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Dec 30, 2014
admin

Entrevista na Rádio Bandeirantes

Você pode ouvir aqui a entrevista completa que demos ao programa Esporte em Debate. Abaixo temos a transcrição de alguns momentos.

Tite

O Tite é daqueles técnicos que o dia em que não estiver no Corinthians vai ter dificuldade, porque ele entrou tanto no sangue e na alma do Corinthians que é daquelas coisas que ficam difíceis depois de se livrar, como um pouco (aconteceu) com o Brandão… e alguns técnicos que acabam ganhando um pouco isso. É a força do clube, que é grande.

Oposição

Há um processo no Corinthians que é importante destacar. A eleição deste ano não repete a eleição anterior, que o Mario Gobbi se elegeu. Ela não repete. Naquela eleição nós tínhamos o Andres que era um presidente que deixava o posto, que tinha vivido um momento intenso no Corinthians (estádio, a questão do Ronaldo…) e o Andres apresentava o Mario Gobbi, que é uma pessoa que tinha pouca referência no Corinthians, especialmente de cargo, não havia ocupado cargo nenhum.

Então o presidente Gobbi era mais ou menos a continuidade tranquila do Andres.

Houve a eleição, nós tivemos 40%, o candidato da situação teve 60%, o clube tinha sido campeão 30 dias antes, campeão brasileiro, foi uma votação muito significativa da oposição, mesmo naquele quadro adverso para a oposição, digamos assim.

Este ano a eleição se dá de uma maneira totalmente diferente. Primeiro porque ninguém diz que vai continuar a obra do Mario Gobbi, que é uma coisa estranha. Mesmo o candidato que é mais situacionista, que eu diria que é o Roberto, porque também tem alguns que são pouco oposicionistas… mas digamos o seguinte, mesmo ele não faz a mesma campanha que fez o Andres com o Mario. Ele a indicação dizendo assim: “esse aqui vai continuar a tranquilidade da gestão Mario Gobbi…”, ele não é esse daí. Pelo contrário! Nos últimos doze meses, eu até diria nos últimos dois anos, houve uma acirrada briga na situação, que ninguém pode negar. Tanto uma ala como outra se atacaram mutuamente, embora algumas vezes de maneira silenciosa, outras vezes nem tão silenciosa, mas se atacaram, a tal ponto que se distanciaram.

Então, aquele quadro eleitoral da eleição passada não se repete.
Não é uma situação unida para dar continuidade, por mais que eles falem: “esse aqui é o candidato da Renovação e Transparência”, por mais que falem isso, o quadro não é (esse), pelo que houve nesses últimos tempos e pelo que há agora. Em tudo há divergência. Anunciam que vão contratar jogador e falam: “não, eu não quero!”. Há poucos dias houve um caso do goleiro (Danilo, da Chapecoense) que o presidente dizia não, ou pelo menos se diz que havia sido contratado.

Então, com essa mudança na situação, a oposição também foi atingida, não há outra explicação.

Apoio de Luis Paulo Rosenberg

Eu digo, por exemplo: a minha campanha hoje tem uma participação expressiva de pessoas que votaram no Mario Gobbi e que estiveram em algum momento na gestão. Eu cito um exemplo – posso citar vários – que é claro, o Luis Paulo Rosenberg. O Luis Paulo foi não só vice-presidente do Mario Gobbi nesta eleição, como foi, seguramente depois do Andres, a pessoa mais significativa daquele grupo que administrou o Corinthians nas duas últimas gestões. Ele esteve envolvido em todos os grandes projetos do Corinthians, você vai ver que ele esteve envolvido.

E ele está não só me apoiando, como apoiando com mais dedicação do que se imaginava.

Estou citando o Luis Paulo Rosenberg, mas poderia citar uma série de casos.
O Luis Paulo, ele fez aquela carta (de apoio), ele me comunicou que estava fazendo aquela carta, eu não participei da elaboração, foi ele que fez.
Aliás, aquela carta, eu quero dizer que fora os elogios pessoais que ele me faz, que eu agradeço muito, ela é muito positiva porque ele conta a história um pouco dele, um pouco minha, não omite que nós, em vários momentos estivemos em posições divergentes – não tem mal nenhum nisso daí – não omite o papel que eu tive quando fui oposição, inclusive naquela famosa discussão nossa do estádio, e que eu achava muito importante fazer o estádio para a Copa do Mundo, diferente de alguns da situação e da oposição.
Então a carta eu recebi com grande satisfação, porque a carta não é todo dia que um candidato recebe dum vice-presidente importante como ele.

Outros apoios importantes

O Raul (Corrêa da Silva) tem conversado, ele não tem decidido ainda, temos conversado, tenho boa relação com ele, mas eu posso citar alguns nomes, não vou citar todos porque o clube está num processo de discussão.
O Valdemar Pires, ex-presidente, a Marlene Matheus, ex-presidente do clube, o Eduardo Rocha Azevedo e tantos outros tem me apoiado.

Crise financeira

Este quadro é um quadro político diferente. Como você define as candidaturas para as eleições? Então nós procuramos definir um conjunto de propostas que acabou atraindo um grupo de pessoas. E o que é esse conjunto de propostas? São algumas questões que nós entendemos que o clube precisa corrigir.

Nós vivemos hoje uma difícil situação financeira. Eu diria complicação financeira, que advém dum ponto: o departamento de futebol gastou demais. Gastou acima das possibilidades. Então nós vamos ter que encontrar um equilíbrio. Este é um problema que terá que ser enfrentado. O Corinthians precisa gastar menos e ser competitivo, que é uma equação difícil de fazer no futebol, mas nós precisamos.

Os nossos problemas não são só porque o departamento de futebol perdeu a mão, eles existem também porque houve uma mudança de expectativa no período pós-Copa. Se nós pegarmos o futebol brasileiro até a Copa do Mundo, estava numa linha ascendente de receitas. Todas as vezes eram contratos melhores, de tudo quanto é área era melhor. Infelizmente, por várias razões, uma que passou a Copa, e não fomos muito felizes na Copa, também o fato da economia do país não estar lá muito boa… a verdade é que muitas empresas puxaram o freio de mão. O resultado disso é simples de constatar: boa parte dos clubes brasileiros terminaram o campeonato sem publicidade na camisa, o que indica uma queda de receita, então nós vamos ter que enfrentar esse ponto.

Categorias de base

O Corinthians tem um problema particular: a categoria de base do Corinthians foi destruída!

Essa política de parcerias com empresários – com todos, eu não gosto de citar o nome de um ou outro – acabou se mostrando um desastre. Porque o clube nem revela jogador, e quando revela não ganha dinheiro.
Esse Sub-20 (que ganhou o Brasileiro) foi formado aos poucos, nos últimos seis meses, e boa parte dos jogadores não são do Corinthians.

O clube gasta bem na categoria de base. É um custo grande a categoria de base. Ela tem dois objetivos: o primeiro é revelar jogador, o segundo é ganhar dinheiro, vamos esclarecer bem isso daí. Muito bem, se nós não estamos revelando, nem ganhando dinheiro, alguma coisa precisamos parar e pensar.

Eu acho que se for para ter categoria de base – eu acho que é importante ter, podendo até ser menor do que a atual, que tem muitos jogadores, uma lista enorme de jogadores – o menino que entrar lá precisamos dizer: “você vai ser 100% do Corinthians”. Se o sujeito chegar lá e dizer: “não, não dá. Porque tem um empresário aqui que deu uma casa pra mãe”, começa sempre com casa pra mãe a conversa, “ele quer 40%…”. Então tudo bem, vai procurar outro clube. Porque é melhor ficar livre já e os que ficarem lá serão jogadores 100% do Corinthians.

Não tem problema, não sou contra os agentes que vão lá negociar o contrato e discutir o valor do salário, o tempo, as condições do contrato, tudo bem… o que nós não posemos fazer é dividir o nosso negócio. Nós estamos dividindo o nosso negócio, que pelas normas da FIFA isso aí tem que acabar o ano que vem, é o que eles prometem, embora os empresários brasileiros já estejam criando um sistema aí que fura o que a FIFA está querendo. Mas a verdade é que para o Corinthians vale o seguinte: o jogador que chegar é 100% nosso. Se não for 100% não adianta. Vamos revelar um jogador aí, a torcida fica se iludindo…

Os investidores deveriam ser como na Europa, na Inglaterra, na Itália, que eles comprassem um clube e pegasse esses jogadores e colocasse no clube deles, aí eles iriam ver a dificuldade que é. Olha só, o Corinthians fica quatro cinco anos, você citou um jogador (Malcom), pagando salário de jogador, contratando técnico, com fisioterapia, médico, gente ensinando a cruzar, a matar a bola, a chutar com pé esquerdo e direito, bater escanteio, olheiros… você fica gastando com tudo isso. Quem banca tudo isso é o clube. Nenhum desses empresários vão lá e falam o seguinte: “Eu tenho 60% desse jogador, então o que vocês gastaram nesses quatro anos que 60% eu pago”. Não tem isso. Se tivesse uma equação dessa daí, até poderia ser razoável, descontando o que nós gastamos com ele (jogador), mas eles querem que o Corinthians pague, o treinador, o massagista, o roupeiro… porque essas categorias de base tem a mesma coisa do profissional, o uniforme, e no caso do Corinthians o preparador físico, médico, quando ficam com problema, o tratamento, então o clube banca tudo isso, porque é o clube que banca, e chega no fim, quando vai pra grande vitrine, que é o time principal, o clube pouco ganha, não ganha nada, e aquilo que foi gasto… porque, veja, formar jogador na categoria de base é difícil e caro, vamos esclarecer. Porque todo mundo fala: “o futebol brasileiro tem que investir nas categorias de base”, e de cada cem que você pega, se revelar dois ou três (garotos) que se tornem bons jogadores… porque a categoria de base não precisa revelar todo dia um Rivellino, não dá para sair todo dia um Rivellino, mas a verdade é que você revela um Rivellino e dez jogadores médios e até alguns fracos, mas, veja, mesmo os jogadores médios cumprem um papel para o time.

