Sep 18, 2014

A importância das categorias de Base.

Rivellino no “aspirante” do Corinthians.

O Corinthians anunciou que contratou para a sua categoria de Base um jogador do Fluminense, creio que de nome Gabriel. Pelo que foi dito o contrato terá 3 anos e 50% dos direitos contratuais ficaram com o “parceiro/empresário”. O jogador -é o que diz a mídia- estava dispensado da Base do Flu e o Timão nada terá que pagar ao clube carioca.

Não sei se o rapaz é craque e se tem um grande potencial. Isso é sempre difícil no futebol (especialmente com jogadores de pouca idade), mas tudo mostra que as categorias de Base do Corinthians precisam de reformas profundas.

É de grande importância para qualquer clube popular, especialmente o Corinthians, ter um bom trabalho de formação de jogadores nessas categorias.É um trabalho difícil com todo tipo de problema.

Sempre foi tradição corinthiana revelar jogadores. Algumas vezes vem um craque “fora de série”, como Rivellino. Isso, no entanto, não é a regra e dá um certo desânimo no clube quando não aparecem os grandes jogadores. Mas, respeitando essa lógica do futebol (não há um craque jogando por aí todo dia) a categoria de Base sempre revela -ou revelou- bons jogadores para a equipe principal. É só darmos uma olhada nos diversos times corinthianos ao longo da história que veremos um grande número de jogadores que “nasceram” na Base.

As mudanças na forma de contratação com o fim da “lei do passe”, que a mídia de forma equivocada atribui a Lei Pelé, tornaram mais difícil e complexa a organização e funcionamento das categorias de Base.

A adoção desta politica de “partilhamento” com empresário dos contratos de jogadores mostrou-se um desastre. Serve apenas para lucro dos “investidores” e o retorno para o clube é quase nulo.

Melhor caminho para o Corinthians é ter uma categoria de Base menor -com custos reduzidos- mas com jogadores somente do Timão. É possível isso? Alguns proclamam que não. Os “parceiros”, dizem, chegaram para não mais sair etc. Não sei. Não é o que ocorre nos grande clubes europeus que mantem divisão de base inteiramente sob controle do clube.

O Corinthians -nos últimos tempos- sofisticou a estratégia errônea: abriu um escritório em Portugal para “colocar” no mercado europeu jogadores que não são aproveitados pelo time principal. Além do resultado ser quase nulo para o Corinthians, isso estimula, cada vez mais, uma política equivocada nas Bases do time. O resultado é que o clube contrata com uma “fúria frenética” um sem números de jogadores (com muitos que nem chegam a jogar pela agremiação) que são despachados para a Europa com a grife de ser “atleta do Corinthians”, o clube brasileiro bi-campeão do mundo.

Neste momento de grave crise financeira vivida pelo Corinthians, a Base é um importante instrumento de ajuda para superar as dificuldades. Mas é preciso mudar. E mudar muito.

Em tempo: antes que alguns fiquem revoltados, lembro que nos 4 anos em que fui vice-presidente de futebol profissional, embora tivesse péssima relação com o responsável pela Base, trouxe para o time principal o maior número de atletas já promovidos.

Sep 15, 2014

O Corinthians, seus problemas e caminhos

A profunda crise financeira em que está envolvido o Corinthians não é mais desconhecida por quase nenhum sócio. Após o desesperocídio do presidente Mário Gobbi -iniciado na entrevista ao programa Mesa Redonda da TV Gazeta -muito se tem falado em soluções que o clube deve adotar. Afinal, o presidente, nos últimos 30 dias, mostrou um quadro inteiramente diverso do que era anunciado nos últimos anos. Os “Relatórios de Sustentabilidade”, ricamente ilustrados e amplamente divulgados pelo clube eram -sabemos hoje- um quadro de mera propaganda. Ao dizer que teme não ter dinheiro para pagar a folha salarial nos próximos meses e mostrar o que já consumiu de receita futura, o presidente deu um alerta que assustou todo mundo.

O clube se prepara para ter eleição no mês de fevereiro de 2015 e seria muito importante um correto diagnóstico da crise em que nos encontramos e quais são as soluções para superá-la.

Vejamos alguns dos problemas que devemos enfrentar e que são os motivos desta crise financeira. De início, lembre-se que o Corinthians, assim como todos os clubes, teve grande aumento em suas receitas no período que antecedeu a realização da Copa do Mundo. Este é um caso que dificilmente se repetirá nos próximos anos, inclusive pelas mudanças no quadro macroeconômico do país. Será um período de menores receitas e mais despesas, tudo fruto das ações equivocadas que foram tomadas nos últimos anos.

1- Pagamento de comissões na compra, venda, empréstimos e renovação de contrato de jogadores.

Como agora é reconhecido, o clube passou a adotar nos últimos anos uma política generosa nos negócios do Departamento de Futebol.  Em qualquer operação de compra venda, empréstimos ou renovação de contratos o clube passou a pagar  ”comissões” aos empresários pela conclusão dos feitos. Isso não ocorria no Corinthians e muitos clubes não adotam este sistema, pois ele debilita as finanças de qualquer instituição. Quem deve pagar comissão é o beneficiado do negócio. O jogador que pague seu empresário por ter conseguido um bom contrato. O clube deveria adotar uma linha de clara economia nestas transações. A alegação de que se não pagar, o jogador não renova ou não vem ainda necessita ser provada. Economizar (e economizar muito!) em comissões deve ser a regra. O pior é que esta nova política era escondida do clube. Caso fosse boa esta regra e facilmente defensável, não haveria motivo para ficar na clandestinidade.

