Nov 8, 2016
admin

A Arena e a auditoria

Corinthianos e Corinthianas,

Muito se falou na mídia, ao longo das últimas semanas, acerca da Arena Corinthians. Boa parte das informações estão desencontradas ou confusas.

A direção do clube pouco se comunica.

Desta maneira, como conselheiro membro da oposição, vi por bem comentar alguns pontos importantes sobre o assunto.

Por favor, assista o vídeo abaixo.

Nov 6, 2016

Time perdido e sem rumo em campo. E fora dele também

CORINTHIANS SOFRE GOLEADA

POR MEU TIMÃO

Corinthians tem noite apática e termina clássico com derrota por 3 a 0
Corinthians tem noite apática e termina clássico com derrota por 3 a 0

Um tabu de 13 anos no Campeonato Brasileiro foi encerrado hoje no estádio do Morumbi. Pela competição nacional, a equipe alvinegra não perdia para o rival na Vila Sônia desde 2003. Porém, a noite apagada do elenco corinthiano fez com o São Paulo vencesse o jogo por 4 a 0.

Na 34ª rodada da competição, o Timão precisava da vitória para não se afastar do G6, conseguindo assim a classificação para a Libertadores 2017. Para o São Paulo, a partida valia a garantia quase matemática de se livrar do risco de rebaixamento. O insucesso do jogo distanciou a equipe da zona de classificação e correndo risco de ser ultrapassada na tabela por Fluminense e Grêmio.

Nesta noite vexatória, Oswaldo de Oliveira entrou em campo no 4-1-4-1, com a seguinte equipe: Cássio; Fagner, Vilson, Balbuena e Uendel; Willians; Romero, Giovanni Augusto, Rodriguinho e Marquinhos Gabriel; Guilherme. Os 11 titulares, porém, parecem não ter entrado em campo.

Primeiro tempo

O jogo começou morno, com as duas equipes mostrando as limitações criativas no campo ofensivo. A equipe do São Paulo, empurrada e ao mesmo tempo pressionada pela torcida, subia ao ataque de maneira temerária.

O Corinthians, por sua vez, se organizava para responder às investidas no contra-ataque, mas acabou recuando demais para o campo defensivo. Assim, acabou sofrendo o revés aos 11 minutos, quando o juiz da partida decretou pênalti para o adversário.

Momento do pênalti de Fagner em Kelvin; jogador contestou
Momento do pênalti de Fagner em Kelvin; jogador contestou marcação

No lance, Kelvin perde o domínio da bola e aguarda a falta. Os jogadores do Corinthians criticaram muito a marcação e no intervalo da partida, o lateral Fagner negou veementemente o toque no adversário. Pela reclamação após a marcação, Vilson foi advertido e vira desfalque para a próxima partida.

Jogadores do Corinthians reclamam da marcação do pênalti
Jogadores do Corinthians reclamam da marcação do pênalti

Cueva cobrou e converteu. Após o gol, a torcida são-paulina acendeu sinalizadores e o jogo ficou parado. Durante o decorrer da primeira parte do jogo, foram várias as paralisações para que os artefatos levados pelos torcedores fossem apagados.

Por conta disso, a arbitragem prometeu 3 minutos de acréscimo. Porém, Claudio Francisco Lima e Silva, árbitro principal da partida, encerrou a partida um minuto mais cedo do que havia estipulado, terminando a etapa no meio de um promissor ataque corinthiano.

Segundo tempo

O Corinthians voltou com mudança: Guilherme Arana voltou no lugar de Uendel, que chegou a ser dúvida na semana por questões médicas. De volta, as interrupções no jogo continuaram: a partida foi descontinuada mais uma vez.

Sinalizadores foram acesos durante toda a partida, que teve várias paralisações
Sinalizadores foram acesos durante toda a partida, que teve várias paralisações

O clima de tensão aumentou no lado corinthiano e Rodriguinho fez falta feia em Cueva e levou o amarelo. Foi o terceiro cartão corinthiano, já que o segundo havia sido registrado para Romero por falta em Kelvin ainda no primeiro tempo.

Assim, o resultado ruim que ia sendo consolidado na partida acabou sacramentado. Aos 14 minutos, o São Paulo se aproveitou de um erro da defesa corinthiana e ampliou o placar. Após o gol, vendo a limitação criativa da equipe, Oswaldo tentou uma mudança tática: tirou Marquinhos Gabriel para a entrada de Rildo.

A mudança, porém, surtiu pouco efeito e cerca de sete minutos depois do segundo gol, aos 21, o São Paulo chegou em velocidade e abriu 3 a 0 com um chute cruzado de Chavez. O Timão, que já não conseguia jogar, se perdeu completamente em campo.

