agarra-se ao contrato  com o atleta, desconsiderando qualquer pressão quando o jogador era menor de idade. O Internacional – sempre queixoso com o mundo- é usado pelo empresário que é o ” dono do jogador” e pouco aparece nas matérias. O empresário, que nos últimos anos vem tendo forte influências em grandes clubes (inclusive SPFC e Inter), não fala nada e não ouve nada.

O interessante é que a mídia, pela primeira vez, está dividida. Normalmente o jogador é retratado como vítima ( quase um pobre coitado), explorado pelo clube. Neste caso, como o SPFC esta na briga, esta marca está mais leve. Agora também falam da defesa do pactuado entre o jogador e clube. Mas, como regra, os clubes ( SPFC e Inter) bem como quase toda a mídia esquecem o empresário, o real dono do jogador. Não há uma crítica de dirigentes do futebol ao agente que organizou toda a manobra. Na mídia, um ou outro, falam alguma  coisa, como faz  o Juca. Para a maioria não existe esta questão. Dos clubes não ouvi um dirigente levantando sua voz contra este negócio, que já esta tornando-se comum no nosso futebol.

O Brasil está criando um quadro novo no futebol mundial. Este contratos  de jogadores divididos entre clubes, empresário, agentes etc , que retiram o monopólio dos clubes  em contratar com jogadores. Um número significativo de atletas, nos dias atuais, “pertence” a empresas, empresários, agentes etc. Tudo à margem da lei. A única garantia destes acordos é a palavra dos dirigentes. Este contratos paralelos entre jogadores e empresários nunca foram contestado na Justiça. Se forem, correm o sério risco sério, de serem ” chumbados”, como dizem os portugueses. A Fifa não aceita. Sómente ” a palavra ” dos dirigentes dos clubes mantém estes contratos.

Mas este “mercado paralelo” que  está no centro desta polêmica, SPFC/Inter/ Oscar/ empresário,  não aparece na briga. Ninguém quer tocar fogo no prédio e acabar com o negócio. Até porque, todos, ainda que informalmente, defendem esta prática.

Esta mais do que na hora da CBF regular esta matéria . A Fifa , em muitas decisões , já disse de forma clara : só vale o contrato do  jogador e clube. Os paralelos entre jogador e empresário (e também clubes) não vale. Seria uma medida revolucionaria da nova direção do futebol brasileiros. Vamos torcer. Mas não acredito .