Jul 21, 2016

O Brasil caminha para ser campeão na Rússia

Meus amigos acham que estou exagerando. Os inimigos acham que estou louco… Mas eu acho que disputaremos para ganhar a Copa do Mundo de futebol em 18, na Rússia.

Minha animação aumentou muito nos últimos tempos.

Assisti a Euro deste ano, vencida pela seleção de Portugal. Sinceramente, tirando a Itália (com seu clássico estilo), foi um torneio com jogos de péssima qualidade e times ruins.

A imprensa vibrou, gritou, aplaudiu de pé etc. Mas não houve nada da grandiosidade que pintaram.

Venceu Portugal, com seu futebol sem brilho. Muito emocionados, eles vibraram muito depois de jogar quase nada.

Nenhum dos craques “fora de série” fez grandes coisas. Foi apenas uma ou outra jogada -mas nada que desequilibrasse o jogo e empolgasse o mundo.

Há um claro nivelamento por baixo.

Vi, também, a Copa América dos EUA. Lá também não houve nada demais.

A seleção brasileira inicia sua nova vida. Tite é um profissional sério, competente e comprovadamente vitorioso. Não quero, com isso, criticar o Dunga, que dirigia o time sob circunstâncias diferentes.

Tite chega com a posição de vencedor e é competente para trabalhar com equipes que não possuem grandes craques.

Estou certo de que -pelo que conheço e sei de Tite- ele se imporá frente aos esquemas que dominam o time da CBF.

Ele sabe que não terá mais Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, Sócrates, Zico etc.  Acima da média só Neymar e Willian. No mais, o elenco é muito parecido com aqueles que atuam no Brasil e no exterior

O time será montado com os “ovos que tem”.

Tite, sendo o grande profissional que é, sabe bem disso.

Depois de superar as barreiras que a CBF sempre apresenta, ele poderá montar um time competitivo, aguerrido, organizado e vencedor, assim como fez no Corinthians nos últimos anos.

Acho que vamos chegar na Rússia com chances de vencer.

Que Tite consiga colocar seu time em campo com o espírito que gosta.

Jul 19, 2016

Livro Casagrande & Sócrates

 

 

CASAGRANDE RELEMBRA DEMOCRACIA E REVELA BAQUES NA AMIZADE COM ‘ÍDOLO’ SÓCRATES
18 DE JULHO DE 2016

POR VINÍCIUS SOUZA
Ídolo da Fiel, Casagrande lançou novo livro no Memorial do Corinthians no último fim de semana
Ídolo da Fiel, Casagrande lançou novo livro no Memorial do Corinthians no último fim de semana

Uma relação entre pai e filho. É assim que Walter Casagrande Júnior, o Casão, define o início de sua amizade com Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ou simplesmente Sócrates. Jogadores do Timão no início da década de 80, o centroavante e o meio-campista ganharam o coração da Fiel pela parceria dentro das quatro linhas. Fora delas, tiveram papel fundamental na construção da Democracia Corinthiana, período em que os atletas davam as cartas no clube.

No entanto, para que o movimento democrático não caísse por terra, os resultados em campo tinham de aparecer. “O governo da ditadura militar era contra a gente, tentavam nos boicotar de todas as maneiras. Existiam, na época, jornalistas que eram favoráveis à ditadura que também prejudicavam a gente, éramos perseguidos nas ruas (…). Como a gente podia combater isso? Jogando futebol com o time ganhando”, conta Casagrande em entrevista exclusiva ao Meu Timão.

Durante evento de lançamento do seu novo livro “Sócrates & Casagrande – Uma História de Amor”, na manhã do último sábado, no Parque São Jorge, o ex-camisa 9 recordou o início da carreira no Corinthians, o primeiro contato com o “ídolo” Sócrates e o rompimento da dupla que ergueu dois Campeonatos Paulistas (1982 e 1983) pela equipe alvinegra. Sincero, Casão abriu o jogo sobre sua dependência química e revelou ter se chocado duas vezes com atitudes de Magrão, que faleceu no dia 4 de dezembro de 2011 em decorrência do alcoolismo. Acompanhe:

Gilvan Ribeiro (à esq.), escritor, e Casagrande – Foto: Vinícius Souza/Meu Timão

Em 2013, você e o Gilvan Ribeiro lançaram o livro “Casagrande e Seus Demônios”. De onde surgiu a inspiração pra continuar essa parceria?