Passes forçados, faltas duras e erros de posicionamento transformaram o jogo em regozijo para a torcida rival no Morumbi. O São Paulo sobrava em campo, e ameaçava aumentar o placar. Sob os gritos de “olé” dos torcedores, a terceira e última mudança no time foi a entrada de Camacho no lugar de Guilherme aos 26 minutos, com o objetivo de conter o ímpeto de um adversário motivado pelo bom resultado.

Até o minuto final, o jogo foi um espetáculo duro de assistir para o torcedor corinthiano. Quase um ano depois, a equipe em nada lembrava o time que impôs uma goleada histórica sobre o rival. O Corinthians, amedrontado e sem nenhuma vontade em campo, tocava a bola de lado e parecia apenas torcer para o fim da partida. A apatia custou caro e Luiz Araújo, nos minutos finais do jogo marcou o quarto gol, sacramentando o vexame corinthiano. Balbuena levou o cartão amarelo por reclamação e o árbitro parou novamente a partida pelos sinalizadores.

Com o resultado, o Corinthians fica mais longe da vaga para o G6. O próximo jogo só acontece no dia 16 de novembro, contra o Figueirense no Orlando Scarpelli. A equipe só reencontra a torcida no dia 21, no jogo contra o Internacional, na Arena Corinthians.

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Nov 1, 2016
admin

Entrevista para Alexandre Praetzel

O jornalista Alexandre Praetzel publicou ontem em seu blog, no UOL, uma entrevista que concedemos por telefone.

Ela também pode ser lida abaixo.

Citadini vê dificuldades no Corinthians e não descarta candidatura em 2018

Alexandre Praetzel 31/10/2016 – 06:00

O Corinthians vive uma turbulência política, com vários movimentos lutando pelo poder do clube. Alguns conselheiros entendem que 2017 será um ano muito difícil, fora de campo, projetando a eleição de 2018. O blog entrevistou Antonio Roque Citadini, candidato derrotado à presidência por Roberto de Andrade, em 2015. Acompanhem.

Gestão de Roberto de Andrade

”Eu creio que o clube vive um momento de grande dificuldade. Acho que as dificuldades estão no futebol por causa das mudanças no time, a queda de receitas, no estádio. Então, a administração vive um momento muito ruim. É preciso que a gestão mostre sua importância nesses momentos”.

Pagamento do estádio preocupa

”Olha, preocupa. A questão do estádio é muito simples. O Corinthians tem um contrato com a Odebrecht. Esse contrato está sendo auditado junto com a obra porque o Corinthians precisa verificar se tudo que consta no contrato foi construído. Não foi. O que não foi construído, o que foi mal construído, o que foi construído com preços muito altos, tudo isso será descontado para efeitos de pagamento”.

Naming Rights virou utopia

”O problema dos Naming Rights é um problema só. O Brasil vive uma brutal crise econômica e não tem empresa para botar dinheiro no futebol ou em outras coisas qualquer. Então, nós estamos pagando esse preço. O Corinthians construiu um estádio quando o país estava crescendo, todo mundo investindo. Agora, o Brasil está num outro momento com a economia afundando. É claro que isso prejudica a questão dos Naming Rights do estádio”.

Futuro do Corinthians será sofrido pelas dívidas

”Nós temos que ver dois aspectos. Evidente que a dívida nós vamos pagar. Vamos pagar o estádio, calcular o valor correto e pagar. Especialmente, pagar o BNDES. Agora, temos que ver o lado positivo. O estádio deu um grande diferencial para o Corinthians. O Corinthians ganhou partidas como mandante como nunca ganhou, por causa do estádio. É dificil ganhar do Corinthians no nosso estádio”.

Oswaldo de Oliveira é um bom nome

”É um profissional de qualidade. Já foi técnico do Corinthians, campeão. Torcemos para que vá tudo bem”.

Candidatura à presidência em 2018

”Candidatura quem define é o eleitor. Muitos querem que eu seja candidato, mas é um negócio que deve ser decidido para frente, na hora de sair candidato”.

  1. Citadini tem 66 anos e foi vice-presidente de futebol de 2001 a 2004, na gestão de Alberto Dualib. É conselheiro vitalício do clube. A dívida do estádio chega a R$ 1,6 bilhão, segundo muitos conselheiros do clube. O presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Strenger, disse que o valor é impagável, em entrevista exclusiva ao blog, recentemente.

 

Oct 29, 2016

Jogo ruim. Resultado péssimo

EM JOGO SONOLENTO, CORINTHIANS EMPATA COM A CHAPECOENSE E SAI DO G6 DO BRASILEIRÃO

CorinthiansCORINTHIANS1x1CHAPECOENSEChapecoense

POR MEU TIMÃO

Romero lamenta gol perdido na Arena
Romero lamenta gol perdido na Arena

O Corinthians encarou a Chapecoense na tarde deste sábado. Em jogo válido pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, a equipe comandada por Oswaldo de Oliveira ficou no empate em 1 a 1 e perdeu a chance de conquistar os três pontos em casa.