O time não precisa comprar um terceiro goleiro, ele pega o melhor goleiro da categoria de base e bota lá.

Se vocês pegarem aquelas fotografias de títulos que nós temos lá… veja, 2005 que foi o time campeão brasileiro, que estava o Tevez, tinha um grupo enorme de jogadores revelados pelo Corinthians. Nenhum virou um Rivellino, mas…

Se você pegar aqueles times verá sempre a presença da base.
Então a nossa chapa defende o seguinte: devemos ter uma categoria de base, sim. Ela tem que mudar, tem. E ela tem que ser 100% do Corinthians.

Parceria com a MSI

O negócio com a MSI… na verdade não gosto muito de tocar nesses assuntos, porque, primeiro, a questão da parceria, eu fui contra! Eu até deixei a diretoria por causa da parceria.

Eu não concordava, não pelas razões que ficavam falando por aí… eu não concordava porque o contrato era ruim para nós. Era bom para os outros, mas ruim para o Corinthians.

A base da questão era o seguinte: nós fazíamos um contrato que era melhor para o outro lado do que para nós. Agora as questões da parceria, dos parceiros, dos investidores, isso não é assunto nosso, é assunto de Justiça, de brigas, etc.

Se bem que a maior parte dos investidores já morreu, também nem gosto de falar isso, porque dá um pouco até… tem que bater na madeira…
Berezovsky, o Badri, o outro que era o assessor lá… e todos com morte hoje…. não sei se envenenados.

Outro dia saiu uma matéria no Corriere Della Sera sobre este caso, não sobre o caso do Corinthians, mas sobre este grupo que acabou, praticamente em três ou quatro anos morrendo todos de morte estranha. Um se matou com a cinta no banheiro, o outro teve um enfarto na sala e começou a babar, começou a sair saliva pela boca e faleceu, um outro teve uma morte mais estranha ainda, que ele estava andando e caiu um negócio na cabeça dele, uma coisa assim, algo dum prédio… eu li, mas li por alto, porque não quero ficar me envolvendo.

Departamento de futebol e falta de comunicação com as finanças

O vice de finanças ficou sabendo de todos os negócios feitos pelo futebol mais ou menos dessa maneira (depois de concretizado).

Contrataram um tal de Rodriguinho, que ele não queria que contratasse, aí disseram o seguinte: “tem que pagar tanto”, “mas como tem que pagar tanto?”, “nós já assinamos”.

Contrataram um outro, renovaram um contrato de um jogador, que também não vou ficar citando, ele falou: “não pode renovar nesses termos porque nós não temos dinheiro”. Foram lá e renovaram. Isso tudo quem fala é o diretor de finanças. Ele diz o seguinte: “eu recebia as informações”.

Essa é uma outra coisa que precisa mudar no Corinthians.

Não tem nenhum sentido o departamento financeiro ser notificado dum gasto que você fez sem saber da receita. Você não precisa ter o dinheiro em caixa, mas precisa saber se amanhã vai ter o dinheiro para pagar, porque qualquer empresa tem que ser assim. E a informação é essa que você trouxe, quer dizer, ele mal sabia (dos negócios).

A consequência desse negócio de não consultar o financeiro é que o clube acaba tendo que pagar muito salário de jogador que já não está mais no clube. A negociação é feita muita apressada e você acaba tendo que ficar com o ônus de pagar os jogadores.

Gestão da Arena

A gestão do estádio não tem problema. Eu não tenho problema porque o Luis Paulo foi uma das pessoas mais envolvidas na questão do estádio, então certamente a contribuição que ele dará é a mesma quando ele deu da feitura inicial do projeto… até os primeiros dois anos do projeto.

Gestão do futebol profissional

Eu tenho uma vantagem que eu fui quatro anos vice-presidente de futebol. Quatro anos de vice-presidente de futebol é difícil no Corinthians, quase ninguém aguenta mais do que um ano. Eu aguentei quatro.

Time bom, time ruim, ganhando, perdendo, etc. e tal.

É óbvio que o futebol terá mudanças… esta parte do futebol (gestão) terá mudanças.

Até porque eu acho que os profissionais da diretoria de futebol, diretor e gerente de futebol, comigo vão sofrer muito. Comigo e com qualquer pessoa que passou pelo departamento. Você ainda que se segure acaba tendo um tipo de intervenção que muitas vezes um presidente ficaria melhor ter uma coisa muito mais distante.

Mas seguramente haverá mudanças.

Se todo mundo estiver satisfeito com as categorias de base, com o time do jeito que foi montado, então ganha a situação. Se bem que não sei bem o que é situação…

Sobre declaração de Roberto Andrade (que disse não existir outro candidato, a não ser ele)

Não é uma coisa elegante você querer negar que existam candidatos. Você tem quatro candidatos.

Não tem ninguém inscrito (o prazo é até metade de janeiro), mas tem todo mundo trabalhando.

A declaração dele (Roberto) é simplória… dizer: “eu fiz tudo pelo clube e os outros não fizeram nada…”. É uma pretensão grande.

Eu por exemplo fui quatro anos diretor de futebol do clube, em épocas boas, ruins… Esse é um equívoco do sujeito achar que… se ele acha que o Corinthians não vive sem ele, e é por isso que ele está lá, é um equívoco… Ele se candidate, defenda os pontos de vista dele, agora, deixa os outros defenderem os seus…

E essa coisa de “eu sou mais corinthiano que os outros, porque eu vou mais ao clube”, não é o meu caso porque eu vou sempre, eu tenho o hábito de frequentar o clube, mas é uma visão pequena de achar que… desculpe, mas eu nem sabia dessa declaração dele – acho que não foi feliz…

Eu não falaria isso sobre nenhuma outra pessoa. E também considero o seguinte, que não tem ninguém que seja mais do que os outros, aí… mais ou menos… que decide é o eleitor.

Eu conheço gente que dedicou-se muito ao Corinthians, deu muita contribuição ao Corinthians, então é uma pretensão achar que há um monopólio das virtudes do Corinthians, que uma pessoa tem o monopólio… um erro.

Corinthians: três clubes num só

O Corinthians tem uma característica interessante, ele é três clubes num só. É um clube social, que tem lá a peteca, bailes, jantares, piscinas, etc., é um clube de futebol, em que atinge milhões e milhões, envolvidos na grande massa de corinthianos e é um clube de esportes olímpicos, em que hoje estamos numa situação bastante precária. Mas nós fomos já o grande clube do basquete, vocês não lembram, mas o Corinthians foi a Seleção de Basquete, eram não só os titulares como os reservas. A Natação nossa… o futsal está forte agora.

Então esses três clubes são diferentes. A direção tem que trabalhar o futebol, os esportes olímpicos e o clube social. E esses três clubes dão um outro mapa de diferenças. Você tem três tipos de sócios eleitores no Corinthians. São mais ou menos 12 mil, mas devem votar por volta de 4 mil, que é pouquíssimo. Alguns vão assiduamente ao clube, que estrão lá todos os sábados, todos os domingos. Eu por exemplo vou todo fim de semana. Esse grupo é um grupo que está lá, discute problemas do clube… eu vou todo sábado no Senadinho… mas a verdade é que essas pessoas, hoje, formam um grupo minoritário, dos que frequentam o clube. Há um outro grupo de pessoas que vão eventualmente ao Corinthians. E há um número de pessoas, que hoje eu acho, acho não, tenho certeza, é majoritário, que não frequentam o clube. Eles são sócios, vão ao futebol, acompanham o clube – tem alguns até que viajam – mas não vivem no Parque São Jorge.

É curioso que esse sócio é um sócio que inclusive cobra, embora ele não vá lá (ao clube) … eu por exemplo vou às partidas na belíssima Arena do Corinthians, toda vez que vou lá, eu chego e a primeira coisa eu bato com sócios que só encontro lá, que só vão lá, que compram pelo Fiel Torcedor, que vão lá.