Walter Casagrande – O primeiro foi um livro diferente, foi um livro da minha história mesmo, baseado nas minhas dificuldades com as drogas, com outro foco. E ele até se definiu um livro mais de ajuda. Ele foi bem sucedido, e eu tinha outras ideias. Quando tive a ideia de fazer Sócrates e Casagrande, eu procurei o Gilvan rapidamente, ele topou fazer e o livro foi realizado. Não tem o que mudar, time que tá bom não se muda. Então, se eu for lançar um livro daqui pra frente, o Gilvan é meu parceiro ideal.

Por que deu tão certo a parceria Sócrates-Casagrande?

Várias coisas né, tem vários fatores. O que iniciou isso foi a minha idolatria pelo Sócrates como jogador. Quando eu era juvenil, eu era fã do Sócrates, ficava assistindo aos treinos, vendo o Sócrates treinar, tinha o sonho de jogar no Corinthians com o Sócrates, mas era um sonho de garoto, eu não pensava que ia se realizar. Quando se realizou, na primeira vez em que nós jogamos, nos entrosamos maravilhosamente bem no campo, foi uma coisa absurda, parecia que jogávamos juntos há dez anos. Me entusiasmou muito aquilo e deve tê-lo entusiasmado também. Aí nós fomos descobrindo coisas parecidas: filosofia de vida, ideologia política, preferências sociais, culturais, a própria musica. Apesar dele gostar mais de sertanejo, ele era eclético, gostava de vários tipos de músicas. Eu era mais radical, gostava mais de “rock and roll”, fui ficando eclético com o passar do tempo. Então tudo isso nos uniu, as nossas conversas eram interessantes, a nossa aparência… Ele sempre me falava assim: “Pô, Big, você sou eu com 18 anos”. E é claro que eu olhava pra ele e falava: “Eu quero ser esse cara com 27”. Isso dava uma aproximação emocional e sentimental muito grande. Foi o peso da parceria.

A Democracia Corinthiana não foi apenas um marco na história do Corinthians, mas na do país. O fato de vocês terem conseguido o bicampeonato paulista de 82 e 83, uma competição tão importante na época, corroborou pra isso?

Claro. O processo da Democracia Corinthiana foi muito importante para a história política do país, para a história política, sem falar de futebol. Só que tudo que você tenta fazer no futebol, todo o processo novo que se entra no futebol depende muito de resultado. Se o time não ganha, qualquer tipo de processo acaba, não dá pra dar andamento, e naquela época a gente tinha muita consciência disso, isso era uma das coisas mais importantes do processo da Democracia. Os jogadores da época tinham plena consciência de que nós tínhamos que jogar bem para aquilo andar, não tinha outra escolha. O governo da ditadura militar era contra a gente, tentavam nos boicotar de todas as maneiras. Existiam, na época, jornalistas que eram favoráveis à ditadura que também prejudicavam a gente, éramos perseguidos nas ruas, alvos de qualquer tentativa de desmoralização pessoal e da Democracia. Como a gente podia combater isso? Jogando futebol com o time ganhando, jogando bem, tendo grandes vitórias. Durante a Democracia Corinthiana tiveram várias tentativas de golpe, e sempre a gente resolvia no campo. Nós nunca brigamos com as pessoas que queriam nos derrubar, íamos para o campo e ganhávamos o jogo. Foi assim com o Vicente Matheus (ex-presidente do Corinthians). No início dos anos 80, ele estava tentando dar um golpe na Democracia, nós fomos ao Pacaembu e ganhamos do Juventus e de 5 a 1 do Palmeiras, o golpe foi por água abaixo. Então o resultado do campo era muito importante.

Falando especificamente de uma passagem do livro, você conta o quanto ficou chateado ao saber que, mesmo depois de operado, Sócrates não admitia a dependência química. Isso foi o que mais te machucou no relacionamento com ele?