A equipe corinthiana, que veio de um empate com o Flamengo na última rodada, só dependia de si para permanecer no G6, e por isso precisava da vitória. Já a Chapecoense, que disputou a Copa Sul-Americana no meio da semana, não quis abrir mão do Brasileirão e veio com time titular.

Para o confronto, Oswaldo escalou a equipe no 4-1-4-1, formado por: Walter; Fagner, Pedro Henrique, Vilson e Uendel; Camacho; Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto, Rodriguinho e Marlone; Romero.

Primeiro tempo

O Corinthians começou muito mal na partida, mostrando desentrosamento total e sem conseguir chegar ao ataque. E se o jogo parecia começar ruim para o Timão ficou ainda pior no primeiro terço partida, quando Oswaldo foi obrigado a fazer a sua primeira alteração.

Walter sentiu dores na coxa e sinalizou o pedido de substituição. Em grande fase, o goleiro não conseguiu permanecer em campo e deu o lugar a Cássio. A lesão, que pela segunda vez interrompe uma sequência como titular, fez com que jogador saísse muito frustado de campo.

Durante a substituição, ambos os goleiros foram muito aplaudidos pela Fiel presente em Itaquera. Apesar disso, a primeira etapa foi fraca e nenhum dos dois goleiros chegou a trabalhar muito. Os primeiros 45 minutos terminaram com o time visitante um pouco melhor, mas a etapa terminou sem gols.

Segundo tempo

A equipe corinthiana voltou para o segundo tempo e esboçou um pouco mais de vontade. Mas o ímpeto durou pouco, e ficou nos erros individuais. Sem conseguir acertar passes e sem chegar ao ataque, o Corinthians continuou mal na partida.

Por isso, o treinador alvinegro optou pela primeira alteração tática – e a segunda substituição na partida. Após colocar todo o time no aquecimento, aos 15 minutos, Oswaldo chamou Lucca. O camisa 30 do Corinthians entrou no lugar de Marquinhos Gabriel.

Aos 23 minutos, aconteceu a última mexida no Timão. Rildo entrou no lugar de Marlone, que não fazia uma boa partida. A mudança foi providencial, já que foi Rildo sofreu o pênalti aos 27 minutos, quando foi derrubado por Gimenez após receber a bola na área.

Giovanni Augusto bateu e converteu, abrindo o placar para o Corinthians na partida. O gol e a as alterações deram novo gás à equipe, que chegou a perder grande chance com Fagner, que tirou tinta da trave após aproveitar rebote de um chute de Rildo.

A sorte corinthiana parecia ter mudado, até que, aos 38 minutos, também com pênalti, a Chapecoense empatou o jogo em cobrança de Bruno Rangel. No pênalti, o zagueiro Pedro Henrique levantou demais o pé, repetindo jogada semelhante à que também levou a uma penalidade contra o Corinthians – em jogo com o Cruzeiro, pela Copa do Brasil.

A partida terminou em 1 a 1. Com o resultado, o Corinthians depende de outros resultados para garantir a vaga no G6. No próximo jogo, dia 5, a equipe enfrenta o São Paulo no Morumbi e precisará se destacar no clássico para seguir vivo na luta.

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Oct 23, 2016

Sem surpresas

PREJUDICADO PELA ARBITRAGEM, CORINTHIANS FICA NO EMPATE COM FLAMENGO NO MARACANÃ

Meu timao
Guilherme foi expulso no segundo tempo; na etapa inicial, árbitro validou gol irregular do Flamengo
Guilherme foi expulso no segundo tempo; na etapa inicial, árbitro validou gol irregular do Flamengo

Corinthians e Flamengo fizeram um duelo eletrizante no fim de tarde deste domingo, no Maracanã, pela 32ª rodada no Campeonato Brasileiro. Prejudicado pela arbitragem por ter levado gol irregular de Paolo Guerrero, o Timão ficou no empate em 2 a 2 contra os cariocas. Os tentos alvinegros foram marcados por Guilherme e Rodriguinho. O camisa 10 ainda foi expulso no segundo tempo.

Na classificação do Brasileirão, o empate entre Corinthians e Flamengo simbolizou ao Timão a entrada no G6. A equipe alvinegra chegou aos 49 pontos e ultrapassou o Atlético-PR, saltando de sétimo para sexto. Os paranaenses, contudo, ainda entram em campo nesta segunda-feira, contra o América-MG, pelo encerramento da rodada. Confira a classificação.

Para o jogo deste domingo, o técnico Oswaldo de Oliveira escalou o Corinthians com duas novidades em relação à derrota para o Cruzeiro: Willians na vaga de Camacho, por opção técnica, e Vilson na de Pedro Henrique, pois este último estava suspenso. Assim, o Timão entrou em campo com: Walter; Fagner, Balbuena, Vilson e Uendel; Willians; Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto, Rodriguinho e Romero; Guilherme.