Então, é uma eleição, embora com pequeno número de votantes, de enorme complexidade, porque você tem que atrair o maior número de pessoas, que saiam das suas casas, em Alphaville, em Osasco, em São Caetano, longe… para ir votar, sabendo que eles não têm o costume de ir ao Parque São Jorge. Tem gente que não vai lá desde a última eleição, se é que foi na última eleição. Então este é um problema duro… primeiro o de localizar este eleitor, porque ele mudou… família que morava no Tatuapé depois foi lá para outro lugar, pra outra cidade… Campinas… Santos, nós temos um grande número de eleitores.

Outro dia eu fui a uma reunião em Carapicuíba com doze sócios do Corinthians. É quase um comício!

Mas este eleitor, que não frequenta o dia a dia do clube, e que em geral é remido, o que implica dizer que esse sujeito não precisa nem pagar porque já pagou, ele comprou um título remido. Esse é o grande trabalho que a gente tem que fazer de atrair esse eleitor para ir votar. E esse eleitor só vai votar pelo discurso do candidato, ele não vai votar lá porque alguém vai dizer: “Eu vou aumentar a sauna…”.

Sobre pessoas ligadas a Dualib na próxima diretoria

Não. É melhor ficar preocupado com o Roberto (Andrade). O ex-diretor de futebol (de Dualib), o Nei Nujud, é uma das principais pessoas da campanha do Roberto. Então esse negócio de ressuscitar… O Carlos (Nei) Nujud… foi nomeado inclusive para a comissão eleitoral do Corinthians. Está apoiando o Roberto, eles mesmo dizem. Eu não tenho problema nenhum, converso com o Nei, mas se o negócio é falar em nome antigo, esse daí está pronto.

Chances de vitória

Eu acho que tenho chance de ganhar a eleição. Eu acho que tenho, reais. É real. E essa chance vem do eleitor que eu consegui mobilizar para ir votar no dia da eleição, que não frequenta diretamente o clube. Eu acho que tenho chance eleitoral.
Aliás, não só acho como as pesquisas dizem que tenho.

Por que desejo presidir o Corinthians?

Eu acho que conheço suficientemente o Corinthians, tenho uma história no Corinthians, sou sócio desde 1971, não é uma coisa que começou hoje, já participei de muitos processos no Corinthians…

Certa vez me disseram: “Roque, isso aí nós ficamos só com problema, porque a imprensa liga, a torcida reclama… não é melhor a gente se afastar disso duma vez?”.

Ocorre o seguinte, o Corinthians é um problema de doença… ele entra dentro (da alma) e não sai. Então se eu falar aqui: “Não sou candidato, quero viajar, ver ópera em Viena”, eu não consigo.
Não é que não consigo…o primeiro que me encontra na rua me pergunta coisa: “e o Guerrero?”, entendeu?

Eu sei que os cartolas, em geral, não têm boa imagem. Alguns acham que eles vão no clube para ganhar dinheiro, outros acham que eles vão para ganhar prestígio ou por uma série de coisas. Eu digo, com toda a sinceridade:
“Eu vou porque eu gosto, porque eu acho que o Corinthians é uma coisa importante na minha vida”.

E também não aceito nenhum outro cargo. Já me ofereceram uma vez na CBF… eu falei: “Eu não tenho nada com CBF, nem com Seleção Brasileira, nem com Federação Paulista. Pra mim existe, no futebol, resumido ao Corinthians”, e aos adversários, que a gente ganha deles.

Dec 22, 2014
admin

Participação na REDETV!

Você pode assistir aqui a participação que tivemos no programa de Silvio Luiz, o Bola Dividida.

O QUE ESPERA ENCONTRAR AO ASSUMIR A PRESIDÊNCIA

O Corinthians, como todos os clubes brasileiros, vive um momento de mudança. Até a Copa do Mundo as receitas dos clubes aumentaram muito e os clubes acharam que isso não iria parar nunca, que iriam continuar a vida inteira cada vez com receitas maiores.

Passada a Copa do Mundo, o que nós estamos tendo? Uma queda nos investimentos do futebol, nos investimentos nos clubes. Resultado: nós passamos a ter dificuldades, o Corinthians tem dificuldades.

Dificuldade primeiro porque errou, perdeu a mão no futebol. Fizemos contratações que não deveríamos ter feito… esse negócio do Pato é dolorido, viu Silvio, porque é muito dinheiro, é uma coisa que nós vamos ter que bancar, e é uma coisa difícil, mas também tivemos outros erros ou outras contratações, que não se falam muito.

Também pagamos muitos salários, muita comissão para empresário – para contratar, emprestar, vender, renovar contrato – o Corinthians inovou, nunca teve isso. Então, na verdade, nós gastamos demais.

Resultado: o clube precisa equilibrar seu orçamento.

Se o clube não equilibrar, essa história, essa coisa que no futebol as pessoas dizem assim: “Não! Tem que só contratar, contratar, fazer dívida, depois pensa como pagar… não é. Em geral, time que ganha título é time que está equilibrado, quando você está desequilibrado, como regra, você perde.

O Corinthians sempre ganhou quando estava equilibrado. Você ter as finanças equilibradas num clube como o Corinthians, significa que você vai estar disputando títulos permanentemente. E é isso que nós queremos fazer. Vai ser difícil, lógico, nós vamos receber uma situação que se complicou, especialmente pelos gastos excessivos.

Mas o Corinthians é grande, o Corinthians é o maior clube brasileiro – que me desculpem todos os outros – nós temos condições de virar o jogo e ficar cada vez mais forte.

OPOSIÇÃO E SITUAÇÃO NO CORINTHIANS

Eu sou claramente oposição, mas acho que a gente tem que estabelecer o que é situação e o que é oposição. Eu tenho um conjunto de ideias, que foi elaborado e nós estamos colocando, que se confrontam com o que está sendo feito. Por exemplo, vou citar um caso aqui:

Categorias de base: o Corinthians adotou nos últimos anos um sistema que é um desastre. É um negócio de dividir jogador com empresário. Nós nem revelamos jogadores e quando revelamos não ganhamos nada. Então eu acho que qualquer nova diretoria tem que mudar essa política, e nós colocamos claramente: o jogador será 100% do Corinthians ou então vai para outro time.

Daí dizem pra mim: “Não! Se fizer assim, Roque, eles vão levar para outro time.”. Leva! Se o sujeito achar que não é relevante jogar no Corinthians…

No Corinthians é relevante jogar. Quem faz a carreira no Corinthians, faz uma carreira com grande repercussão, então quem não quiser que procure outro.

MOTIVAÇÕES PARA CONCORRER A PRESIDÊNCIA E OS APOIOS RECEBIDOS

Para você ser candidato tem que ter duas coisas: primeiro um conjunto de propostas – acabei de falar algumas – e é um conjunto de propostas, para o futebol, para o clube social, para os esportes olímpicos – o Corinthians sempre foi importante em esportes olímpicos – você lembra, Silvio? Acho que só eu e você lembramos aqui… o nosso basquete, nós chegamos a ter a Seleção Brasileira e os reservas, tal era o tamanho da força do Corinthians, mas não só nisso, nós fomos (os melhores) em natação, em outros esportes, o Corinthians foi importante. Então precisa pensar o clube como um todo.

Ai eu acho que primeiro é preciso definir um conjunto de propostas e depois ter apoios. Se você não tem apoios as propostas ficam só como idéias.

E na verdade estou recebendo um grande número de apoios. Você mesmo colocou aqui, há pouco, que uma das pessoas que me apoiam é o vice-presidente Luis Paulo Rosenberg, que divergiu da Diretoria, chegou a um determinado momento e falou: “Não concordo.”, saiu e fez uma belíssima carta me apoiando.

Não é que ele (Rosenberg) me convenceu (a ser candidato), os apoios me convenceram. Então assim como o Luis Paulo nós tivemos outros, o Valdemar Pires, a Marlene Matheus, mas também outras pessoas importantes no conjunto do Corinthians.

SOBRE PARCERIAS NO FUTEBOL

Todo mundo reconhece hoje no Corinthians que foi um desastre o negócio da MSI. Aquilo nos levou, inclusive, para a segunda divisão. Aquele desastre nos levou para a segunda divisão. Foi um erro, mas isso passou.

O que nós precisamos pensar agora, e o Corinthians tem uma situação que precisa resolver… eu não gosto deste termo “parceria” porque ai aparecem empresários que são donos de jogadores… então se for para fazer esse tipo de “parceria”, não dá! Essas “parcerias” são ruisn para o Corinthians, o Corinthians não ganha nada e os empresários ganham muito.

DÍVIDA DO CORINTHIANS

Nós temos uma dívida que é a dívida do estádio. Essa é uma dívida. Essa dívida, todo mundo sabe, apareceu porque o Corinthians construiu o seu estádio, uma Arena belíssima, é a mais bonita das Arenas da Copa do Mundo. Essa Arena saiu no mundo inteiro, teve grandes jogos, é uma beleza assistir jogos na Arena do Corinthians, quem vai lá passa a gostar do futebol porque vê (o jogo) perto.