Teve duas coisas que eu fiquei chocado, não fiquei magoado com o Magrão, fiquei chateado. Quando fui visitá-lo no hospital, no primeiro dia eu não consegui vê-lo, ele estava em coma, no segundo eu consegui, mas ele estava em coma ainda, e no terceiro ele estava acordado e nós conversamos. Quando entrei no quarto, ele falou exatamente isso: “Porra, Big, pensei que eu fosse morrer, mas eu tô pronto pra outra”. Aquilo ali me chocou porque ele não estava pronto pra outra, aquilo me demonstrou que ele não estava percebendo a gravidade da doença dele. Passando isso, nós nos encontramos no programa Arena SporTV, e ele teve uma fala durante a entrevista que também me chocou: “Eu não sou dependente químico, eu não sou alcoólatra, vou parar agora de beber tranquilamente, não tenho nenhum problema”. Isso é um puro processo de negação da doença, estou falando com profundo conhecimento porque sou dependente químico. Fiquei internado um ano pra me cuidar de drogas, faço terapias, me trato ainda e vou me tratar a vida toda. Faz dez anos que eu faço tratamento, tenho acompanhamento terapêutico, tô aqui no lançamento do livro com um psicólogo, porque a emoção é grande. Você se altera um pouco, depois tenho o psicólogo do lado pra conversar e baixar a bola. Tudo isso eu faço exatamente pra que eu consiga me manter em controle da minha vida e da minha doença. E foi exatamente o contrário o que ele falou: “Eu não sou alcoólatra”. Aquilo me chocou porque não ia dar tempo dele entender, não deu tempo dele entender. Na realidade me chocou as duas coisas, mas na minha cabeça eu falei assim: “Pô, esse cara não percebeu ainda, mas nós vamos ter outras possibilidades, nós vamos sentar pra almoçar, vamos sentar pra conversar e eu vou conseguir ajudá-lo e mostrá-lo que ele é doente e tem que se tratar”. Só que não deu tempo, né? Ele morreu muito antes disso…

Se você pudesse mandar um recado pra Fiel, qual seria?

Quero mandar um abraço, agradecer a presença de todo mundo, o interesse pelo livro. O livro não é só a história de Sócrates e Casagrande, só uma história de amor entre Sócrates e Casagrande. É uma história do amor de Sócrates, Casagrande e Corinthians. Então um abraço a todo mundo, aos corinthianos, e vamos só torcer, vamos deixar de lado a violência nos estádios, porque isso não faz parte mais do mundo. Pega a frase “uma história de amor” e vai torcer com amor pelo seu clube, pelo Corinthians obviamente. Mas sem pensar em violência.

www.meutimao.com.br

Jul 16, 2016

Atrasos e prejuízos

Corinthians diz que localização da arena foi fator negativo para eventos

CAMILA MATTOSO
DE SÃO PAULO

Em documento enviado à Caixa Econômica Federal para pedir a suspensão temporária dos pagamentos referentes a empréstimo com o BNDES, o Corinthians e o fundo que gerencia a arena em Itaquera afirmam que o atraso das obras por parte daOdebrecht causou “um impacto bastante negativo” na capacidade de geração de receita.

Eles afirmam, ainda, que superestimaram as receitas e não dimensionaram as despesas corretamente.

São esses os fatores que eles usam para pedir a extensão do prazo de carênciapara pagar o empréstimo por mais 17 meses –a Caixa, que é o banco repassador dos R$ 400 milhões do BNDES, ainda não respondeu ao pedido epede mais garantias para poder atender o pedido.

No documento, em uma longa apresentação, o fundo e o Corinthians explicam ponto a ponto o que na arena atingiu as expectativas e o que ficou aquém do previsto.

Um dos itens destacados é o de “eventos e locação”. Eles explicam que o atraso das obras pela Odebrecht também inviabilizou a utilização das áreas no ano de 2015.

O documento destaca ainda o que eles chamam de “feedback negativo do mercado”, ou seja, motivos que causaram pouco interesse para potenciais locatários: a localização do bairro e a não utilização do gramado.

Como positivo listam fácil acesso pelo metrô, espaços surpreendentes em capacidade e qualidade, oportunidade de vários tipos de eventos e amplo estacionamento.

O total de contratos fechados até julho de 2015, segundo o mesmo documento, foi de R$ 45 mil. A receita projetada até o final do ano passado era de R$ 375 mil, já considerando receitas “reais”. Para o ano de 2016, a arrecadação esperada é de exatamente o dobro.

Procurada pela reportagem, a construtora Odebrecht disse que não comentaria.

O Corinthians, por sua vez, afirmou que responderia, mas não se manifestou até o encerramento desta edição.

AUDITORIA

Há uma auditoria em andamento que tenta verificar exatamente o que foi feito e o que não foi em relação ao projeto acertado com a Odebrecht no contrato firmado para a realização das obras. Não há prazo para a finalização desse levantamento.