Eliminado da Copa do Brasil, o Corinthians ganhou assim a semana livre para treinos – a primeira de Oswaldo nesta terceira passagem pelo clube. A próxima partida do Timão, portanto, está marcada apenas para sábado, contra a Chapecoense, em Itaquera, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Primeiro tempo

Logo aos quatro minutos, o argentino Mancuello achou espaço e chutou forte. Walter fez grande defesa, mas, no rebote, Guerrero balançou as redes. A equipe de arbitragem, acertadamente, assinalou impedimento e, assim, anulou o gol flamenguista.

No minuto seguinte, foi a vez de o Corinthians atacar. E com direito a golaço! Romero dividiu com Rafael Vaz, e a bola sobrou para Guilherme. O camisa 10, de fora da área, arriscou o chute e acertou o canto esquerdo do gol rubro-negro.

Guilherme comemora gol no Maracanã

Guilherme comemora gol no Maracanã

Foto: Reprodução/TV

A vitória parcial do Corinthians não durou muito tempo. Aos 14 minutos, Diego cobrou falta e, mesmo com um “triplo impedimento” do Flamengo, Guerrero cabeceou para o fundo das redes. A arbitragem validou o tento, apesar de o lance ter sido irregular.

Com dois gols marcados em menos de 15 minutos, o jogo “pegou fogo”. O Corinthians teve duas grandes chances em chutes de Guilherme e Romero. O Flamengo chegou com perigo com Emerson Sheik, mas o atacante ex-Timão estava impedido.

Impedimento

Impedimento

Foto: Reprodução/TV

Foi apenas aos 46 minutos, contudo, que o Corinthians voltou a ficar à frente no marcador. Rodriguinho tabelou com Fagner e depois lançou Romero pela direita. O paraguaio foi até a linha de fundo e cruzou. Guilherme abriu as pernas para deixar a bola passar, e Rodriguinho reapareceu na jogada para anotar o gol.

Nem só gols e finalizações, entretanto, marcaram o primeiro tempo. Diversos princípios de briga foram registrados entre os jogadores alvinegros e rubro-negros. Na mais grave das confusões, Emerson e Guerrero atrapalharam a saída de bola de Walter, originando discussão mais áspera entre os atletas e troca de empurrões entre o peruano e Giovanni Augusto.

Confusão

Confusão

Foto: Reprodução/TV

Segundo tempo

Atrás no placar, o Flamengo do técnico Zé Ricardo foi para cima do Corinthians na etapa final. Ainda no intervalo, Fernandinho entrou no lugar de Mancuello com intenção de dar mais velocidade aos ataques rubro-negros. A mudança surtiu efeito e, logo no começo do segundo tempo, Fernandinho tabelou com Guerrero e obrigou Walter a fazer grande defesa.

Aos 13 minutos, porém, não houve milagre de Walter que impedisse o gol flamenguista. Diego bateu escanteio, e Willian Arão cabeceou. O goleiro do Corinthians salvou, esbanjando reflexo. No rebote, Guerrero, sem marcação, finalizou para o fundo das redes, empatando o duelo mais uma vez.

Pressionado pelo Flamengo, Oswaldo de Oliveira decidiu mexer na equipe. O treinador sacou Marquinhos Gabriel e colocou Marlone. Em resposta, Zé Ricardo tirou Willian Arão e colocou Leandro Damião. O jogo voltou a ficar movimentado, e Emerson acertou chute perigoso, obrigando Walter a fazer grande defesa com as pontas dos dedos.

O Corinthians sofreu um baque aos 31 minutos, quando Guilherme atrapalhou uma cobrança de falta do Flamengo, levou seu segundo cartão amarelo na partida e acabou expulso. Oswaldo, então, decidiu colocar Camacho no lugar de Giovanni Augusto e Lucca no lugar de Romero.

A alteração surtiu efeito: o atacante criou boa jogada, mas a defesa do Flamengo conseguiu afastar o perigo. Na sequência, Emerson criou ótima chance de gol para os cariocas, mas Walter, mais uma vez, salvou a pátria para o Timão. Guerrero e o próprio Sheik ainda tiveram chances antes do apito final, mas mandaram para fora.

E foi isso! Em partida eletrizante, com chances para ambos os times, Corinthians e Flamengo empataram em 2 a 2 no Maracanã.

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Oct 20, 2016

Agora, só Brasileirão

CORINTHIANS LEVA QUATRO GOLS E É ELIMINADO PELO CRUZEIRO NA COPA DO BRASIL

Oswaldo fez seu primeiro e último jogo comandando o Corinthians na Copa do Brasil
Oswaldo fez seu primeiro e último jogo comandando o Corinthians na Copa do Brasil

O Corinthians viajou a Belo Horizonte na noite desta quarta-feira para enfrentar o Cruzeiro. O confronto determinou a partida de volta das quartas-de-final da Copa do Brasil. Com a derrota por 4 a 2, a equipe acabou eliminada da competição.