2-Parceria com empresários na contratação de jogadores.

O presidente Gobbi confessou na TV Gazeta, que esta politica está errada e tem sido prejudicial ao clube. Adotada nos últimos anos, a “parceria” chegou a um situação insólita: o clube recebe e promove o jogador e quando há uma venda, acaba ficando apenas com migalhas (em muitos casos, com nada). Os “parceiros” quase sempre são os únicos beneficiários. O pior é que isto é adotado, também, nas categorias de base chegando a um quadro desolador, em que promover jogadores passa a ser interesse só dos “parceiros/empresários” e não do clube.

Isso deve acabar. O clube, hoje, quase não tem jogador para ser negociado. Ganhará uns trocados com um ou outro, mas encerrou-se a época em que, com uma venda anual ao exterior, a agremiação colocava suas contas em dia. As categorias de base  (que custam muito ao clube) devem revelar jogadores “do Corinthians” e “para o Corinthians”. Qualquer outro caminho é prejuízo.

3- Adiantamento de receitas da TV e de tudo mais.

O presidente Gobbi disse que o Corinthians adiantou receitas por todo lado. Até fez empréstimo de “parceiros/empresários”. Alegou que seguiu o caminho que outros também trilharam. Ainda que seja isso (e não é exatamente) estamos certos de que este caminho é partir para o pior dos mundos.

O clube não nega hoje o que antes escondia: que em todos os campos existe um saque de receitas futuras. Da Globo adiantou 70 milhões para ser pago nos próximos 3 anos. De outros parceiras seguiu o mesmo caminho. É uma política que apenas adia a crise e não faz o que deveria ser feito: diminuir as despesas.

Esses adiantamentos (hoje em quadro indeterminado) deveriam ser esporádicos e com pleno conhecimento e aprovação de todo o clube. Hoje, temos uma situação de “caixa-preta” que explodirá nos próximos anos, com dívidas que deverão ser honradas quando a atual diretoria não estiver mais por aí. Agrave-se que a política de fazer contratos longos esconde uma armadilha danosa para o clube: é feito um contrato por 5 ou 10 anos, interessado apenas em receber uma grande luva, que permite usar o dinheiro agora e deixa as responsabilidade para o futuro.

A Nike, que já andou “pisando na bola” por aí, deveria refletir que este caminho não é uma boa para uma empresa do seu porte e renome.

3- A crise de transparência é clara.

Não resta dúvida que a principal questão é: “Como o clube foi levado a esta situação com uma política de esconder os problemas?”.

O clube deve adotar regras claras , e obrigatórias, de transparência para garantir uma gestão segura. Não há porque esconder os negócios com parceiros ou as comissões que pagou (ou paga) se estes negócios forem legítimos e não danosos. A grande perplexidade com que foram tomados os associados do clube nas últimas semanas deve-se às informações e incorretas marteladas nos últimos anos. Regular melhor as regras de transparência e deixar claro os adiamantamentos de receitas é uma prioridade numa reforma dos estatutos.

4- Fim do “chapão”: Conselho Deliberativo deve ser  formado por votação proporcional.

Um dos motivos da crise atual deve-se ao fato de que o estatuto adotou o sistema de “Chapão” para a eleição do Conselho Deliberativo, Cori e Conselho Fiscal. Com isso, quem ganha a eleição para Diretoria fica com todo o controle. É necessária uma reforma urgente que estabeleça um sistema proporcional para que haja espaço para os vários grupos do clube. Caso isso tivesse ocorrido, certamente muitos problemas atuais teriam sido enfrentados e resolvidos de outra maneira. Com o sistema de “Chapão”, a Diretoria Executiva controla tudo. E também esconde tudo, como se viu.

5- Não confundir esta crise que nasceu, cresceu e explodiu no Departamento de Futebol (inclusive na Base) com a questão do estádio.

A tentativa de envolver o estádio na crise atual é um equívoco. O estádio tem sua fórmula e caminho para ser pago. E o clube sabia que ficaria sem as rendas do futebol por algum tempo. Isso não elimina as preocupações com a dívida da Arena.

A Diretoria informou que quando a construção for encerrada, colocará na Internet -com todos os detalhes- os valores e itens dos gastos na obra. Isto será positivo e dará uma resposta às questões que a mídia vive colocando.

 6- A dívida com o fisco é um  peso. Grande. Muito grande.

O clube tinha grande esperança na aprovação da lei Proforte, que esta no Congresso. Chutaria para os próximos 30 anos o pagamento dos débitos com o fisco. Não deu tempo. Os débitos e execuções chegaram antes e o clube teve que assumir que não recolhera impostos e que teve que fazer um Refis (que é um sistema de carnê com parcelamento por 15 anos). É mais uma dívida que a atual diretoria deixa para os que vierem. Contrariamente do que foi dito, são parcelas gordas e que afetarão o caixa do clube por longos anos.

Estes pontos aqui tratados não podem ser menosprezados neste momento em que o clube caminha para uma disputa eleitoral. Não vamos transformar este período em acusações frágeis e insustentáveis, mas sim procurar caminhos para não repetir estes erros no futuro.

O clube deve adotar uma rigorosa política de contenção de gastos. Dentro desta ideia, as comissões generosas e os tais salários lunáticos para jogadores e técnicos deverão ser abolidos. As “parcerias” com empresários de jogadores mostraram ser um barco furado. A política de antecipação de receita pouco (ou nada) resolveu. A antecipação de contratos de material e publicidade para receber as luvas é outra medida imprópria. O clube deve ajustar suas despesas em relação as receitas que possui.