Andrés Sanchez, ex-presidente do clube e responsável por acompanhar as obras do estádio, afirmou em outras ocasiões que cogita pedir desconto se a auditoria mostrar que nem tudo o que era previsto foi feito pela Odebrecht.

Como mostrou a Folha no dia 9 de julho, o clube vai desembolsar, ao final do pagamento de todo financiamento, em 2028, ao menos R$ 1,64 bilhão, contando juros de todas as operações de empréstimos, inclusive o do BNDES.

folha.com.br

Jul 14, 2016

Não ao Chapão

 

Um grave problema dentro do Corinthians é o mecanismo de eleição do Conselho Deliberativo do clube. Com o atual sistema, são formadas chapas com 200 candidatos, vencendo aquela que tiver a maioria de votos.

Assim, se uma chapa tiver apenas um voto a mais do que a outra, ela elegerá todos os conselheiros do clube pelo período de 3 anos.  Na última eleição, a chapa do atual grupo dirigente venceu por 57 a 43% dos votos. Todos os conselheiros eleitos foram da situação e a oposição ficou de fora do Conselho, contando apenas com alguns vitalícios.

E aí que aparecem os problemas. O Conselho Deliberativo (que deveria fiscalizar a gestão da Diretoria Executiva) torna-se um órgão travado, não dando nenhuma possibilidade para que a oposição possa atuar. Contra a diretoria, há apenas um ou outro voto -que não altera em nada os resultados das votações.

Este sistema contamina, também, outros órgãos do clube: o Cori (Conselho de Orientação) e o Conselho Fiscal também estão submetidos à maioria construída na eleição.

No último pleito quase todos os participantes da campanha pregaram o fim do sistema de Chapão. Quase todos defendem um sistema proporcional de eleição do Conselho Deliberativo.

Pelo sistema proporcional, quem tiver 60% dos votos, elegerá 60% dos conselheiros. Quem tiver 40% terá também sua representação proporcional.

Embora a maioria defenda a mudança para uma situação mais democrática, a verdade é que muitos não querem que isso aconteça. O atual grupo dirigente tem um discurso para a “platéia” e uma postura bem diferente no mundo real. Muitos e importantes dirigentes não querem mudar nada.

Seria muito bom para o Corinthians um avanço como esse. É só olharmos o que ocorre com as denúncias que apareceram nos últimos tempos para concluir que o sistema do Conselho precisa evoluir.

É um caminho natural nos clubes e na política. A situação não vive de investigar.

Somente com a adoção de um sistema proporcional para a eleição do Conselho Deliberativo, o Corinthians evoluirá para ser um clube mais transparente e democrático.

É o que muitos esperam: Não ao Chapão. Sim ao sistema proporcional.

 

Jun 28, 2016

A Inglaterra abala o mundo… do futebol.

A decisão da Inglaterra de dizer adeus à Comunidade Econômica Européia trouxe todo tipo de preocupação, inclusive no futebol.

O campeonato inglês -a tal Premier League- é o mais badalado do mundo, e seus jogos são transmitidos para todo planeta.

Nenhum outro campeonato tem tanto dinheiro, com cotas de TV’s milionárias, anunciantes que pagam o olho da cara e elencos com grandes craques (com seus salários monumentais). Todos esses ingredientes levam a um quadro único no futebol mundial.

Com a saída da Inglaterra da CEE, essa situação pode sofrer uma mudança brutal.

A força econômica do campeonato traz atualmente jogadores de todos os cantos do mundo por valores cada vez mais assustadores.

O jogadores com passaporte de países europeus têm entrada livre na Inglaterra. E eles (portugueses, romenos, franceses, espanhóis etc) se juntam a uma competição que congrega jogadores do mundo todo.

Porém, quem não é da Europa tem restrições para jogar nas equipes inglesas. Os jogadores de fora precisam ter certo número de convocações de suas seleções nacionais para serem contratados, o que limita muito as transferências diretas para a ilha inglesa.

A saída da Inglaterra da CEE muda tudo.

Espanhol é espanhol, romeno é romeno. Todos eles terão as mesmas restrições de brasileiros, argentinos e chilenos.

O impacto dessa mudança será grande porque muitos jogadores usam países europeus mais frágeis para “conseguir” a cidadania que abre as portas da Inglaterra. Portugal é um exemplo desses países “intermediários” que servem como trampolim para a cidadania européia. O mesmo acontece com Espanha, Romênia, Albânia etc.