O jogo de ida, ainda sob o comando de Fábio Carille, terminou em 2 a 1 para o Corinthians na Arena em Itaquera. Assim, a equipe trouxe a vantagem para a decisão na casa do adversário, que tinha como trunfo o gol marcado fora de casa.

Sob o comando de Oswaldo, o Corinthians foi para o confronto no 4-1-4-1. E os titulares escolhidos pelo técnico para sua estreia na competição foram: Walter, Fagner, Pedro Henrique, Balbuena e Uendel; Camacho; Romero, Giovanni Augusto, Rodriguinho e Marquinhos Gabriel; Guilherme.

Primeiro tempo

O jogo começou sem grandes chances, com a bola concentrada no meio campo. Logo aos quatro minutos, porém, Rafinha se machucou e precisou ser substituído. Em seu lugar, Mano Menezes colocou Arrascaeta.

A mudança fez diferença para o Cruzeiro, que aos 13 minutos conseguiu reverter a vantagem corinthiana. O meia uruguaio cruzou para o argentino Ábila abrir o placar. O resultado parcial foi um banho de água fria para as pretensões corinthianas, já que o resultado em 1 a 0 classificava a equipe mineira pelo critério de gols fora de casa.

A reversão da vantagem, porém, deixou o Corinthians um pouco mais solto no ataque. Oswaldo também promoveu uma mudança no ataque, colocando Romero como centroavante, aumentando a movimentação de Guilherme no ataque.

Assim, o Timão foi abrindo espaço e conseguiu, aos 34 minutos, empatar a partida. O gol foi de Rodriguinho, que recebeu o passe de Uendel. Com o 1 a 1, o Corinthians foi para o intervalo da partida novamente em vantagem.

Segundo tempo

Precisando do resultado, o Cruzeiro voltou pressionando no ataque. O jogo ficou aberto e com chances para ambos os lados, até que aos dez minutos, o Timão teve a chance de selar o placar. Rodriguinho arriscou de fora da área e o rebote sobrou para Guilherme. O meia, que estava livre na pequena área, acabou pegando muito mal na bola e desperdiçando o lance.

Na sequência do lance, porém, a sorte corinthiana mudou. Arrascaeta avançou em velocidade no contra-ataque e invadiu a área do Timão. Pedro Henrique, acompanhou na marcação e o juiz marcou pênalti para o Corinthians. O zagueiro corinthiano levou o amarelo como advertência e reclamou muito da decisão da arbitragem.

Na cobrança, Ábila converteu e desequilibrou o placar. Com o 2 a 1 para a equipe mineira, o jogo iria para pênaltis. Por isso, Mano Menezes optou por não recuar, e continuou pressionando. Aos 16 minutos, Walter evitou mais um gol ao fazer belíssima defesa de um chute à queima roupa dado por Rafael Sóbis.

O goleiro corinthiano, porém, não foi tão feliz na sequência do lance, já que em um escanteio acabou sofrendo o gol. O terceiro gol cruzeirense foi marcado pelo zagueiro Bruno Rodrigo, de cabeça, abrindo 3 a 1 no Mineirão. O resultado, que dava a classificação para o mandante, eliminou a possibilidade de pênaltis.

Aos 25 minutos, Oswaldo optou por substituir Guilherme, e chamou Marlone para o campo. O Corinthians foi todo para cima, mas o Cruzeiro se fechou e dificultou as investidas do Timão. A segunda mexida do técnico, aos 33, foi a vinda de Lucca no lugar de Marquinhos Gabriel.

Desta vez, porém, os avanços do Corinthians é que abriram espaço para o Cruzeiro no contra ataque. Aos 38 minutos, em nova tentativa cruzeirense, a zaga corinthiana cometeu falta infantil. O lance de bola parada culminou com o quarto gol do time mineiro.

Com a derrota praticamente sacramentada, o treinador ainda fez uma mudança na equipe. Colocou Rildo no lugar de Giovanni Augusto. A alteração surtiu efeito imediato, e o atacante marcou belo gol em sua primeira jogada na partida. Apesar disso, o Timão não conseguiu marcar o terceiro e o placar terminou em 4 a 2.

Com o resultado, o Corinthians se despede da Copa do Brasil e coloca o foco total no Campeonato Brasileiro. A equipe precisa continuar a luta para chegar ao G6 e assim conquistar a vaga para a Copa Libertadores de 2017.

O próximo jogo do Timão acontece no domingo, contra o Flamengo, no Maracanã. A partida é válida pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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Oct 17, 2016
admin

Vitória importante

Do site Meu Timão
Na noite deste domingo, o treinador Oswaldo de Oliveira fez sua reestreia como treinador do Corinthians. A equipe encarou o lanterna da competição, o América-MG, na Arena em Itaquera e venceu o time mineiro por 2 a 0.