Aliás, a cidade de São Paulo está nos devendo, Silvio, uma homenagem. Porque se nós não tivéssemos feito a dívida, não tivéssemos feito o estádio, São Paulo ficava fora da Copa do Mundo. Então São Paulo só ode abrir a Copa do Mundo porque o Corinthians fez um esforço enorme, eu diria muito grande, pra lá de grande, monstruoso, para poder fazer um estádio.

Tem uma dívida. Vamos pagar. Uma das consequências do estádio é que a receita da bilheteria agora vai para pagar o estádio, então não adianta a gente chorar. Nós sabíamos disso, foi isso que foi combinado, é isso que está (definido), e nós temos que saber que essa dívida vamos pagar, como todo mundo.

Essa história de que nós ganhamos dinheiro, ganhamos disso, ganhamos daquilo, era tudo fantasia. Então, esta é uma dívida.

Agora, a dívida nossa do clube, fora do estádio, é uma dívida que vem basicamente do futebol. O futebol perdeu a mão nos últimos anos, e ao perder a mão acabou gerando um passivo muito grande.

Eu não vou criticar ninguém: “Ah! Perdeu a mão”. Acho que houve alguns erros. O Departamento de Futebol fazia dívida no Corinthians sem consultar o Departamento Financeiro. O Diretor de Finanças não sabia de nada. De repente chagava lá uma nota: “Fizemos um acerto aqui, R$ 2,5 milhões, você tem que pagar o mês que vem.”, “Como, mas eu não sabia…”, “Não sabia, mas nós fizemos… fica sabendo agora”. Um erro. Quer dizer, o Departamento de Futebol ganhou uma autonomia para negociar e esqueceu de consultar o financeiro para saber se vai entrar dinheiro para isso.

Isso precisa acabar! Qualquer dívida do futebol tem que estar conectada com o financeiro.

TREINADOR

Nós temos um técnico. Nosso técnico é o Tite. Eu tenho uma satisfação de dizer que fui o primeiro que contratou o Tite, em 2004.

Ele veio para o Corinthians e disse que aquela passagem para ele foi decisiva para conhecer o clube magnífico que é o Corinthians. Um clube forte, com grande presença. Ele (Tite) trabalha tudo com grande paixão, nós desejamos que ele seja feliz, que o clube tenha condições de ter um bom elenco e nós vamos ganhar títulos, porque o técnico é bom e o Corinthians é forte.

Dec 20, 2014
admin

Entrevista na Band

Abaixo, você assiste o programa “Os donos da bola”, que foi ao ar nessa sexta, com apresentação do Neto.

Dec 19, 2014
admin

Entrevista ao Terra

Matéria do Terra sobre entrevista concedida ontem:

Antonio Roque Citadini ainda não teve a chapa homologada oficialmente no Corinthians, mas já fala como candidato para o pleito de fevereiro. Nesta quinta-feira, o ex-vice da equipe alvinegra recebeu o Terra para descontraído papo em sua casa na região da Avenida Paulista e já projetou ações como presidente do clube paulista, Como de praxe, o concorrente da oposição corintiana ironizou rivais, mas também mostrou preocupações com assuntos atuais do time, como a situação financeira e a Arena em Itaquera.

As tiradas contra São Paulo e Palmeiras foram várias ao longo da entrevista. “Do Palmeiras eu não aprovo nada”. “Não fazemos ingresso a R$ 1 como o São Paulo”. “O nosso estádio começou depois do Palmeiras e terminou antes”. “O único ato de sanidade que a Fifa teve foi dizer que o Morumbi não é estádio para a Copa”. “Teve eleição no Vasco, ganhou oposição, No Inter, oposição, no Santos, oposição, no Bahia, oposição. Só no Palmeiras, que está muito bem provavelmente, ganhou a situação”.

A polêmica com os principais adversários corintianos não impediu um momento de sinceridade do candidato, que já no encerramento comentou que nunca foi “desrespeitoso ou grosseiro” com o São Paulo, time que segundo ele fica “irritadíssimo” com suas declarações. Citadini, contudo, não ficou só em provocações durante a entrevista. O opositor criticou principalmente o departamento de futebol da atual diretoria e colocou a estabilização das finanças como principal meta para o próximo ano.

“O Corinthians vive um momento difícil nas finanças, isso debilita muito em todas as áreas do clube. Tem um defeito terrível: o departamento de futebol perdeu a mão nos últimos anos. Eles primeiro fecham o contrato e depois avisam o departamento financeiro, isso é um absurdo. Aí é um Deus nos acuda para pagar porque não tem dinheiro. Nós gastamos muito em contratações, paga comissão de empréstimo, renovação”, comentou.

Na busca pelo cargo máximo corintiano, Citadini foi vice-presidente em parte da gestão Alberto Dualib, entre 2001 e 2004. Jurista renomado, o candidato detonou a atual gerência das categorias de base, com jogadores que já surgem no profissional fatiados, e projetou um Corinthians forte no futebol e no esporte olímpico a partir do equilíbrio das finanças. Ainda propôs uma medida polêmica: vetar shows na Arena localizada em Itaquera.

“Onde é para jogar, joga. Onde é para ter show, tem show. Nós vimos o que aconteceu nos últimos tempos com São Paulo e Palmeiras. O Palmeiras deu dó. Deu dó do time porque jogou muito mal e deu dó do gramado. O que dá para fazer não é show. Tem um estacionamento enorme, tem muitos países que fazem exposições, feiras de automóveis no estacionamento. Agora esculhambar o gramado para ter um show do Menudo, vai lá para São Paulo e Palmeiras”, ironizou.

Na eleição, Citadini será candidato da oposição, mas conta que diversos nomes da situação já o procuram para serem aliados. É o caso de Luis Paulo Rosenberg, atual vice corintiano, que até divulgou carta de apoio ao opositor. O Terraentrevistou na última terça-feira o candidato Paulo Garcia, também da oposição. Outro entrevistado foi Ilmar Schiavenatto, na última quarta. Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol e candidato da situação, completa os nomes do pleito.

Veja tudo o que Antonio Roque Citadini falou ao Terra:

Problemas do Corinthians

Para ser candidato a presidente do Corinthians, não pode ser um desejo somente pessoal. “Eu quero, minha mãe quer”, não dá para se um projeto assim. Precisa ser um projeto que tenha um conjunto de ideias com o clube e um conjunto de apoio significativo. Reuni com um grande número de amigos uma série de problemas do clube e solução, não se trata apenas de jogar pedra, criticando, mas encontrar caminho. Primeiro precisamos resolver a questão da nossa crise financeira. O Corinthians vive um momento difícil nas finanças, isso debilita muito em todas as áreas do clube. É bem verdade que se explica o motivo, nós tivemos nos últimos cinco anos antes da Copa um boom do futebol brasileiro. Aumentou bilheteria, televisão, patrocínio, de modo que aumentaram o preço de jogador, o futebol gastou mais, mais salários. O Corinthians tem um defeito terrível: o departamento de futebol perdeu a mão nos últimos anos. Eles primeiro fecham o contrato e depois visam o departamento financeiro, isso é um absurdo. Aí é um Deus nos acuda para pagar porque não tem dinheiro. Nós gastamos muito em contratações, paga comissão de empréstimo, renovação.

Categorias de base

E tivemos um outro problema que foi o fracasso absoluto da política de parcerias de jogador de base, que foi um desastre. Hoje nem revelamos um jogador e quando renova não ganhamos nada. Nós precisamos fazer um equilíbrio das contas, mudar a categoria de base. Jogador de base tem que ser 100% do clube, se não for vai para outro clube. Vai para Portuguesa, Juventus.. Quem quiser ficar, fica conosco. O objetivo é revelar jogador e depois, se formos vender, o Corinthians ganha. Tem o empresário que faz os contratos, sou até favorável. Mas não é esse que estou falando. Estou falando de atravessador que chamam de investidor que vai pegar a parte do Corinthians. O empresário tudo bem. Se não for para a gente revelar para nós, não precisa de categoria de base.

Paulo Garcia

O problema nosso aqui é um pouco diferente. A nossa situação aqui do clube é um pouco diferente, esta eleição não é passada porque a situação se esfacelou. Houve uma briga do grupo do Mario, com o grupo do Andrés. Aquela situação que ficou no poder este tempo todo se esfacelou. Na eleição passada, o Andrés era o presidente e o candidato era o Mario Gobbi. Vocês vem o Roberto falando no nome do Gobbi? Nem fala. Quando a situação entrou neste processo de mudança, o mesmo ocorreu com a oposição. Eu por exemplo ontem fiz uma reunião com o pessoal que está montando a chapa e a maior parte das pessoas que estavam na reunião são que apoiaram a atual gestão. O próprio Rosenberg, que foi um dos ícones desta gestão nos últimos anos, está apoiando a nossa chapa. E ele ainda é vice-presidente. Neste quadro, é natural que na oposição apareçam divergências.