Caso isso não seja adotado, caminharemos para uma crise só equiparável a da década de 1930. E isso ninguém quer.

Sep 11, 2014

Uma crise que nasceu no Departamento de Futebol

 

A grave crise financeira do Corinthians (gravíssima, como admitiu o presidente Gobbi) tem um ponto central: foi o Departamento de Futebol, incluindo a Base, que gastou o que não podia e não tinha. Não se trata da contratação de um ou outro jogador,  onde sempre temos o risco do sucesso e do fracasso. Trata-se de uma continuada política de esbanjar dinheiro a torto e a direito.

Coisas que nunca foram práticas  no clube debilitaram as finanças corinthiana: salários lunáticos de jogadores e profissionais da Comissão Técnica e comissões generosas para compra, venda, empréstimo e até renovação de contratos. É claro que sempre seria possível buscar uma economia no clube social e nos demais esportes. Aí, também, gastou sem mais poder.

Mas, foi no Futebol, que o clube perdeu a mão.

As medidas que seguiram para esconder o quadro e adiar a crise só agravaram o estado financeiro. A produção de balanços, com os famosos “Relatório de Sustentabilidade”, hoje, beiram o ridículo. São peças que deveriam ser recolhidas para que a vergonha ficasse menor. A contínua política de antecipar receita de tudo (da Globo, CBF, Federação, Nike e Caixa e outros) só adiam o dia e o tamanho da crise. A história de “parceria” com empresários para comprar jogadores revelou-se um desastre. O clube quase nada ganha e fica como uma equipe de aluguel.

A direção contava com a lei Proforte que iria parcelar os débitos fiscais do clube. Nos últimos anos nada foi pago. Não deu tempo. Os Refis e processos que estão aí só mostram a gravidade da situação.

O clube tem o desafio de, nos próximos anos, viver quase sem receita e com uma dívida parcelada com o fisco que é de abalar qualquer instituição.

Alguns, pouco informados, andaram dizendo que a crise era pela construção do estádio. Nada disso. O estádio é um ônus -que terá que ser pago- mas era previsto e tem uma forma própria para sua liquidação. Querer jogar nas costas do estádio esta crise é uma tentativa de desinformar.

É equivocado, também, querer colocar a culpa da crise no Conselho Deliberativo, Cori ou no Conselho Fiscal. O Corinthians é um clube presidencialista e os órgãos tem a mesma formação politica da diretoria executiva. É certo que houve , uma ou outra, medida destes órgãos cobrando esclarecimentos. Mas a maioria, vinculada a Diretoria, nunca deixou prosperar.

A Diretoria Executiva e os Departamentos de Futebol não podem fugir de suas responsabilidades. Foram eles que erraram e devem ser cobrados.

Sep 8, 2014

Entrevista no Mesa Redonda, da TV Gazeta

Foi ao ar neste domingo a entrevista que você poderá conferir abaixo, a respeito dos problemas financeiro do Corinthians.

Sep 8, 2014

O presidente e a crise financeira do Corinthians

‘Entramos em um quadro caótico’, afirma Mário Gobbi

RAPHAEL RAMOS, VÍTOR MARQUES – O ESTADO DE S.PAULO

 

Presidente do Corinthians abre o jogo sobre a atual crise financeira do futebol brasileiro e assume a sua parcela de culpa

 

 

Por 1h03, o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, recebeu os repórteres doEstado em sua suntuosa sala no Parque São Jorge. Enquanto queimava a vela que o dirigente mantém ao lado das imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora de Fátima, São Jorge, Nossa Senhora Aparecida, São José e outros santos, ele não falou apenas do Corinthians. Falou sobretudo sobre o atual momento do futebol brasileiro e fez seu diagnóstico: os clubes não suportam mais o mercado inflacionado que eles mesmos criaram.

 

 

 

Depois da Copa, abriu-se uma ampla discussão sobre o futebol brasileiro. Como o Corinthians pode contribuir para o debate?

O Brasil precisa rever conceitos e métodos de gestão dos clubes. Passamos por uma crise muito difícil porque deixamos inflacionar as despesas, tudo em busca de querer montar o melhor time. Isso tem de mudar. Não se monta time em três meses. Você tem de dar tempo ao grupo. Foi assim que o Corinthians chegou ao Mundial. O futebol brasileiro vive hoje em um patamar de finanças incompatível com a economia do País. Pagamos salários que não são mais possíveis de os clubes arcarem.

O senhor defende teto salarial?

Se você deixar cada um fazer o que pensa, não vamos chegar a um consenso. Tem de ter regras limitativas. A principal delas é que um clube não pode gastar mais do que recebe. É o que o Proforte propõe, sob pena de o dirigente arcar com o seu patrimônio particular e o clube arcar tecnicamente saindo do campeonato e caindo de divisão. Impor teto salarial é complicado porque cada profissional tem o seu valor. Equacionar isso é difícil, mas a união de todos para buscar uma solução é imperativo.

 

 

MÁRIO GOBBI

Evelson de Freitas/Estadão

Gobbi na sala da presidência do Parque São Jorge: presidente admite que clubes como o Corinthians inflacionaram salários dos jogadores.

 

Qual é o valor ideal de uma folha de pagamento?