Sem modificar a estrutura de jogo implementada por Carille, Oswaldo fez apenas duas alterações pontuais: Romero entrou no lugar de Marquinhos Gabriel, suspenso, e Willians entrou no lugar de Camacho, vetado pelo departamento médico com dores.

Além dessas alterações, o treinador também sacou Léo Príncipe uma vez que Fagner, titular da posição, retornou do serviço à Seleção Brasileira e tinha condições de jogo. O novo treinador também optou por bancar a continuidade de Walter como goleiro titular, mesmo tendo Cássio novamente à disposição no banco de reservas.

Assim, o time foi a campo com Walter, Fagner, Pedro Henrique, Balbuena e Uendel; Willians; Giovanni Augusto, Rodriguinho, Romero e Marlone; Guilherme. No já tradicional 4-1-4-1 utilizado desde o comando de Tite, Guilherme atua improvisado como centroavante, fazendo o papel de “falso 9” na equipe do Corinthians.

Primeiro tempo

O jogo mal começou e o Corinthians já mostrou superioridade em relação lanterna da competição. Enquanto o América demonstrava respeito pela equipe corinthiana, o Timão partia em velocidade, em especial pelo lado direito com a dupla Fagner e Romero.

Foi por este lado que surgiu a primeira oportunidade corinthiana: logo aos 4 minutos de jogo, Romero fez o passe para Giovanni Augusto, que meteu uma bola enfiada para Guilherme chutar rasteiro bem ao lado do gol de João Ricardo.

A equipe continuou dominando a partida, e aos 14 minutos chegou novamente com perigo após cobrança de escanteio. A bola, cobrada na área, foi cabeceada por Pedro Henrique. Romero, também de cabeça, conseguiu desviar para o gol mas estava em posição ilegal.

Porém, apenas dois minutos depois, aos 16 do primeiro tempo, Romero mostrou que não pretendia desistir. O jogador corinthiano recebeu belo passe de Guilherme e ajeitou para o fundo do gol, abrindo o placar para o Timão. O tento foi o 16º gol do paraguaio na Arena, fazendo Romero ultrapassar a marca de Paolo Guerrero no estádio.

Muito superior, o Corinthians não deu notícia do América em campo, e chegou até a arrefecer o ritmo da partida. Aos 39 minutos, porém, o lado esquerdo também quis mostrar serviço e Uendel, puxou um contra ataque tocando a bola para Guilherme. O camisa 10 fez belo cruzamento para Rodriguinho, que pegou de primeira para acertar o ângulo. Golaço!

Com 2 a 0 no placar, o Corinthians foi para os vestiários com a vantagem no placar.

Segundo tempo

Sem ter sido muito ameaçado na primeira etapa, o Corinthians entrou em campo com sensação de dever cumprido. O jogo esfriou um pouco no segundo tempo e a equipe pressionou pouco o time mineiro.

Oswaldo trouxe o time sem mudanças, mas o Timão mostrou mais cansaço e criou pouco na metade final. Os dois lances mais perigosos foram lances com impedimento do ataque corinthiano, que perdia o ímpeto. Apesar disso, a primeira mudança na equipe não foi tática: Oswaldo precisou tirar Marlone com dores, aos 20 minutos, para a entrada de Rildo.

Pouco depois da alteração, um dos lances mais curiosos da partida. Tony, do América, viu o caminho livre para o gol e chutou um balaço. Walter fez uma bela defesa após o chute de Tony, e foi tão bem no lance que recebeu os cumprimentos do próprio atacante.

Aos 28 minutos, Pedro Henrique tomou um cartão amarelo e fica suspenso para o próximo confronto, contra o Flamengo. Além dele, Giovanni Augusto também foi advertido na partida, por entrada dura na primeira etapa do jogo.

Aos 31 minutos, Oswaldo fez a segunda mudança na equipe – a primeira por decisão técnica. O treinador tirou Guilherme, autor das duas assistências da partida. Lucca entrou no lugar do camisa 10 que saiu muito aplaudido de campo.

A terceira e última alteração foi a entrada de Marciel, aos 38 minutos. O jovem jogador entrou na vaga de Giovanni Augusto. Mesmo com as mudanças, o placar permaneceu sem alteração e o jogo terminou com a vitória do Corinthians.

Com o resultado, a equipe somou mais 3 pontos no Campeonato Brasileiro e mantém viva a esperança de chegar ao G6 – posição que garante vaga à Copa Libertadores de 2017.

O próximo jogo do Corinthians, acontece na próxima quarta-feira (19), às 21h45, contra o Cruzeiro. A partida no Mineirão vale pelo confronto de volta da Copa do Brasil (o Timão venceu a ida por 2 a 1, na Arena). Pelo Campeonato Brasileiro, o próximo compromisso será no domingo, contra o Flamengo, às 17h no Maracanã.