Latinos e europeus terão seus caminhos para Inglaterra dificultados pelas mudanças anunciadas.

Isso terá grande impacto sobre os negócios do futebol.

Mas a Premier League continuará a ser grande. Os clubes ingleses continuarão com investimentos astronômicos (e inexplicáveis), transferências sem lógica financeira e salários malucos.

Igualmente, seus clubes continuarão a ser uma interrogação financeira com -todo ano- apresentando prejuízos enormes (alguns clubes ficam no vermelho por mais de 10 anos) e seus donos continuam colocando cada vez mais dinheiro.

Os oligarcas russo, nobres árabes, e novos ricos da Ásia não se preocupam em investir e ter prejuízo. É isso que dizem os seus balanços anuais que ninguém entende.

Para a América Latina e África, a Inglaterra não muda muito. Apenas não valerão mais os passaportes portugueses, espanhóis, romenos e poloneses, que muitos conseguiram nos últimos anos.

Para os ingleses, a saída da Comunidade Européia é tão preocupante quanto a eliminação da Euro Copa pela vibrante equipe da Islândia.

Jun 21, 2016

O grande Tite

O técnico Tite deixa o Corinthians repleto de elogios, para ir treinar a seleção brasileira. Nas últimas décadas já são quatro técnicos que seguiram por este caminho: Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira, Mano Menezes e, agora, o Tite. Parece até destino: treinadores que vencem no Corinthians chegam à seleção.

Tite foi grande no Corinthians não só pelos títulos conquistados, mas também pelo trabalho que realizou.

Porém, Tite foi um vencedor e merece também o aplauso de todos os corinthianos por conta dos inúmeros títulos que venceu. Ele ganhou tudo.

Tite também deixa a marca de um profissional de raras qualidades: trabalhador, eficiente, sério (num mundo onde poucos são), estudioso e corajoso.

Sua saída não foi uma surpresa para os que acompanham o Corinthians. Estava claro que seu ciclo caminhava para o fim. Por várias vezes ele foi sondado para ir trabalhar na seleção, mas sempre resistiu. Sua etapa no Corinthians tinha ainda alguns desafios a serem superados.

Neste momento, já não é este quadro. Em várias oportunidades, ele viu seus principais jogadores deixarem o clube. Não faltou a ele coragem para reformular o elenco, que nem sempre tinha reposições à altura. Isto foi acontecendo cada vez com mais frequência.

Tite sempre deu grande importância ao “espaço” dos jogadores e dos técnicos no futebol. Um incidente com a direção já o havia levado a deixar o clube quando de sua primeira passagem pelo Parque São Jorge.

A reunião de jogadores com membros da torcida organizadas no último mês recebeu de Tite um silêncio ensurdecedor. Mesmo tendo sido promovido pela direção, tal fato não é bem visto por jogadores e, especialmente, pelo técnico Tite.

Tudo isso, junto com mais alguns itens menores, deixou Tite numa posição nova: a de que seu ciclo no Corinthians chegava ao final.

Apareceu o convite da CBF e, agora, diferente de outras vezes, a resposta foi positiva.

Todos nós, corinthianos, agradecemos ao Tite pelo grande trabalho que foi realizado na nossa esquadra.

E desejamos a ele um sucesso igual ao que teve no alvinegro.

Boa sorte, Tite.

 

Jun 8, 2016

Torcida única é o pior caminho

Os clássicos no futebol paulista, por decisão da autoridades, terão torcida só do time da casa. Chegaram a esta alternativa as nossas autoridades, cansadas com as constantes brigas entre torcidas organizadas que, além das confusões, estavam provocando cada dia mais mortes.

Jogo só com uma torcida é uma completa derrota do futebol.

Essa solução é a anti-solução. Mata o futebol e sua alegria de torcer.

O melhor caminho seria acabar com as divisões entre as torcidas. Assim como mostrou o jogo do último domingo em Brasilia, entre torcedores comuns não há problema.

Quem quer a separação são as “organizadas”.

Muitas vezes fui ao Pacaembu assistir jogo do Corinthians contra o palestra e o tricolor, e todos dividiam o mesmo espaço. Era um convívio obrigatório -e o melhor era festejar quando vencia e ter que “aguentar” quando a derrota acontecia.

A separação de torcidas cria “tribos” que querem, a todo momento, brigas e mais brigas.

A solução de torcida misturada é adotada em muitos países e mostra-se a melhor solução.