Nossa folha é de R$ 8 milhões e teríamos de cortar no mínimo 50%. Temos de adequar os custos à receita atual. É claro que cada clube tem a sua folha de pagamento, mas todos precisam se adaptar à nova realidade financeira do País. Os clubes não suportam mais manter esse ritmo alucinante de contratações e salários de valores exorbitantes.

A Globo chamou os clubes justamente para falar sobre essa questão. Como foi a sua conversa com a emissora?

Em nenhum momento se falou que a audiência caiu e que a Globo queria aumentar a receita dela. A Globo nos chamou para estudarmos medidas para arrumar o desarranjo financeiro pelo qual os clubes passam. A reunião foi para melhorar o quadro caótico em que entramos. Eles querem fortalecer os clubes e cortar a hemorragia financeira para o campeonato ser mais atrativo.

Os clubes menores dizem que a divisão das cotas de transmissão é injusta. O senhor aceita rever esses valores?

As cotas não podem mudar até 2018 porque há um contrato em vigor. É muito cedo para falar sobre isso agora. É claro que quem ganha menos quer ganhar mais e quem ganha mais entende que ganha mais porque merece. É uma discussão sem fim. Podemos sentar e achar outros critérios para, quem sabe, corrigir uma eventual disparidade, mas cada um tem o seu valor e a sua força de mercado.

Uma espécie de Clube dos 13 pode voltar?

A experiência pela qual passamos com o Clube dos 13 foi um fracasso. Todos os clubes estão pagando até hoje uma prestação para saldar o débito que restou lá. A solução está entre nós, não importa a nomenclatura. Temos de sentar com federações, CBF e clubes para formar um esqueleto da gestão necessária para fazer mudanças no futebol. A presidente Dilma Rousseff tem nas mãos a chance de fazer um grande bem para o futebol. O Proforte nada mais é do que equacionar a forma de os clubes pagarem suas dívidas. Não é anistia, nem perdão. Você faz um projeto de lei e envia para o Congresso e, quando chega lá, todo mundo tem uma emenda e não sai nada. A medida provisória é um ato não democrático, mas necessário em uma situação de necessidade.

O Corinthians assume a sua parcela de culpa nesse quadro caótico que o senhor falou?

Na parte financeira, sim. O Corinthians, nos últimos anos, foi a sensação do futebol brasileiro e colaborou para o valor exacerbado a que chegou o patamar de salários, luvas e imagem de técnicos e jogadores.

Contratar o Pato foi um erro?

Compramos o Pato porque o Corinthians precisava de um artilheiro para fazer gols e alavancar as vendas. Ele é um ícone, que depois venderíamos para recuperar o investimento de 15 milhões de euros (R$ 43 milhões). Depois que trouxemos o Pato, o dinheiro começou a sumir do mercado. Isso foi um baque que não só o Corinthians, mas os outros grandes clubes sentiram do mesmo jeito. Quem não comprou o Pato afundou da mesma forma. Temos de torcer para que ele jogue bem e consiga produzir o que pode para a gente recuperar o investimento.

Como o Corinthians pode voltar a revelar jogadores?

O Corinthians revela, o problema é que não vinga. Nem sempre o garoto quando sobe para o profissional consegue render o que jogava na base. O Jô, por exemplo, foi revelado aqui, assim com o Everton Ribeiro e o Willian. Na época, ninguém teve paciência para esperar eles atingirem o patamar em que estão hoje. O mal do futebol é o imediatismo.

Qual é a sua avaliação da temporada do Corinthians?

Começamos a montar um time no meio do Campeonato Paulista e querem que a gente ganhe tudo. O time que estamos montando é muito bom, mas no ano que vem será melhor ainda. Nosso time tem potencial, mas é preciso ter paciência.

Como está a gestão da Arena Corinthians?

O estádio tem uma gestão independente. É incompatível tocar o Corinthians e o estádio. Tem um fundo que cuida de receitas e despesas. Será assim durante os dez anos que temos para pagar as dívidas. Receitas que entram lá ficam lá para abater a dívida. A bilheteria está estourando, temos renda de quase R$ 2 milhões por jogo, mas não entra um centavo para o clube. Vai tudo para amortizar a dívida.

O ex-presidente Andrés Sanchez anunciou que estava de saída da gestão do estádio. Quem será o novo gestor?

O Andrés não se afastou e continua como gestor. É um cargo pesado, estressante. O Andrés vem num ritmo alucinante. Às vezes acaba desabafando, mas foi só isso.

E os naming rights?

Estamos em busca e ele virá. Assinei duas vezes a autorização para o negócio ser fechado, mas não deu certo. Estamos conversando com as empresas.

O senhor diz que mantém uma relação de respeito e diálogo com as torcidas organizadas. Depois de tantos casos de violência, o senhor acha que essas facções respeitam o Corinthians e têm de dialogar com a diretoria?

Não compete aos clubes combater a violência. Se torcedores praticam atos de vandalismo, o aparato estatal tem de investigar e prender. Não vejo problema em receber na minha sala um grupo de torcedores. Aqui, eles se comportam bem. Na testa de cada um não está escrito quem é bandido.

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Sep 7, 2014

Mais um empate

 

No Sul, Corinthians empata mais uma vez no Brasileirão

VÍTOR MARQUES -

ESTADÃO

 

O Corinthians encerrou o primeiro turno do Campeonato Brasileiro com o seu resultado mais comum. O 0 a 0 com o Criciúma, no estádio Heriberto Hülse, em Criciúma (SC), foi o nono empate do time em 19 rodadas. Já são três jogos sem vitória. Dois pontos conquistados dos últimos nove. E com um desempenho como esse até mesmo uma classificação à Copa Libertadores fica ameaçada, apesar de encerrar o domingo em quarto lugar – tem 33 pontos, contra 31 de Fluminense e Grêmio e 30 do Atlético Mineiro.

