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Feb 23, 2016

A CBF não vai reformar nada

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou um Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro. Com 17 membros, alguns são dirigentes da própria atual CBF, outros de federações. Há também alguns ex-jogadores e advogados da área.

A grave crise que vive nosso futebol, escancarada na última Copa, deveria ser motivo para uma mudança profunda.

Mesmo com alguns (poucos) bem intencionados, o problema é que a CBF faz tudo para manter as coisas como estão. Por lá uma ou outra ideia inovadora poderá aparecer, mas desde que, na essência, nada mude.

É a ideia de gattopardismo puro. Mudar, para continuar tudo igual.

A CBF nunca foi uma instituição modernizadora no futebol.

Nos últimos 60 anos, apenas em duas oportunidades a Confederação contribuiu para medidas renovadoras em nossa futebol.

Um deles foi em 1958, quando terceirizou para um grupo de São Paulo (dirigido por Paulo Machado de Carvalho) a organização a preparação para a Copa. Uma Comissão técnica foi feita e planejou de forma adequada a seleção de 1958. Organizou, trabalhou e venceu sendo o esquema repetido em 1962 e abandonado em 1966.

O outro momento renovador foi quando da implantação dos pontos corridos no Campeonato Nacional. Seja lá qual interesse tenha movido a instituição, a verdade é que a nova forma de disputa foi implantada e serve bem ao nosso futebol.

Hoje, a luta da CBF é sobreviver como está ou com algumas pequenas mudanças. Veja a questão das federações estaduais. São um peso para os clubes e não são nem reconhecidas pela Fifa. Mas são importantes no esquema eleitoral atual. Deveriam parar de “morder” a renda dos clubes e tornarem-se mero escritórios da CBF, sem qualquer direito a voto.

O caso do Corinthians é emblemático. Construiu uma bela Arena para abrir a Copa do Mundo e, em todos os jogos, toma uma mordida (5 ou 7%) do total da renda. A Federação (que não deu um saco de cimento para a obra) recolhe, na maior tranquilidade, uma bolada em cada partida.

Teria a CBF coragem para mudar isso? Não. As federações estaduais são fundamentais para manter o estado de atraso no futebol.

Qualquer boa mudança no futebol só vem por dois caminhos: ou pelo governo ou pelos clubes.

Nos clubes, mesmo com todos os problemas que encontramos, há espaço para a busca de novas formas de organização e atuação. Modernizam seus estatutos, criam formas de ação e têm sempre uma boa parcela dos sócios que atuam fiscalizando as direções. É o que vem ocorrendo nas últimas décadas. Por exigência do profissionalismo, muitos clubes avançaram na modernização.

O governo, quando bem intencionado e bem orientado, decreta leis que modernizam nosso futebol. É o que vem ocorrendo nas últimas décadas.

Esperemos que o governo, em algum momento, estabeleça que somente os clubes votem para eleger a CBF, como ocorre em todo o mundo.

Certamente medidas como essa não virá de uma Comissão da CBF.

De lá só virão mudanças que… não mudam.

Feb 16, 2016

A Arena Corinthians faz a diferença

A Arena Corinthians é um marco para a renovação do futebol paulista e brasileiro.

Quem acompanha nossos artigos por aqui sabe que sempre defendemos a construção da Arena para abrir a Copa do Mundo, modernizar nosso futebol e permitir um salto do Corinthians.

Como sou oposição ao atual grupo dirigente do clube, muitos criticaram a defesa que fiz da construção do estádio. Mesmo a direção do Corinthians não defendia que o estádio estivesse na preparação da Copa. Quando da solenidade que anunciou o Morumbi como estádio escolhido para a abertura da Copa, lá estava a diretoria do Corinthians para aplaudir -entre políticos e tricolores- a opção são-paulina. Foi um grave erro. Felizmente foi corrigido à tempo.

A situação era clara: a cidade de São Paulo tinha que abrir a Copa e precisava de um estádio.

O SPFC apostava tudo em colocar o Morumbi na jogada. Mas havia um problema sério: o estádio tricolor precisava de uma reforma profunda, quase uma nova construção. Mas o tricolor não acreditava nisso. Dizia que o estádio era maravilhoso e que bastavam algumas pequenas mudanças e a abertura da Copa seria por lá. Foi um grande equívoco. Teriam que derrubar e construir um estádio novo se entrassem no projeto Copa.