Cargo de Rosenberg

O Luis Paulo é uma pessoa apta a ocupar qualquer cargo. Ele ocupou o marketing, foi a pessoa que trabalhou na questão do estádio. Não teria problema de ocupar cargo. Nós temos tantas coisas para resolver, nas quais uma é o estádio, e não há duvidas de que o Luis Paulo ocupará o cargo que quiser.

Relação com Andrés Sanchez

A minha relação com o Andrés é boa, não tenho problema nenhum, converso tranquilamente. Não tenho nada a destacar neste campo. Nós estamos falando como se o Andrés fosse continuar com cargo no Corinthians, coisa que ano que vem não poderá ser. Ele é deputado federal da bancada do Governo, vai ter um trabalho danado que nem ele sabe. Ele não terá condições humanas para viver o dia a dia do Corinthians. Qualquer ex-presidente do clube sempre tem que ter a opinião respeitada. Não votei no Andrés, não votei no Gobbi, mas qualquer ex-presidente tem que ser tratado como tal. Ele será sempre uma voz importante a ser ouvida.

Outros esportes no Corinthians

Aí que cresce a importância da gente estabilizar as finanças do clube e que nós vamos sofrer um pouco. Não podemos criar fama como nos outros clubes de que jogador não paga salário, compra e não paga. Se o time tiver equilíbrio nas finanças, vamos ser sempre quase o dobro dos outros clubes. Recebemos o dobro da televisão, da camisa, da renda, não fazemos ingresso a R$ 1 como o São Paulo. Com exceção do Flamengo, que ganha como a gente. Se tivermos uma finança equilibrada, seguramente vamos poder estar melhor no futebol. Se estiver com o orçamento equilibrado, de cada 10 competições, 9 estará disputando para ganhar. Clube que ganha título é clube que está bem financeiramente. Quando está devendo salário, INSS, FGTS, como regra você não ganha. O Corinthians é um time grande, se estiver em dia… Os esportes olímpicos é uma preocupação que nós temos e não podemos, de forma alguma, renegar ao esquecimento os esportes olímpicos. O basquete houve uma época que a Seleção os cinco titulares e reservas eram do Corinthians, tal a força do basquete nosso. O primeiro jogo que passou de 100 pontos do basquete foi o famoso Corinthians x Real Madrid no Parque São Jorge. Natação nós também temos medalhistas. Aí que fica nossa responsabilidade maior. Estabilizadas as finanças, vamos ter competitividade no futebol e forte presença nos esportes olímpicos.

Tite

Eu que contratei ele pela primeira vez. O Tite é um técnico trabalhador, dedicado, preparado e tem todas as condições de fazer um grande trabalho. Eu quando contratei o Tite gostei muito dele, fiquei com uma boa relação, mas falei uma coisa para ele que vira e mexe ele lembra. Em uma das vésperas de jogos, estava jantando com ele conversando sobre problemas e falei: ‘olha, acontece o seguinte, mas nosso clube tem sorte com técnico gaúcho. O maior da nossa história foi Oswaldo Brandão, que foi uma lenda no nosso clube. Tenho certeza que você tem tudo para repetir o trabalho do Brandão e para nessa época fazer até mais que o Brandão”. Ele ficou emocionado. Hoje ele é o técnico mais vencedor da história do Corinthians. Engraçado que ganhou uma marca do Corinthians. É daqueles técnicos que ficará com dificuldade quando não for técnico do Corinthians, Ganhou tanto nossa cor, nossa marca, que ele terá dificuldades. Ele já sabe que o destino o marcou.

Citadini quer Arena Corinthians “para todos os bolsos”

Arena Corinthians

O nosso estádio começou depois do Palmeiras e terminou antes. Sobre o estádio, é preciso dizer uma coisa. A Arena, quem vai, é uma beleza. Quem vai e assiste a uma partida, fica impressionado com o sabor que tem em ver a partida com o jogador fazendo uma jogada a 5 metros de você. Dá para você ver tudo lá dentro, todos os setores. Isso é um salto no futebol brasileiro. Em outros estádios ou você não vê escanteio, ou não vê cobrar falta. O Corinthians, vamos ser honestos, aproveitou uma chance que apareceu com a Copa do Mundo. O Corinthians fez um esforço enorme. Desconfio que não tem outro clube do País que tivesse a audácia de fazer o endividamento do Corinthians para São Paulo ter a abertura da Copa do Mundo. O único ato de sanidade que a Fifa teve foi dizer que o Morumbi não é estádio para a Copa. A verdade é que o Corinthians deveria ser elogiado, alguém assumir uma dívida de R$ 1 bilhão para ter uma arena nos moldes que a que tem merece ser elogiado pela cidade. Nós temos uma grande dívida. Vamos ter que pagar. Vamos perder a nossa receita da bilheteria, já estava combinado. O estádio vai ter que ter lugares para ingressos populares, temos compromisso, nascemos no meio do povo e disso não abrimos mão. Mas também vamos ter que ter ingresso caro. Hoje tem torcedor que vai ao estádio que antes preferia ver o jogo na televisão e este agora vai. E tem que pagar bem porque tem que pagar o estádio.

Preço dos ingressos

Acontece o seguinte. É evidente que é uma situação de sacrifício. Quem faz uma dívida que o Corinthians fez, sabe que teremos sacrifícios. Nós temos uma faixa de pessoas de boa renda que podem pagar R$ 300, R$ 400. Deixa a hora que nós começarmos a disputar Libertadores, a hora que o Corinthians começar a liderar um campeonato nacional. Você vai ver o que vai ser. Tem que ter uma faixa de ingresso popular, mas não podemos fazer a bobagem de cobrar R$ 5 só para falar que tem 50 mil pessoas no estádio. O futebol é caro. Abaixar para alguns e subir para outros. Você não pode deixar de ter uma parcela do estádio com ingressos caros, porque esse ingresso é para público que cobra serviços. Quer lanche, bebida, estacionamento, ele paga isso.

Pagamento de salário para jogadores emprestados

O departamento de futebol nos últimos anos perdeu a mão. Ao perder a mão, deixou esta folha que pagamos de jogador que saiu do clube. O que mais nos atormenta é o Pato, que é uma queima de dinheiro. Não rendeu nada nem no Corinthians nem no São Paulo. Se ele vier de volta, você vai pagar o salário, tem que botar em campo. E o salário não é pouco. Se vier, bota lá.

Opinião sobre o Bom Senso FC

Eu não vejo problema em cartola ser pressionado. Há coisas que são interessantes. Acho que cometiam alguns erros, principalmente no início, quando falaram coisas que eles não tinham nenhuma noção. Por exemplo, diminuir número de jogos. Na verdade, isso é um erro. Só poucos clubes, uma meia dúzia, jogam domingo e quarta. Os outros não têm competição. A maior parte dos clubes que vão jogar o Campeonato Paulista jogam e depois cruzam o braço. Tem um torneio outro, mas o maior problema do futebol é não ter competição. Não vejo mal nenhum pressionar ou não. Mas eles têm que questionar esses empresários que viram dono de jogador. Mas disso não falam uma palavra.

Fair play financeiro

Do Palmeiras eu não aprovo nada (sobre os contratos com bônus, prática aplicada no Palmeiras). Não sei como é, mas não aprovo nada. Esse Fair Play que eles querem aí não adianta. Há duas formas de fazer um ajuste. A primeira, que eu defendo, é tomando consciência de ter as finanças equilibradas. O segundo caminho é precisão. Os clubes estão abaixando os salários agora por necessidade. Isso é bom porque para de vir jogador da Europa, que vai lá, fica seis meses, e volta valorizado,.

Guerrero

O Guerrero é um bom jogador e ele deve ganhar o que o Corinthians tem condição de pagar. Se ele quiser mais do que o Corinthians pagar, não podemos. Se ele achar que vai para a Arábia, vai para se enterrar, porque lá é fim de carreira. E ele vai renovar, gosta do Corinthians, de São Paulo.

Kia e MSI

É engraçado, tenho visto gente falando que eu defendi a MSI. Foi exatamente o contrário, eu fui um dos poucos contra a parceria. Hoje todo mundo defende no clube que não deveria ter feito. Aquela confusão foi tanta que o time foi para a segunda divisão. não tenho nada contra o Kia, apenas o contrato era ruim e eu não assinaria.

Oposição diluída

Veja só. Se você souber condições de unir, precisa unir pelas ideias. Se não dá para unir pelas deias, não adianta você pensar que quer derrotar tanto a situação e tal. A eleição do Santos foi interessante. Todo mundo falava que um dos três ganhava, não o Modesto. O candidato que ganhou tem história no Santos. Acabou ganhando alguém que tem história. Isso é bom para o clube porque o clube é uma coisa construída no seu dia a dia. Teve eleição no Vasco, ganhou oposição, No Inter, oposição, no Santos, oposição, no Bahia, oposição. Só no Palmeiras, que está muito bem provavelmente, ganhou a situação.