Oct 13, 2016
admin

39 anos do Paulista de 77

Do site Meu Timão
Considerada uma das conquistas mais importantes do clube, o histórico título do Campeonato Paulista de 1977 completa 39 anos nesta quinta-feira. Eternizado na memória da Fiel, a conquista estadual marcou o fim de um jejum próximo de 23 anos sem levantar nenhuma taça.

Vindo de um vice-campeonato nacional na temporada anterior, a vontade de soltar o grito de campeão empurrou o Timão ao longo de toda a campanha. Depois de um rendimento mediano no primeiro turno, o Corinthians concentrou suas forças no segundo turno da competição e venceu 13 das 18 partidas disputadas.

Classificado para a fase final, com mais sete concorrentes pelo título, o Timão demonstrou qualidade e chegou até a decisão, diante da Ponte Preta. No primeiro encontro entre os clubes, o Corinthians venceu pelo placar mínimo e aumentou as expectativas pela conquista.

Porém, no segundo embate entre as equipes, no Morumbi, a equipe campineira venceu pelo placar de 2 a 0, decepcionando a Fiel, que lotou o estádio com 138.032 pagantes – justamente o maior público do estádio até o momento.

No terceiro e decisivo confronto, no dia 13 de outubro de 1977, enfim, o Corinthians encerrou o ciclo negativo. Restando oito minutos para o apito final, após intenso bate-rebate dentro da área da Ponte Preta, Basílio estudou as redes e fez a alegria de todos os corinthianos, decretando o título do Campeonato Paulista daquele ano.

Em uma noite memorável na história alvinegra, os torcedores invadiram o gramado, hastearam bandeiras e comemoram a conquista no estilo de luta, garra e sofrimento. Ou seja, ao melhor estilo Corinthians.
Considerada uma das conquistas mais importantes do clube, o histórico título do Campeonato Paulista de 1977 completa 39 anos nesta quinta-feira. Eternizado na memória da Fiel, a conquista estadual marcou o fim de um jejum próximo de 23 anos sem levantar nenhuma taça.

Vindo de um vice-campeonato nacional na temporada anterior, a vontade de soltar o grito de campeão empurrou o Timão ao longo de toda a campanha. Depois de um rendimento mediano no primeiro turno, o Corinthians concentrou suas forças no segundo turno da competição e venceu 13 das 18 partidas disputadas.

Classificado para a fase final, com mais sete concorrentes pelo título, o Timão demonstrou qualidade e chegou até a decisão, diante da Ponte Preta. No primeiro encontro entre os clubes, o Corinthians venceu pelo placar mínimo e aumentou as expectativas pela conquista.

Porém, no segundo embate entre as equipes, no Morumbi, a equipe campineira venceu pelo placar de 2 a 0, decepcionando a Fiel, que lotou o estádio com 138.032 pagantes – justamente o maior público do estádio até o momento.

No terceiro e decisivo confronto, no dia 13 de outubro de 1977, enfim, o Corinthians encerrou o ciclo negativo. Restando oito minutos para o apito final, após intenso bate-rebate dentro da área da Ponte Preta, Basílio estudou as redes e fez a alegria de todos os corinthianos, decretando o título do Campeonato Paulista daquele ano.

Em uma noite memorável na história alvinegra, os torcedores invadiram o gramado, hastearam bandeiras e comemoram a conquista no estilo de luta, garra e sofrimento. Ou seja, ao melhor estilo Corinthians.

Oct 6, 2016
admin

Empate amargo

PÊNALTI NÃO MARCADO, GOL MAL ANULADO E EXPULSÃO TARDIA: ERROS FORAM DECISIVOS CONTRA CORINTHIANS
Gustavo chegou a comemorar primeiro gol pelo Timão, mas teve lance anulado pela arbitragem
Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Do site Meu Timão

Sem vencer há seis partidas no Campeonato Brasileiro, o Corinthians tem sofrido com o nível da arbitragem. Nesta quarta-feira, diante do Atlético-MG, a equipe alvinegra viu o juiz Rodolpho Toski Marques falhar em, ao menos, dois lances capitais, além de “amenizar” as jogadas violentas do volante Leandro Donizete.

A primeira jogada polêmica ocorreu no primeiro tempo. Em cruzamento de Marquinhos Gabriel, Gustavo subiu de cabeça e, sem falta, abriu o placar na Arena. O árbitro paranaense, contudo, auxiliado pelo bandeira Bruno Boschilia, anulou o tento do camisa 9.

Já aos 18 minutos do período complementar, o zagueiro Balbuena foi puxado dentro da área, mas Rodolpho nada marcou. Para piorar a noite do juiz, Leandro Donizete abusou das faltas duras e acabou expulso apenas nos minutos finais – antes, porém, havia protagonizado outra jogada violente, mas sequer foi advertido com o cartão amarelo.