É certo que os desfalques (seis no total) contribuíram para mais um jogo ruim do Corinthians. O técnico Mano Menezes teve problemas para montar a equipe. Ele não pode escalar seus principais artilheiros no ano (Guerrero, Luciano e Romarinho, negociado com o futebol do Catar).

O treinador surpreendeu escalando o garoto Malcom, de 17 anos, como titular. Mas não foi suficiente para vencer o Criciúma. Sem atacantes no banco de reservas, o time terminou o jogo cheio de meias: Renato Augusto, Jadson e Danilo. Não por acaso a equipe caiu de produção e perdeu o poder de fogo no segundo tempo. No primeiro, ainda houve chance de abrir o placar. Na segunda etapa, nem isso.

O Corinthians demorou 15 minutos para entrar no jogo após uma pressão inicial do Criciúma. Depois, equilibrou e controlou as ações. Mas o domínio foi tímido. O ímpeto do time foi murchando até o intervalo.

O principal problema da equipe de Mano Menezes foi no meio de campo, na armação. O time só jogou pelo lado direito, aproveitando a velocidade de Malcom.

Na esquerda, não havia jogada. Renato Augusto tentou criar jogadas por um setor responsável por Petros. Ao jogar na esquerda, ele deixava vazia a faixa central. Isolado, Romero se preocupou mais em brigar no corpo a corpo, como pivô, e em cavar faltas do que buscar o gol. É muito pouco para quem pretende se firmar como titular quando Guerrero voltar ao time.

Luiz, goleiro do Criciúma, trabalhou mais que Cássio no primeiro tempo. Ele defendeu um chute e uma cobrança de falta cobrada por Fábio Santos. Mas fez bobagem e entregou uma bola nos pés de Malcom. O jovem atacante se precipitou e mandou a bola por cima do gol na melhor chance do Corinthians no primeiro tempo.

Mano Menezes só mexeu no time aos 20 minutos do segundo tempo. Enfim, Jadson entrou no jogo, mas quem saiu foi Malcom – o atacante já havia caído de produção em relação à etapa inicial.

O Criciúma melhorou com a entrada do veterano Paulo Baier. Atacou pelo lado esquerdo, explorando as deficiências de Fagner pela direita. Foi por isso que Ferrugem entrou no jogo no melhor momento do time de Santa Catarina. Cássio ainda fez um milagre desviando um chute perigoso de Paulo Baier. No final, não se pode nem reclamar do placar.

O Corinthians volta a campo nesta quinta-feira contra o Atlético Mineiro, no estádio Itaquerão, em São Paulo, na primeira rodada do returno. Só um jogador retorna ao time: o atacante Luciano. Os outros quatro jogadores que estão defendendo suas seleções não retornarão à tempo de entrar em campo.

FICHA TÉCNICA

CRICIÚMA 0 x 0 CORINTHIANS

CRICIÚMA – Luiz; Luis Felipe, Fábio Ferreira, Alcides (Ronaldo Alves) e Giovanni; Rodrigo Souza, João Vitor, Cleber Santana e Lucca (Paulo Baier); Zé Carlos e Silvinho (Maurinho). Técnico: Gilmar Dal Pozzo.

CORINTHIANS – Cássio; Fagner (Ferrugem), Felipe, Anderson Martins e Fábio Santos; Ralf, Bruno Henrique, Petros (Danilo) e Renato Augusto; Malcom (Jadson) e Romero. Técnico: Mano Menezes.

CARTÕES AMARELOS – Luis Felipe, Maurinho, Cleber Santana, Fábio Ferreira e Rodrigo Souza (Criciúma); Fagner, Felipe e Bruno Henrique (Corinthians).

ÁRBITRO – Igor Junio Benevenuto (MG).

RENDA E PÚBLICO – Não disponíveis.

LOCAL – Estádio Heriberto Hülse, em Criciúma (SC).

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Sep 4, 2014

Comissão por renovar o contrato? Onde isso vai parar !?

 

Agentes cobram até para renovar com atleta. Clubes não querem mais pagar 

 

Ricardo Perrone

 - Goleiro Cássio, do Corinthians, faz uma defesa diante de Titi, do BahiaFriedemann Vogel/Getty Images

 

A cena tornou-se comum em clubes brasileiros, mas quase sempre gera polêmica. O diretor chama o jogador que já tem alguns anos de casa para renovar contrato e no final das tratativas paga 10% do valor da negociação para o empresário contratado pelo atleta.

Casos assim, quando chegam aos ouvidos de conselheiros, geram protestos, acusações de desperdício de dinheiro e até pedidos de investigação interna. Pressionados, diretores de clubes alegam que se tornou normal os atletas passarem para as agremiações a conta que eles deveriam pagar referentes ao trabalho de seus agentes, e iniciam um movimento para tentar colocar fim à prática.

O Corinthians é um dos clubes em que o tema mais causa debates atualmlente. Em julho, o clube renovou com Cássio e Gil, pagando comissão ao empresário Carlos Leite, também remunerado na contratação de Mano Menezes, seu cliente.