Relação com a torcida organizada

A minha relação com a torcida em geral é uma relação clara, de cordialidade e respeito. Cada um na sua. Nós temos uma política de venda de ingresso que é pelo Fiel Torcedor, que a maior parte da torcida gosta e apoia. Acho que na verdade vamos caminhar para um processo muito próximo do que ocorre na Europa. Nossa Arena não é um Pacaembuzão, é uma Arena com qualidades de uma Arena. Estacionamento, banheiro… Creio que com o tempo ocorrerá com a Arena do Corinthians o que ocorre com a Europa toda: todos os ingresso vendidos pela internet. Eu acho que com o tempo vai acabar sendo praticamente todos os ingressos vendidos pela internet. Eu acho que deveríamos fazer um esforço enorme para ter um programa de torcida que incorpore todo mundo, inclusive as torcidas organizadas.

Emerson Sheik

A única coisa que pegou mal daquele selinho foi que foi feito para promover um restaurante. Isso é uma coisa ruim. Jogador do Corinthians tem que fazer marketing para empresas do Corinthians, no mais não tem problema nenhum. Agora que renovou tem que chorar, tem que botar para jogar.

Contratações via DVD, como o colombiano Stiven Mendoza

DVD é um instrumento para contratar. Acho que tem que examinar in loco. Mas isso é a imprensa que está falando, tem que ter cautela. Quando eu era vice, o Portugal Gouveia contratou o Lugano e muita gente dizia que era o “beque do presidente”. O Marcelo teve que ouvir isso por muito tempo e a imprensa aí esqueceu que ele era o “beque do presidente”.

Futuro do Parque São Jorge

O Parque São Jorge a gente tem que pensar como vai agir. O Corinthians na verdade tem três faces. Uma é a que todo mundo conhece, o futebol. A outra é o clube social e o terceiro é o clube olímpico. Estas três áreas do Corinthians são as áreas que a gente convive. O futebol deixou o Parque São Jorge. É hoje do Centro de Treinamento da Ayrton Senna, o estádio. Vai ter jogador que vai jogar no Corinthians e nunca vão passar pela Fazendinha. Eles nem conhecem o que é a sirene. Nós vamos ter que repensar muitas coisas lá no Parque São Jorge. Vamos ter mais espaço agora com o futebol não estando lá, a utilização vai ser para outras coisas. Ela se tornará cada vez mais um clube social e um clube olímpico. Aí tem várias ideias para lá e para cá, mas o importante é encontrar um projeto que dê mais rentabilidade.

Shows na Arena Corinthians

No mundo inteiro, futebol é futebol e show é show, esqueças essas bobagens de arena multiuso. Onde é para jogar, joga. Onde é para ter show, tem show. Nós vimos o que aconteceu nos últimos tempos com São Paulo e Palmeiras. O Palmeiras deu dó. Deu dó do time porque jogou muito mal e deu dó do gramado. O que dá para fazer não é show. Tem um estacionamento enorme, tem muitos países que fazem exposições, feiras de automóveis no estacionamento. Agora esculhambar o gramado para ter um show do Menudo, vai lá para São Paulo e Palmeiras.

Roberto de Andrade disse que o maior rival é o São Paulo

Não é verdade. O Roberto de Andrade deveria falar de contratações. O maior adversário do Corinthians são todos. Pergunta para o santista. São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Santos, Inter. O Inter precisa ir para um psicólogo porque é inacreditável a perda de identidade, nós sempre convivemos bem com o Inter. Na década de 70 sempre tivemos grandes relações com o Inter.

Cotas na CBF e lobby de outros clubes

Discutir o que? Esse pessoal é engraçado. Querem socialismo na hora de distribuir a grana e um capitalismo na hora de buscar patrocinador para a televisão. Quem determina o valor de mercado é o futebol. Põe um jogo entre Sport e Coritiba na Globo para ver o que acontece. Eles têm um monte de ideia, mas acho que tem que continuar como está. Digamos que todo mundo decida fazer TV fechada. Não tem que fazer que nem esse Premiere, que o corintiano compra um pacote e vê jogo do Coritiba. Tem que fazer como na Europa, que cada um compra o do seu time, aí vai dar a mesma coisa. O de agora é venda casada, tenho minhas dúvidas sobre a legalidade disso. Esse negócio de audiência hoje em dia está complicado. Já não podemos acreditar muito nesses Ibopes da vida. A forma mais clara é vender o pacote por clube. Nunca foi assim. A TV não vai vender pacote do Bahia exclusivo, não estou falando para ofender. Quem vai comprar do Botafogo? Aí eles querem socializar. Quem quiser transmitir jogos do Corinthians, paga.

Fiel Torcedor votar para presidente

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Temos que analisar com calma. Aquele conflito que eu falei dos três clubes, o futebol, social e olímpico, no futebol temos o Fiel Torcedor que nós precisamos encontrar uma maneira de casar o sócio comum do Corinthians, que não tem acesso ao Fiel Torcedor e muitos até são. Vai ter que encontrar uma solução para isso caminhando para fundir os dois. Nós vamos ter que encontrar um caminho para os dois. Tem associado que quer ser Fiel e muito Fiel torcedor que quer ir para o clube.

Relação com os presidentes rivais

Eu sempre tive minha forma de tratar as coisas. Sei que o pessoal do São Paulo fica irritadíssimo comigo, mas nunca fui grosseiro, desrespeitoso. Eu falo algumas coisas que eles não querem ouvir. Outro dia falei que o Morumbi deveria ser tombado porque tem fosso, lá deveria virar um castelo. Onde eles têm fosso, têm uma pista que não serve para atletismo. Eu sei que ficam bravos comigo quando digo essas coisas, mas essas coisas são verdades. Agora está um barraco lá (São Paulo). Teve uma eleição no São Paulo que teve liminar, invadiram assembleia, jogaram cadeira, presidente se refugiou… Nenhuma palavra na mídia. Na semana seguinte teve uma reunião no Corinthians, um grupo conseguiu uma liminar e fizeram a transmissão ao vivo pela TV. O São Paulo é o queridinho da mídia, então essas coisas não podem sair. Mas eu nunca fui desrespeitoso com o São Paulo, nunca fui grosseiro. União? Eles ficam lá e nós ficamos aqui, Vamos discutir nossas competições, isso sou favorável. Agora vamos ficar diferentes do jeito que somos.

Dec 18, 2014
admin

Corinthians Grande e Mais Forte

Amigos e amigas do Corinthians,

Quando eu escrevi o livro “Neco – O primeiro ídolo”, eu ainda não tinha sido vice-presidente de futebol do Corinthians. Eu escrevi este livro e nele pude constatar a luta que foi para o Corinthians se consolidar como um time, aqui na capital de São Paulo.

Era começo do século XX (ano de 1910), com dificuldades de toda ordem.

Neco foi importante para nosso clube e, além de ter sido o primeiro grande ídolo, ele ganhou títulos, foi o nosso primeiro jogador na seleção e com ele nós ganhamos o famoso Sul-americano de 1919.

Ele tinha um grande amor pelo Corinthians. Ele achava o Corinthians a coisa mais importante, por isso ele lutou tanto e essa foi a razão pela qual eu me interessei em escrever a biografia dele.

O Corinthians é grande!

Agora nós contratamos o técnico para a temporada do ano que vem, o Tite. A primeira coisa que ele fez foi destacar a importância que é para um profissional dirigir o Corinthians. Já quando eu havia contratado o Tite, no começo de 2004, na sua primeira passagem pelo Corinthians, ele destacava este valor que é importante defender um clube grande, com penetração em toda sociedade. O Corinthians é grande. Esta é uma realidade.

Eu fico indignado muitas vezes quando algumas pessoas (inclusive algumas do Corinthians) dizem: “Se o Corinthians fizer tal coisa, o jogador não vem jogar no Corinthians”. Esqueçam!

Jogar no Corinthians é importante! Por isso que nós podemos dizer que é possível fazer uma categoria de base só com 100% de jogadores do Corinthians.

Quem não quiser jogar no Corinthians vai procurar outro clube, mas vai prejudicar sua carreira, porque a sua carreira não será a mesma sem jogar no Corinthians.

O mesmo vale para jogador quando vai renovar o contrato. Outro dia alguém no Corinthians disse: “Se não pagarmos comissão para o empresário do jogador que renova o contrato, ele não fica no Corinthians”. Ora, não é verdade.

Nosso tamanho e a importância do Corinthians é grande para o torcedor, é grande para a imprensa, é grande para o treinador e para os jogadores.

O Corinthians é grande e nós precisamos torná-lo cada vez mais forte.

Dec 16, 2014
admin

Entrevista na Jovem Pan

Ontem estivemos no programa “Esporte em Discussão”, na rádio Jovem Pan.

Falamos sobre as eleições no Corinthians e respondemos perguntas dos participantes do programa.

Você pode ouvir a entrevista ou ler trechos dela abaixo.


Chances de vitória

Nós achamos que temos chances porque somos oposição. O Corinthians tem problemas e a situação terá dificuldades em enfrentar numa campanha eleitoral.