É o que deveríamos adotar por aqui.

Venda de ingressos só pela internet e com torcedores misturados.

As autoridades paulistas erraram quando separaram as torcidas e erram agora quando adotam o sistema de torcedor único. Não é este o caminho.

Ou o futebol ficará uma coisa chata e cada vez mais com menor número de torcedores.

 

May 25, 2016

Novo governo, velho futebol

O Brasil vence a Sul-americana de 1919, a primeira grande vitória de nosso futebol.

 

 

Sempre que um novo governo assume seu trabalho, o mundo do futebol (e do esporte em geral) alimenta esperanças de mudanças e progresso.

O governo Temer -que não é tão novo assim- não traz qualquer expectativa de novos ares para o esporte nacional.

O “mundo” do futebol é sempre um “estado” à parte da nação.

A paixão pelo jogo de bola trazido da Inglaterra estabelece um muro que muito tem contribuído para nosso atraso nesta área.

As importantes vitórias de nossos times -iniciadas em 1919- foram construindo uma cultura que é típica do futebol.

A linguagem sintetizada que marca os “boleiros” e até a constituição de dirigentes “folclóricos” vão fazendo o futebol um mundo descolado de tudo.

A própria mídia esportiva tem um espaço próprio, quase segregado dos demais setores e muito resistente a mudanças.

Sustentado por vitórias constantes, o futebol é um convite à estagnação e ao reacionarismo.

Qualquer ideia nova ou qualquer opinião diferente é de pronto afastada do mundo do futebol.

Lembro bem quando assumi a vice-presidência de futebol do Corinthians, no final de 2001, e disse à imprensa que eu achava “papo furado” esse negócio de “co-irmãos”. Até dentro dos dirigentes do clube alvinegro fui criticado. Havia -segundo queriam me fazer crer- um ritual de elegante nas relações entre os clubes, embora eles se odiassem o tempo todo e procurassem um “passar a perna ” no outro. Nunca aceitei esta formal ideia.

Há quase sempre um discurso padrão de jogadores, técnicos e dirigentes. Se algum diz algo fora das fórmulas aceitas, o “mundo” do futebol procura expelir esses diferentes.

Em quase todos os clubes, federações e na CBF quase todos os dirigentes se apresentam como ricos empresários que chegaram ao futebol para salvar o esporte. Alguns, procuram divulgar histórias que dizem que eles são beneméritos e que doaram dinheiro aos clubes. Nunca vi isso.

É claro que nosso futebol precisa de mudanças urgentes.

O desastre da Copa deveria servir para buscarmos caminhos novos.

As mudanças possíveis no futebol vêm por dois campos: pelos clubes e pelo governo.

As grandes equipes do nosso futebol vieram -quase todas- de clubes sociais. Por esta razão, em muitos casos desta área o país sempre encontra experiências positivas de mudanças. Nas áreas políticas dos clubes é possível encontrar ideias de mudanças, mesmo que limitadas.

As federações e Confederação são estâncias duramente conservadoras. Não querem mudar nada. A única preocupação é em manter os dirigentes nos postos “trabalhando” pelo Brasil. São um exército do atraso.

Aí entra o governo. Quando a política abre espaço para mudanças, aparecem leis renovadoras em nosso futebol.

Os últimos governos pouco ajudaram, mesmo com o surgimento de boas iniciativas em alguns momentos. Com falta de apoio, quase todas as boas ideias ficaram incompletas -ou fracassaram completamente.

Foi assim no governo Fernando Henrique, no governo Lula e e na gestão de Dilma. Uma ou outra medida positiva e muito retrocesso.

O que segura os governos nas iniciativas de mudanças é o grande envolvimento com o Poder das federações e da CBF.

Desde a gestão do ex-presidente Ricardo Teixeira, o “envolvimento” do Estado mostra um trabalho eficiente para segurar as mudanças.

Governos de esquerda e de direita -isso não importa para o futebol- todos seguem apoiando o quadro da forma como ele é.

Mesmo aqueles que se dizem (ou se diziam) de esquerda e que criticavam os rumos do futebol mudaram seus discursos e seus amigos ao chegar no poder.

O governo que aí está tem tudo para ser o mais do mesmo para o futebol.

Seria uma surpresa para todos se iniciarmos um caminho de reformas para nosso principal esporte.

Vamos torcer por mudanças. Torcer, quase sem esperança.