Conselheiros da oposição e da situação entendem ser desnecessário pagar um intermediário para acertar com atletas que já estão no time ou para negociar com um técnico que é amigo de outros carnavais do presidente Mário Gobbi.

Há mais casos. Gilmar Veloz, empresário de Tite, velho conhecido do clube, também recebeu comissão na volta do treinador ao Parque São Jorge. Cartolas alvinegros afirmam que até na troca entre Pato e Jadson, que não envolveu dinheiro, precisaram botar a mão no bolso. Contam que pagaram R$ 780 mil de comissão. Essa operação também é alvo de críticas de conselheiros.

“Foi um excelente negócio para as duas partes, uma negociação muito difícil, em que trabalhei muito. Por todo envolvimento, toda repercussão, por todo assunto que gerou para a mídia, o mínimo que eu teria que ter era uma comissão. Acho que foi pouco perto de tudo que isso envolveu. E ainda nem recebi”, disse Bruno Paiva, empresário que intermediou a troca feita entre São Paulo e Corinthians. Ele não revelou quanto sua empresa recebeu pelo negócio.

O clube do Parque São Jorge, como os demais, também paga comissão quando compra o jogador, não apenas quando vende. Para trazer Lodeiro, ex-Botafogo, o alvinegro desembolsou cerca de R$ 1,4 milhão.

“No mundo ideal, não é o clube que deveria pagar comissão quando compra um jogador ou renova. Acho que tem que mudar, mas é assim há muito tempo. Com todos os empresários, a primeira condição numa negociação é pagar a comissão deles. O Roberto [de Andrade, ex-diretor de futebol do Corinthians], dizia que, se você não pagar, o agente leva o atleta para outro clube”, afirmou ao blog Ronaldo Ximenes, diretor de futebol do Corinthians.

Recentemente, o Corinthians  viu a exigência de comissões chegar ao extremo. Na venda do volante Guilherme, agenciado por Giuliano Bertolucci, a diretoria fez as contas e viu que teria prejuízo. Precisaria gastar cerca de 40 mil euros com comissão. A direção, então, bateu o pé para pagar apenas 30% da comissão, já que essa era sua participação nos direitos econômicos do atleta. Os parceiros eram empresários e o BMG. Assim, o alvinegro conseguiu ficar com uma quantia da venda, feita por cerca de 4 milhões de euros.

Os gastos com comissões, já viraram alvo de questionamentos feitos por escrito por conselheiros da oposição corintiana, caminho que o Palmeiras conhece bem, e de longa data. Depois de muito barulho, uma auditoria foi feita e entregue ao então presidente Arnaldo Tirone no final de 2011.

O trabalho da Torga Consultoria mostra que o Palmeiras se comprometeu a pagar R$ 11,7 milhões em comissões para empresários em 29 operações com atletas e na contratação do técnico Luiz Felipe Scolari. Média de R$ 390 mil por negócio. O alviverde remunerou agente até para fazer a troca entre Leo e Leandro Amaro com o Cruzeiro. Só nessa operação, a comissão para três empresas de agentes foi de R$ 850 mil.

“As negociações, chegaram a um nível intolerável. O empresário multiplica o salário do jogador por 13 e pede comissão de 10% sobre o valor total. Quer comissão até sobre o 13º salário. Você acerta, chama a imprensa, diz que o jogador renovou, daí o agente fala: ‘agora quero uma parte dos direitos econômicos’, disse Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba . O dirigente lidera os cartolas nas discussões da lei sobre refinanciamento das dívidas fiscais dos clubes.

Andrade defende que, em conjunto, os clubes deixem de pagar os empresários, repassando a conta aos jogadores. “É um absurdo, o cara é empresário do jogador, então, que receba do jogador. Em média, o gasto com comissões representa 10% das receitas dos clubes. Os dirigentes estão conversando, caindo na real sobre as distorções do mercado. Se todos começarem a deixar de pagar, os empresários vão ficar preocupados”, afirmou Andrade.

Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol do São Paulo, apoia um movimento contra o pagamento de comissões. “No meio empresarial não tem isso. Se eu quero contratar um advogado, contrato um ‘headhunter’ [especialista em encontrar profissionais para empresas], combino um preço e pago pelo serviço dele. Se eu quiser renovar o contrato com o mesmo advogado, não preciso pagar mais para o headhunter”, declarou o dirigente são-paulino.

Guerreiro afirmou que desde que assumiu o cargo, em abril, só renovou o contrato de Rafael Toloi, sem precisar pagar comissão e que vai estudar casos futuros. “Não posso ir sozinho contra a maré. Mas, se o Vilson já levantou essa bandeira [contra as comissões], ele conta com a minha vontade”, completou o cartola tricolor.

Os empresários se defendem. “Se o dirigente chega pra mim e pede ajuda pra renovar o contrato de um jogador que eu represento, então tenho que receber do clube. Já teve casos em que recebi 5% do atleta e 5% do clube porque trabalhei para os dois. O importante é não cobrar porcentagens absurdas” disse ao blog Pepe Dioguardi, agente de Kléber e Ganso, entre outros.