A não ser que comece a fazer como estão fazendo alguns, que ficam dizendo: “Ah! Eu queria contratar o Tevez… começar a falar lista de contratação de jogadores. Aí você não discute a coisa mais importante, que é a eleição, que são os problemas e as soluções, que é isso o relevante da chapa, e não ficar dizendo: “Oh! Eu gostaria muito de trazer o Paulinho de volta”. E aí? Você é candidato a Diretor de Futebol ou é candidato a Presidente?

Eu acho que nós temos chances porque somos oposição.

Motivações para ser Presidente do Corinthians

Muita gente diz: “Eu quero ser presidente… minha mãe quer que eu seja presidente, meu pai quer que eu seja presidente, a minha família…” não é bem isso…

Você precisa, primeiro, ter um conjunto de propostas. É fundamental que você pense o que vai alterar nesse clube que você conhece bem, que vive o dia a dia, que você sofre, fica alegre… precisa estar bem claro o que você vai fazer…

Segundo, você precisa ter um conjunto de pessoas que o apoie, para não ficar só uma coisa de desejo pessoal, essa coisa de dizer: “Ah! Eu desejo por causa do meu currículo”.

Eu fui quatro anos Diretor de Futebol, Vice-Presidente de Futebol, num período difícil, ganhamos títulos, perdemos… teve time bom, teve time ruim… o que é um pouco da regra do futebol. Então, essas questões não me intimidam.

As duas coisas que foram fundamentais, que decidiram que eu deveria disputar a eleição no Corinthians são: construir um conjunto de ideias para este clube, que é o maior clube brasileiro, é o mais forte clube brasileiro, é um clube que envolve tanta gente, tantos e tantos milhões de pessoas. Você tem um conjunto de ideias que eu procuro expor em todos os programas que eu vou.

E segundo, você ter um conjunto de pessoas do clube que estão envolvidos com vocês, porque senão fica uma aventura pessoal”

Categorias de Base e Futebol Profissional

“Esse não é um problema exclusivo do Corinthians. É um problema que está no mundo inteiro, que os clubes acabaram dominados por investidores. Não se trata de empresário de jogadores, aquele agente que discute o contrato, quanto vai ganhar, onde vai morar, não é esse. É alguém que pega os direitos econômicos do jogador. Todos os clubes que foram pelo caminho que o Corinthians foi –quase todos os clubes brasileiros foram– acabaram num beco sem saída: sem jogador e sem dinheiro. Essa é a realidade.

Quem conhece o futebol europeu vê que o Benfica e o Porto foram por esse caminho… aliás, todos os clubes portugueses foram, passaram a ser uma espécie de plataforma…todo mundo que sai daqui e é contratado para Portugal não vai ficar lá, é tudo combinado. Eles (os clubes) são usados para vender bem. Foi eleita uma diretoria no Sporting de Portugal –que me perdoe porque é verde – mas eles dizem o seguinte: “Vai acabar esse negócio”.

No Corinthians, todo mundo sabe, os jogadores da categoria de base são de vários empresários –um número indefinido. Jogadores que estão no time principal também são de vários empresários… à partir de um determinado momento, o clube perde o controle do jogador. Para o jogador, a referência passa a ser o “dono” dele e não o clube.
E como você vai fazer um esporte coletivo, como é o nosso, numa situação dessa?

Então, falando das ideias que eu falei no início, defendo que nós sejamos radicais: a categoria de base, daqui pra frente, só terá jogadores 100% do Corinthians.

Se o sujeito chegar lá e dizer: “Eu quero 20% pra minha mãe, 20% pro meu pai (é muito comum e não é pai, nem mãe), 40% pro meu empresário…”, eu digo: “pode ir embora! Pode ir embora!”.

O último grande jogador que o Corinthians revelou foi o Willian, que eu vivenciei lá, começou com oito anos. Ele foi o único negócio grande que o Corinthians fez realmente.

Por que nós temos que ter categoria de base?
Primeiro: para revelar jogador pro time principal. Se vocês pegarem as fotografias do time do Corinthians campeão – todas as vezes em que é campeão tem aquelas fotografias que o Corinthians sempre tem três, quatro, cinco, até oito jogadores que ele revelou. Alguns são craques, outros nem tanto. Ninguém revela só craque. Não é todo dia que você encontra um Rivellino. Você muitas vezes revela jogador médio, e até jogador ruim, mas o Corinthians sempre teve essa tradição [de revelar muitos jogadores]. E a primeira coisa que serve o jogador é para o time principal, para você não ter que contratar um jogador médio.

Eu preciso de um jogador médio, um jogador comum? Ao invés de ter que contratar, vai lá na base. Se não for pra isso, não precisa ter a base. Eventualmente aparece uma coisa como do Willian, que o Corinthians ganhou uma grana preta naquele negócio.”

Finanças

“(…) O futebol não tem milagre. Nós não temos a “casa da moeda” ou o Federal Reserve para imprimir dinheiro para nós. Vivemos do que temos de receita, então nós temos que equilibrar nossa receita aos gastos. Essa é uma outra coisa que o Corinthians se perdeu nos últimos tempos: nós gastamos mais do que tínhamos, então o clube teve que adiantar receita, o clube teve problemas com a própria justiça por casa de impostos, mas tudo por quê? Porque gastou muito e tem que gastar menos.

Outro detalhe que é preciso reconhecer: o país vive uma crise econômica… eu não quero entrar em discussão de política, mas a economia não está crescendo. Significa que as empresas tendem a investir menos, inclusive no futebol. Outra coisa: a Copa do Mundo acabou, passou. Boa parte das empresas interessadas no futebol estavam com os olhos voltados para a Copa do Mundo.

Então, nós teremos no ano que vem menos receita, menos dinheiro, e os jogadores não vão imaginar que nós vamos continuar aumentando salários como se aumentou… quando eu digo jogador, não quero centralizar em jogador, porque quando o jogador é bom, merece ganhar bem… eu digo também os técnicos… o técnico também deve pensar: “vamos baixar essa bola”.

Não há clubes desorganizados, com finanças caóticas, que ganhem títulos.

Eventualmente um Flamengo ganha título, mas como regra os clubes que ganham título, ganham quando estão com as finanças equilibradas. Isso aconteceu com o Corinthians, acontece com qualquer clube, não se iluda.

Quando o clube está sem dinheiro, emprestando disso, daquilo, não ganha título.

Outro dia eu estava conversando com uns amigos, e um deles falou: “Roque, esse papo seu vai acabar naquele “bom e barato” que é ruim.”. Eu falei: “Primeiro vamos esclarecer que esse bom e barato que andaram aplicando por aí é “ruim e barato”.

Na verdade, o que prepara o clube para ganhar títulos é ter equilíbrio nas suas finanças. Se o Corinthians tiver finanças razoavelmente equilibradas… não estou dizendo “precisa dar lucro”, não é lucro não, se ele tiver as finanças equilibradas, não tem para ninguém, o Corinthians ganha tudo. Todas as vezes que o Corinthians equilibrou as finanças, passou por cima dos outros.

E os outros, temos que reconhecer, estão todos numa situação muito parecida, é curioso, mas por que essa situação é parecida? Porque nos últimos anos, nos últimos quatro, cinco anos, todos os clubes tiveram um aumento muito grande da sua receita… a televisão passou a pagar mais, a publicidade passou a pagar mais, as rendas de bilheteria passaram a ser maiores, então houve um aumento generalizado.

O nosso foi maior. O Corinthians aumentou mais que os outros, também não tem muito o que explicar, porque é uma coisa lógica, mas a verdade é que mais ou menos todos os clubes entenderam que aquela escala de crescimento não pararia mais, iria para a eternidade. Isso vale pra Corinthians, vale pra Palmeiras, vale para o Santos, para o São Paulo, vale pros outros.

Ausência do clube e eleições no Corinthians

Essa história de que eu estava ausente do Corinthians é um grande “chute fora”.

Eu não ocupo cargo executivo no clube. A imprensa me ligava e dizia: “o senhor precisa vir aqui para falar sobre essa derrota”, eu dizia: “Espera aí. Chama os caras aí para falar”, quer dizer, eu tenho que explicar porque o time perdeu? Já basta quando eu era diretor, então, essa história de que eu me afastei, não é que eu me afastei… que é o diretor é que tem que falar: “pagou tanto”. Eu tenho que dar explicação pela contratação do Pato? Não sou eu. Os que compraram que tem que dizer. Agora eu vou ficar encontrando explicação para os problemas dos outros? Então, não tem nada disso.

A eleição no clube, você perguntou se dá para ganhar, lógico que todo candidato trabalha com a ideia de ganhar – qualquer um dos quatro trabalha com a ideia de ganhar. A eleição no Corinthians é difícil e complexa. Difícil porque a maior parte dos eleitores não frequentam o Corinthians. São eleitores sócios remidos, vão ao estádio, torcem, brigam, mas não frequentam o Corinthians como clube social, não vão a piscina, não vão a sauna.