Com o Morumbi vetado, o problema reapareceu: a cidade de São Paulo não poderia ficar fora da Copa.

O Corinthians tinha vários (e bons) projetos de construção de estádio, mas apenas o de Itaquera entrava na Copa. E isso era fundamental.

Quando o Luis Paulo Rosenberg apresentou o projeto em reunião do Cori, fiquei empolgado. Era moderno e diferente de todos os outros que estavam sendo construídos para o evento da Fifa.

Fez bem a direção corinthiana de entrar com todo o esforço para abrir a Copa.

Nunca me aprofundei na tal “engenharia financeira” que viabilizaria o estádio. Era -com pequenas mudanças- o mesmo suporte que estavam recebendo outros estádios da Copa (BNDES, vantagens fiscais etc). Tudo claro e igual a todos os outros.

Sempre apareceram “denúncias” do estádio que diziam: “é da Odebrechet”; ” é de um fundo”; ” é da prefeitura”; “não vão pagar”; “o Ministério Público disse isso ou aquilo”. Tudo isso passava à margem da construção do estádio.

O importante era construir essa bela e moderna Arena que abriria a Copa e daria uma posição de liderança ao Corinthians.

É o que está ocorrendo. Cada vez que vou ao estádio e vejo nossos torcedores assistindo ao jogo a poucos metros das jogadas e percebo o desespero dos adversários, sinto que o clube acertou.

A única ressalva é que o nosso estádio não pode virar um “Pacaembuzão”: estádio agradável para ver jogo (como é o Municipal), mas com uma confusão de penetras, cambistas e desorganização generalizada.

Nossa Arena é moderna e deve continuar marcando a mudança do nosso futebol.

O Corinthians e os corinthianos agradecem.

Feb 15, 2016

Mais uma vitória na Arena

 

As vitórias do Corinthians frente ao SPFC estão ficando cada vez mais rotineiras que chego a esquecer de registrar neste blog.

Ontem, mais uma vez, o Timão bateu os tricolores com um time misto. Misto?  Não sei.

Só sabemos que nos últimos anos, com qualquer tipo de escalação, o Corinthians atropela ao SPFC.

O pavor que os tricolores tem, tradicionalmente, de jogar contra o Timão é acrescido, agora, com a Arena do alvinegro.

A Arena, repleta e com a torcida gritando desestrutura a equipe rival.

Foi o que vimos ontem e temos visto nos últimos jogos.

Feb 9, 2016

Base: 100% ou caos

Nas últimas semanas, com a saída dos jogadores da Base do Corinthians, ganhou intensidade as críticas sobre o modelo de gestão adotado pelo clube.

Como sabemos, nos últimos anos, os jogadores da Base do Corinthians tiveram seu contratos transferidos a “empresários”, “agentes” etc, numa política denominada como “parcerias”.

No início o clube alegava que precisava de dinheiro e que os “empresários” adiantavam em troca de receberem jogadores da base. Embora esses negócios de “parcerias” tenha pontos obscuros, a verdade (clara como o dia) é que o clube foi perdendo mais e mais jogadores.

A Base, que tinha por objetivo relevar jogadores para o clube passou a ser um celeiro dos empresários. Quase todos os jogadores que vinham das categorias menores eram de empresários. Nos negócios o clube quase nada recebia.

Nos últimos dias foram intensas as críticas, especialmente pela Internet. Torcedores revoltados com esta política do Timão clamam por mudanças de gestão.

Aí é que reside o problema. A diretoria defende essas parcerias e, vez por outra, procura justificar a saída de um ou outro jogador. Protegidos pelo silêncio da mídia, esta área do clube só aparece quando o caso é mais escandaloso.

A Diretoria defende este tipo de parceria. Foi o atual grupo gestor que a implantou -em longa escala no futebol principal- e esparramou o método nas categorias de Base.

Por maior que seja a revolta dos torcedores não organizados (as torcidas organizadas, como vemos, ficam em silêncio total), será difícil uma mudança radical nesta área.

E é um grande erro. Como reiteradamente dissemos esta política deveria mudar e o clube deveria ter 100% dos direitos sobre os jogadores da Base. Ou então continuar a revelar para os “empresários”.