“Existem várias formas de comissão. O jogador pode até pedir 10% a mais e ele mesmo pagar o agente. Depende de como você trabalha. Eu trabalho de forma transparente. Nossa empresa tem uma filosofia de agregar ao produto [o jogador] do clube. Temos assessoria de imprensa, ensinamos a atleta a se posicionar  melhor. A única regra hoje é que os clubes não estão pagando ninguém. Assinam o contrato, mas no dia combinado não pagam a comissão”, afirmou Bruno Paiva, agente que tem Jadson em sua lista de clientes.

http://blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br/

Sep 4, 2014

Duro golpe

Em decisão inédita, STJD exclui Grêmio de torneio por racismo

COPA DO BRASIL
Punido, clube gaúcho irá entrar com recurso e pode paralisar campeonato

ADRIANO BARCELOSDO RIO

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu por unanimidade excluir o Grêmio da Copa do Brasil. Essa é a primeira vez no futebol brasileiro que uma equipe é eliminada de uma competição por conta de atos racistas dos seus torcedores.

“A decisão pode ser considerada a maior punição por atos racistas no futebol brasileiro”, disse o presidente da 3ª Comissão Disciplinar do STJD, Fabrício Dazzi.

O clube gaúcho promete entrar com recurso contra a decisão e pode até provocar a paralisação do torneio.

A punição, decidida nesta quarta-feira (3) depois de um julgamento de quatro horas, se deve aos atos de injúria racial que foram direcionadas ao goleiro Aranha, do Santos, na quinta passada (dia 28).

Com a decisão do STJD, o time paulista, que já havia vencido por 2 a 0 a partida de ida, em Porto Alegre, está automaticamente classificado para as quartas de final.

Segundo o relator do caso, Francisco Pessanha Filho, o fato de o torneio ser disputado no formato mata-mata, com confrontos eliminatórios em dois jogos, foi decisivo para a definição da exclusão.

“Se a mesma infração fosse no Brasileiro [jogado em pontos corridos], a pena seria de perda de seis pontos.”

A perda de pontos foi a opção no caso de racismo contra o juiz Márcio Chagas da Silva, no primeiro semestre. Na ocasião, o Esportivo perdeu nove pontos pelos atos. O clube recorreu, reduziu a punição para três pontos, mas foi rebaixado no Gaúcho.

No julgamento desta quarta, a acusação, representada pelo subprocurador-geral, Rafael Vanzin, lembrou que o Grêmio é reincidente em discriminação racial vinda dos seus torcedores.

Mencionou o clássico Gre-nal de 30 de março, quando o zagueiro Paulão, do Inter, foi hostilizado por gremistas. O episódio rendeu uma multa de R$ 80 mil.

O presidente do Grêmio, Fábio Koff, afirmou que a punição pesaria sobre a história do clube. Mas sua argumentação e o fato de o time ter ajudado na identificação dos agressores não evitou a pena.

Além da exclusão da Copa do Brasil, o time de Porto Alegre foi multado em R$ 50 mil. Os autores dos atos de injúria racial identificados foram proibidos de ingressar em jogos do Grêmio por 720 dias.

Após o julgamento, Koff anunciou que o clube irá recorrer. Um dos advogados do clube, Tiago Brunetto, admitiu pedir a paralisação do torneio enquanto o recurso não for julgado. “Nossa ideia não é tumultuar o campeonato, mas não podemos aceitar que o Grêmio sofra um prejuízo dessa enormidade”, afirmou.

O juiz Wilton Pereira Sampaio foi suspenso por 45 dias e multado em R$ 800 por não ter relatado as ofensas na súmula. Os auxiliares também receberam punições.

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Sep 4, 2014

Vamos prá frente.

Corinthians espanta zebra e chega às quartas de final

COPA DO BRASIL
Time supera Bragantino e espera Palmeiras ou Atlético-MG

ALEX SABINODE SÃO PAULO

O Corinthians nunca foi vítima de uma grande zebra na Copa do Brasil. Não há na vida do clube um ASA, que eliminou o Palmeiras em 2002. Nem um CSA, que despachou o Santos em 2009. Ou o Bragantino, que surpreendeu o São Paulo neste ano.

O time do interior paulista tentou aplicar uma peça nesta quarta (3), no Itaquerão. Saiu com um revés por 3 a 1.

Nas quartas de final, o Corinthians agora espera o vencedor do confronto entre Palmeiras e Atlético-MG. Os mineiros venceram a primeira por 1 a 0, no Pacaembu. O jogo de volta será nesta quinta (4), em Belo Horizonte.

Não houve drama no Itaquerão. Em nenhum momento as 27.817 pessoas no estádio cantaram serem corintianos, maloqueiros e sofredores. A equipe perdera o confronto de ida por 1 a 0, em Cuiabá. Mas no Itaquerão, em 19 minutos, marcou três gols.

O triunfo serviu para mostrar que o Corinthians não tinha motivo para temer os desfalques de Gil, Elias (na seleção brasileira), Lodeiro (uruguaia) e Guerrero (peruana).

Mano Menezes montou esquema com três atacantes e armou uma blitze contra o adversário. O resultado foi imediato. Os gols foram marcados em jogadas pelo lado direito e concluídas por Renato Augusto, Ralf e Felipe.

Em uma partida tranquila, mas a defesa não conseguiu passar 90 minutos sem ser vazada pela sexta vez consecutiva. No segundo tempo, as organizadas chegaram a esquecer o que acontecia em campo e puxaram um canto de “parabéns para você”, homenageando o aniversário do clube. O Corinthians completou 104 anos na segunda (1).

Nos minutos finais, o telão do Itaquerão mostrou os números do jogo. O time do interior tinha mais posse de bola (57% a 43%) e havia chutado mais a gol (12 a 6). Porém, acabou e eliminado. Nem o gol de Guilherme Mattis no final mudou isso.