Há um grupo menor que frequenta o Corinthians, e é um grupo que você encontra todo fim de semana. Agora, este número de associados que não vai ao Corinthians é difícil até para você localizar, encontrar essas pessoas. Quando você reúne vinte sócios é um comício.

Considerações finais

Quero dizer aos nossos associados que é importante todos discutirem os problemas e as soluções do clube. Não vamos cair em coisas mágicas: “Eu tenho um fundo que tem R$ 30 milhões que vai resolver tudo”, “Já estou apalavrado com jogador que virá.”. Isso não existe. Nós temos que discutir duas coisas: problemas e soluções.

Eu gostaria que todos tivessem uma boa participação porque o Corinthians é muito importante para tantas, tantas e tantas pessoas.

Dec 15, 2014

Hoje, segunda-feira dia 15 de dezembro de 2014.

Na BandSports.
 Nesta segunda , as 20,30hs, estarei no programa “Baita Amigos”, na BandSports.
Na Rádio JovemPan.

CORINTHIANS – Nesta 2a. feira o convidado do ESPORTE EM DISCUSSÃO (13h) , da Jovem Pan, será Antonio Roque Citadini , candidato à presidência do Corinthians. Mande sua pergunta : Viber 56 7000 7000 e também participe do grupo ESPORTES-JOVEMPAN, no Viber.

 

Obrigado.

Dec 11, 2014
admin

Vídeo 09: A “parceria” com empresários


Amigos e amigas do Corinthians,

O nosso clube vive uma situação financeira difícil neste final de 2014. Nós vemos todos os dias as notícias sobre as dificuldades do futebol, e as dificuldades do Corinthians.

Mas, talvez, um dos maiores problemas para clube seja essa desastrosa política de parceiras adotadas com empresários de jogadores.

O Corinthians emprestou dinheiro de empresários que acabaram ficando proprietários de jogadores (ou de parcela deles). Esses negócios têm sido ruinosos para o Corinthians.

Praticamente todos jogadores que são revelados (os melhores) já não são de propriedades do Corinthians quando são negociados. Os contratos deles são negociados e o Corinthians algumas vezes tem uma pequena parcela -e quando tem. Há situações onde nem parcela nenhuma o clube tem.

Ocorre que os empresários, com isso, passam a mandar nos jogadores e mandar no time. O Corinthians fica refém deste sistema de partilha de jogadores divididos com empresários. Não há dúvidas que o único caminho que nós temos é encerrar este tipo de negócio. Jogadores revelado pela base tem que ser 100% do Corinthians.

E se o time precisar de dinheiro? Muitas vezes precisa. Mas não é o caminho pegar dinheiro de empresário e depois dar jogador em troca dos recursos emprestados.

Quero dizer que muitas das dívidas com empresários são bastante questionáveis. Essa política tem sido desastrosa. Ela precisa mudar e eu não tenho dúvida que é um dos fatores do enfraquecimento do nosso clube nos dias atuais.

Dec 9, 2014
admin

Vídeo 08: A Invasão do Maracanã

Amigos e amigas do Corinthians,

Ao logo da história do nosso clube, nós tivemos grandes momentos vividos pelos nossos sócios e torcedores.

Desde os primeiros títulos, como o de 1914, o inesquecível título do Quarto Centenário, o primeiro Campeonato Brasileiro em 90, o primeiro Campeonato Mundial em 2000, depois a primeira Taça Libertadores da América e em seguida o segundo Campeonado Mundial. Todos foram momentos de grande alegria como tantas outras conquistas que o Corinthians conseguiu nesses anos todos.

Mas há alguns fatos que não dizem respeito exatamente a títulos, mas que foram de grande importância para nosso clube. Dentre esses fatos, é importante que se destaque a famosa Invasão que os corinthianos fizeram no Rio de Janeiro e que completou agora no começo de dezembro 38 anos.

Milhares e milhares de corinthians foram naquele jogo contra o Fluminense e acabaram ocupando o Rio de Janeiro. É notável aquele momento vivido pelo Corinthians. Até hoje é um dos mais importantes momentos do futebol brasileiro. Foi o maior público do Corinthians no Maracanã.

O Corinthians tinha a maioria no estádio no jogo contra o Fluminense.

Este dado mostra a força e a importância do Corinthians no futebol. A estrada para o Rio de Janeiro foi tomada de carros, ônibus e, como diz Nelson Rodrigues, até de bicicleta chegavam corinthianos naquele memorável mês de dezembro de 76.

Este é um momento de grande importância para o Corinthians, que vive de títulos, mas vive também de momentos como aquela invasão no Maracanã.

Dec 8, 2014

38 anos da grande invasão corinthiana ao Rio de Janeiro

 

Completou 38 anos, dia 5 último, da histórica “invasão” corinthiana ao Rio de Janeiro, no jogo da semifinal do Brasileirão/76, entre o Timão e Flu. Segundo Celso Unzelte é, ainda, o jogo com maior público da história do Corinthians: 146.043 pagantes. É, também, uma das mais belas páginas de nosso esporte e da vida do Corinthians. O texto que segue é comentário de Nelson Rodrigues, no jornal O GLOBO, sobre o ocorrido. E uma peça histórica, magnífica, orgulho pra todos: corinthianos, tricolores e outros mais.

NELSON E A INVASÃO CORINTIANA

Nelson Rodrigues

1-Uma coisa é certa: – não se improvisa uma vitória. Vocês entendem? Uma vitória tem que ser o lento trabalho das gerações. Até que, lá um dia, acontece a grande vitória. Ainda digo mais: – já estava escrito há seis mil anos, que em um certo domingo, de 1976, teríamos um empate. Sim, quarenta dias antes do Paraíso estava decidida a batalha entre o Fluminense e o Corinthians.

2-Ninguém sabia, ninguém desconfiava. O jogo começou na véspera, quando a Fiel explodiu na cidade. Durante toda a madrugada, os fanáticos do timão faziam uma festa no Leme, em Copacabana, Leblon, Ipanema. E as bandeiras do Corinthians ventavam em procela. Ali, chegavam os corinthianos, aos borbotões. Ônibus, aviação, carros particulares, táxis, a pé, a bicicleta.

3-A coisa era terrível. Nunca uma torcida invadiu outro estado, com tamanha euforia. Um turista que, por aqui passasse, havia de anotar no seu caderninho: –“O Rio é uma cidade ocupada”. Os corinthianos passavam a toda hora e em toda parte.

4-Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha. Na véspera da partida, a Fiel estava fazendo força em favor do seu time. Durmo tarde e tive ocasião de testemunhar a vigília da Fiel. Um amigo me perguntou: – “E se o Corinthians perder?” O Fluminense era mais time. Portanto, estavam certos, e maravilhosamente certos os corinthianos, quando faziam um prévio carnaval. Esse carnaval não parou. De manhã, acordei num clima paulista. Nas ruas, as pessoas não entendiam e até se assustavam. Expliquei tudo a uma senhora, gorda e patusca. Expliquei-lhe que o Tricolor era no final do Brasileiro, o único carioca.

5-Não cabe aqui falar em técnico. O que influi e decidiu o jogo foi a torcida. A torcida empurrou o time para o empate.

6-A torcida não parou de incitar. Vocês percebem? Houve um momento em que me senti estrangeiro na doce terra carioca. Os corinthianos estavam tão certos de que ganhariam que apelaram para o já ganhou. Veio de São Paulo, a pé, um corinthiano. Eu imaginava que a antecipação do carnaval ia potencializar o Corinthians. O Fluminense jogou mal? Não, não jogou mal. Teve sorte? Para o gol, nem o Fluminense, nem o Corinthians. Onde o Corinthians teve sorte foi na cobrança dos pênaltis. A partir dos pênaltis, a competição passa a ser um cara e coroa. O Fluminense perdeu três, não, dois pênaltis, e o Corinthians não perdeu nenhum. Eis regulamento de rara estupidez. Tem que se descobrir uma outra solução. A mais simples, e mais certa, é fazer um novo jogo. Imaginem que beleza se os dois partissem para outro jogo.

7-Futebol é futebol e não tem nada de futebol quando a vitória se vai decidir no puro azar. Ouvi ontem uma pergunta: “O que vai fazer agora o Fluminense?” Realmente, meu time não pode parar. O nosso próximo objetivo é o tricampeonato carioca. Vejam vocês:

– empatamos uma partida e realmente um empate não derruba o Fluminense. Francisco Horta já está tratando do tricampeonato. Estivemos juntos um momento. Perguntei: – “E agora?” Disse – amanhã vou tomar as primeiras providências para o tricampeonato. Como eu, ele não estava deprimido. O bom guerreiro conhece tudo, menos a capitulação. Aprende-se com uma vitória, um empate, uma derrota. Só a ociosidade não ensina coisa nenhuma.

No seguinte jogo, vocês verão o Fluminense em seu máximo esplendor.

NELSON RODRIGUES era tricolor e publicou este texto no GLOBO em 6/12/76, no dia seguinte ao jogo Fluminense x Corinthians.

 

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