Na “revolta” dos últimos dias, tivemos manifestações de torcedores que pensam seriamente no Corinthians e desejam a mudança deste quadro. Alguns defendem mudanças há anos.

Mas tivemos, também, torcedores sócios que apoiaram a diretoria nos últimos pleitos. Foram, talvez, os mais duros nas cobranças.  Alguns não tiveram tempo de apagar seu suas postagens com aplausos frenéticos a atual gestão. Muitos desses, inclusive, passaram a acusar a oposição de não fazer “nada” para barrar isso.

Deixemos claro. A oposição apresentou, nas últimas eleições, posição clara sobre o assunto: 100% da Base deve ser do Corinthians. Sem medo ou omissão, a oposição continuará a dizer o que pensa.

E não entrará no papo desses de revoltas episódicas.

Veja aqui um dos vídeos que gravamos para tratar desse assunto durante as eleições. Há também diversas entrevistas à emissoras de rádio e TV sobre o assunto.

Feb 2, 2016

O NR e a crise econômica

Em quase todas as semanas (algumas vezes todos os dias), a mídia anuncia que o Corinthians está “às portas” para assinar um contrato com alguma companhia para vender o NR (naming rights) da Arena.

Tantas e tantas empresas já foram anunciadas como parceiras do Corinthians neste tormentoso contrato que já perdi a conta do número.

Uma companhia aérea árabe ganhou publicidade grátis com tantas as vezes que foi citada como o possível nome da Arena.

E a mídia gosta deste assunto. Alguns dirigentes também. Diziam: “estamos 99% fechados com uma grande empresa”.

Outro caso foi de uma montadora que ganhou publicidade como a “próxima” parceira do Timão. Recordo que ligou-me um conselheiro dizendo que um primo (vendedor de automóvel numa concessionária) havia garantido que era “para já” a assinatura com o Corinthians.

E sempre que “aparece” o iminente contrato, a mídia -especialmente na Web- gasta todo tempo disponível discutindo o NR da Arena.

No fim do último mês de novembro, me ligou uma jornalista -de razoável prestígio- dizendo que tudo estava “fechado” e que em dezembro (dia 16) o Corinthians faria uma grande festa para anunciar o contrato.

Perguntou-me se eu sabia qual era a empresa. Naturalmente, eu disse que não tinha nenhuma informação sobre a questão. E acrescentei que não havia qualquer contrato “fechado” para ser anunciado naquela oportunidade. Por pura intuição, disse que era impossível no Corinthians uma notícia dessa ficar mais de 20 minutos em segredo.

O tempo passou e a grande notícia ficou por isso mesmo. E nada mais.

Agora aparece uma complicada operação do NR que, nem com auxílio de dois economistas, consegui entender.

Mas por que tanta dificuldade em um contrato como esse?

Simples. O Brasil vive uma brutal crise econômica e as empresas estão -todas- com o breque de mão puxado, cortando toda sorte de investimento.

O melhor período para um contrato de NR foi aquele que antecedeu a Copa do Mundo. A Arena Corinthians seria importante no evento e -principalmente- a crise econômica não tinha aparecido.

Vivemos hoje a mais dura crise no país nos últimos 50 anos. É dura, profunda,violenta e chegou com rapidíssima intensidade. As empresas estão tomando todo cuidado em seus negócios. O contrato de NR é de longo prazo e exige muitas garantias.

É claro que seria melhor se a diretoria tivesse assinado o nome do estádio. Este dinheiro foi previsto para abater a dívida da construção. Sem ele, o estádio precisa de outras fontes de recursos.

Será importante um contrato de NR, mas quem definirá este jogo é o mercado, que agora vive um péssimo momento.

O melhor para todos (torcedores, diretores e mídia) seria não lançar nomes por aí.

Quando chegar a hora, o clube fará o contrato. E esperamos que seja o quanto antes.

 

Feb 1, 2016

Vitória contra o XV

Não foi um grande jogo, mas começar o campeonato vencendo o XV de Piracicaba não é nada ruim. Principalmente porque a equipe está renovada com a saída de mais da metade do time campeão do ano passado.

Agora é ter calma e torcer para que Tite faça o mesmo que sempre faz. Com elenco limitado organiza a equipe e disputa o título.

É o que todos esperamos.