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Sep 2, 2014

Uma entrevista esclarecedora. E estarrecedora!

O presidente Mário Gobbi deu uma longa entrevista no domingo, na TV Gazeta, no programa Mesa Redonda (Confira aqui trechos da entrevista). Falou de todos os problemas do futebol (e do Corinthians) e deve ter deixado perplexos os corinthianos pouco informados que ouviam aquela singular manifestação.

Falou que o futebol vive uma grande crise; que os clubes estão gastando o dinheiro que não têm; que os salários de jogadores e treinadores estão muito altos; que se não houver mudança, o futebol brasileiro vai ao colapso; que o projeto do governo tem que vir logo, senão a situação será insustentável. Reconheceu que o Corinthians vive uma dura crise financeira; que está sem dinheiro para pagar as próximas folhas de pagamento; que não tem nenhuma receita das rendas do estádio; que a folha “bate em 10 milhões”; que já adiantou receitas futuras da TV, da CBF, da Federação Paulista e de outros parceiros de publicidade e da parceira de uniforme; disse que não deu certo a compra do Alexandre Pato; que a política de parcelamento dos direitos dos jogadores está errada e que isso tudo não pode mais ocorrer, referindo-se ao caso Cléber.

A entrevista toda foi numa linha impessoal, mostrando que os problemas são graves e chegaram sem muita explicação. Indicou que o caminho é mudar tudo.

A fala do presidente provoca espanto pois adota um discurso totalmente diferente do que vem sendo dito ultimamente. Quem recebeu -nos últimos anos- os “Relatórios de Sustentabilidade”, ricamente encadernados e fartamente distribuídos no clube, deve ter visto na entrevista do presidente um pesadelo. Nos grossos cadernos com fotos, gráficos e muitas cores, as prestações de contas indicavam uma situação singular de gestão, sem problemas. Equilíbrio entre receita e despesas e uma contínua melhora nas contas da agremiação. Era tudo um engano, como provam as palavras do presidente na TV Gazeta.

Os problemas não são novos e o atual presidente não pode eximir-se de sua cota (grande) de responsabilidade.

Há quase 7 anos ele dirige o clube (primeiro como diretor de futebol e depois como presidente) e sua autocrítica não elimina suas duras  responsabilidades.

Anunciar que o futebol está em crise e que o Corinthians está no meio desta confusão pouco altera o quadro da realidade. Dizer que há dificuldade para pagar a folha dos profissionais (10 milhões) só mostra a pouca responsabilidade fiscal dos últimos anos. O San Lorenzo, que venceu a última Libertadores, tem uma folha que é de, aproximadamente, um terço da que o Corinthians ostenta. E os gastos corinthianos no futebol são altos porque a diretoria assim decidiu: nosso técnico ganha o dobro (sim, o dobro) de qualquer outro treinador do país. Estava desempregado e conseguiu um precioso acerto com o Corinthians. Os salários de nossos jogadores são de dar inveja a todos. O clube aceitou o pedido feito pelos procuradores dos craques que vestem a camisa corinthiana. O Corinthians adotou uma política de pagar comissões (na compra, venda e renovações) que não era coisa comum no Parque São Jorge e na maioria dos clubes brasileiros. A categoria de base “comprou” um exército de jogadores nos últimos anos, alguns sem nunca terem jogado com a camisa alvinegra. Isso tudo vem sangrando nossas finanças.

É claro que a compra do Pato não deu certo, mas não foi esta a única operação danosa para o caixa do clube. Os pagamentos a jogadores que atuam em outros clubes também comprometem claramente o orçamento.

Reclamar por não ter a receita do novo estádio também não altera nada. Isso era previsto e a Arena teria -e tem- que ser paga.

Ao admitir que o clube vive hoje de adiantamentos de receitas de competições futuras, o presidente poderia ter sido mais claro. Deveria ter dito quanto já gastou dos recebíveis futuros da Globo, da CBF, da Nike, da Caixa, da Federação etc. A informação de que esta prática não é recente e que “só entrei nela” não diminui sua responsabilidade. Primeiro porque quando o clube foi assumido no final de 2007 , havia por volta de 19 milhões em caixa (dinheiro da venda do Willian) e a dívida (parcialmente negociada) chegava perto de 50 milhões. Destaque-se que nos anos que antecederam a Copa, as receitas do futebol deram um salto em todos os clubes. A concorrência da TV elevou os contratos chegando a valores nunca vistos e o equilíbrio orçamentário era perfeitamente possível com aquela situação.

O problema de hoje é o gasto excessivo. Gastou-se de forma errada, como o próprio presidente admitiu.

Quando estava na oposição, o Sr. Mário Gobbi tinha uma receita clara para mudar o clube e chegar-se a um equilíbrio orçamentário. Uma “reengenharia” seria feita e pronto: tudo se resolveria. Ele atormentava o Conselho com longos (e profundos) discursos sobre o que deveria ser feito para mudar a realidade do clube. Nada ocorreu.

A entrevista na TV Gazeta choca muitos corinthianos, especialmente os pouco informados sobre o que se passa nos bastidores.

Tragicamente, a situação é pior do que a revelada pelo presidente. Bastaria ele explicar (sem rodeios) os adiantamentos de receitas e que as cores da crise ficariam mais complicadas ainda.

A entrevista no Mesa Redonda só traz uma conclusão sobre o quadro crítico das finanças do Corinthians. Quem dá esta conclusão é o próprio presidente Mário Gobbi: precisamos mudar tudo. E rápido.

 

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