May 10, 2016

As parcerias e a promiscuidade

Rivellino, a maior revelação da base corinthiana

 

Quando o clube adotou, há alguns anos, o sistema de “parcerias” nas categorias de Base ficou claro que o resultado não seria positivo.

Agora, com as denúncias de “compra de cartas” e dinheiro para dirigentes do clube, o problema fica maior, mas há qualquer surpresa.

Já era patente que o Corinthians pouco (ou nada) ganhou com a intromissão de “empresários” em contratos de jogadores. Bastava observar o resultado das negociações: o Corinthians ficava sempre com um pingo de dinheiro (e algumas vezes sem nada) no mesmo momento em que os tais “parceiros” enchiam os bolsos.

Nas atuais circunstâncias, nem conseguimos revelar jogador nem, tampouco, ganhar dinheiro com os resultados da base.

Com as recentes denúncias dos empresários envolvidos neste sistema (e até prejudicados, segundo dizem) o problema fica ainda mais grave.

O que nos mostra este imbróglio é que foi extinta a separação entre clube, jogador e empresário. Já não é possível distinguir os interesses do clube dos interesses dos “empresários” -palavra usada agora como mero eufemismo, visto que nem sempre são conhecidas as suas empresas.

Este estado de promiscuidade acaba provocando acontecimentos como os que se desenrolaram nos últimos dias. Não sabemos mais onde começa o clube, nem onde e entra os dirigentes e empresários.

O clube deve apurar e revelar tudo o que ocorreu, mas deve também mudar a política da categoria de base a fim de acabar, de uma vez por todas, com o atual modelo de gestão.

Negociações só podem ser feitas para trazer dinheiro para o clube e para ninguém mais.

Sendo assim, este estado promiscuo deve acabar o quanto antes. É para o bem do futebol.

Apr 25, 2016

O futebol e o povo brasileiro

 

Poucas semanas antes da Copa das Confederações, em 2013, o Brasil vivia em “céu de brigadeiro”.

Tudo estava às mil maravilhas. A presidente tinha 72% de aprovação em todas as pesquisas, do DataFolha ao Vox Populis.

O país crescia e se preparava para realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

As críticas e protestos eram isolados. Um despejo de moradores de local próximo do evento, uma crítica ou outra aos preços dos estádios, etc. Mas o clima era de euforia.

Aí, começaram os jogos da Copa das Confederações e os estádios foram inundados de… vaias aos governantes.

Nos primeiros dia, a justificativa oficial foi de que o público dos estádios não era representativo do Brasil. Naquelas novas Arenas estavam apenas uma “elite” econômica que não era a “voz” da rua.

Em seguida começaram, tímidos, os movimentos contra o aumento de preço das passagens dos ônibus. O governo federal foi logo dizendo que era a repressão policial que alimentava as manifestações convocada por jovens.

O governo prometeu gastar mais em transportes e as vaias nos estádios continuaram, mesmo em choque com a “grande aprovação” da presidente nas pesquisas.

As manifestações viraram e pegaram os slogans da Copa. O povo começou a dizer que queria “Saúde padrão Fifa”,”Educação padrão Fifa” “transportes padrão Fifa”, etc.

Veio a Copa e o tsunami de vaias continuou. O ponto mais constrangedor foi a presidente “ser escondida” na Arena Corinthians, na abertura da Copa, num vexame só comparado a quando a presidente não foi na final desta competição.

Com muita sorte -e uma equipe de propaganda eficiente- a presidente foi reeleita contra um candidato que perdeu em seu estado após ser governador por 8 anos. Contou, também, a morte do candidato Eduardo Campos que construiria uma alternativa que o país tanto precisava e precisa ainda. A candidata alternativa concorrente foi destruída por uma campanha de desqualificação poucas vezes vista.

Venceu e esqueceu das vaias nos estádios.

Bobagem. No estàdio – onde, como diz o pessoal do futebol, que se vaia até minuto de silêncio – se continuava a mostrar que no Brasil profundo o quadro ia de mal a pior.

A operação “Lava-jato” passou a mostrar que a Petrobras tinha sido quase destruída por um esquema para financiar partidos, eleições e comprar votos do Congresso como nunca tinha ocorrido.

Sempre por lá houve problemas. Mas nunca foram como os revelados pela “Lava-Jato”.

O governo não aprendeu uma lição: nunca esqueça as vaias nos estádios.

Ali está o povo brasileiro no seu mais perfeito retrato.

 

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