Pressionado? – Vale lembrar que Rodolpho Toski Marques foi o mesmo nome da vitória por 1 a 0 do Corinthians sobre o Fluminense, no último dia 29, em Itaquera, pelo duelo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. Na ocasião, o paranaense foi veementemente criticado por cariocas por anular (de forma legítima) três gols do clube das Laranjeiras.

PÊNALTI NÃO MARCADO

“Eu já até falei que não quero comentar sobre arbitragem. Até o presidente falou algo sobre a arbitragem ontem (terça-feira). Tem o lance do gol que quero ver com mais tranquilidade. Estão falando de uma penalidade em cima do Balbuena. Mas é isso, vou procurar não falar, focar cada dia e focar no Santa Cruz”, afirmou o técnico Fábio Carille em entrevista coletiva.

GOL MAL ANULADO


“Eu não entendi o que ele deu. A bola estava quase dentro do gol, o zagueiro ficou parado. Eu perguntei (para o árbitro), ele falou que eu empurrei. É ele que sabe”, questionou o centroavante. “Na minha opinião, não foi nada, foi injusto”, completou o camisa 9.

“Foi o que eu falei, quando o Corinthians é favorecido, todo mundo fala, a mídia fala pra caramba que só ajudam o Corinthians. E nos últimos jogos estamos sendo prejudicados, o gol foi mal anulado, ficaram fazendo cera com Vitor, Fred… Essa é a hora de falar, a arbitragem está deixando a desejar”, criticou o meia Marquinhos Gabriel.

Oct 5, 2016

100 anos de Ulysses Guimarães: dois grandes discursos

22 de setembro de 1973. Dia histórico! 40 anos do discurso de “anti-candidato” de Ulysses Guimarães

No dia 22 de setembro de 1973, na convenção do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Ulysses Guimarães proferiu um histórico discurso intitulado “Navegar é Preciso, Viver não é Preciso”.
Através dele, o principal líder da oposição democrática ao regime militar lançou a sua “anti-candidatura” à presidência da República, tendo como candidato à vice-presidência Barbosa Lima Sobrinho, outro grande democrata. Era uma demonstração de coragem para enfrentar o Governo do Gal. Garrastazu Médici, o então chefe do regime militar. Esta “anti-candidatura” – mesmo sem chance de vitória no Colégio Eleitoral, abriu caminho para a estrondosa vitória do MDB nas eleições parlamentares de 1974. 
Em tempos em que figuras da estatura de Ulysses e Barbosa Lima são cada vez mais raras na política brasileira, lembrar daqueles que lutaram pela democracia no Brasil é essencial, pois, como escreveu o filósofo George Santayana, “Aqueles que esquecem o passado, estão condenados a repetí-lo”. 
Assim, transcrevo abaixo, na íntegra, este fantástico discurso.

“O paradoxo é o signo da presente sucessão presidencial brasileira. Na situação, o anunciado como candidato, em verdade, é o Presidente, não aguarda a eleição e sim a posse. Na Oposição, também não há candidato, pois não pode haver candidato a lugar de antemão provido. A 15 de janeiro próximo, com o apelido de “eleição”, o Congresso Nacional será palco de cerimônia de diplomação, na qual Senadores, Deputados Federais e Estaduais da agremiação majoritária certificarão investidura outorgada com anterioridade. O Movimento Democrático Brasileiro não alimenta ilusões quanto à homologação cega e inevitável, imperativo da identificação do voto ostensivo e da fatalidade da perda do mandato parlamentar, obra farisaica de pretenso Colégio Eleitoral, em que a independência foi desalojada pela fidelidade partidária. A inviabilidade da candidatura oposicionista testemunhará perante a Nação e perante o mundo que o sistema não é democrático, de vez que tanto quanto dure este, a atual situação sempre será governo, perenidade impossível quando o poder é consentido pelo escrutínio direto, universal e secreto, em que a alternatividade de partidos é a regra, consoante ocorre nos países civilizados.

Não é o candidato que vai percorrer o País. É o anticandidao, para denunciar a antieleição, imposta pela anticonstituição que homizia o AI-5, submete o Legislativo e o Judiciário ao Executivo, possibilita prisões desamparadas pelo habeas corpus e condenações sem defesa, profana a indevassabilidade dos lares e das empresas pela escuta clandestina, torna inaudíveis as vozes discordantes, porque ensurdece a Nação pela censura à Imprensa, ao Rádio, à Televisão, ao Teatro e ao Cinema.

No que concerne ao primeiro cargo da União e dos Estados, dura e triste tarefa esta de pregar numa “república” que não consulta os cidadãos e numa “democracia” que silenciou a voz das urnas.

Eis um tema para o teatro do absurdo de Bertold Brecht, que, em peça fulgurante, escarnece da insânia do arbítrio prepotente ao aconselhar que se o povo perde a confiança do governo, o governo deve dissolver o povo e eleger um outro.

Não como campanha, pois eqüivaleria a tola viagem rumo ao impossível, a peregrinação da Oposição pelo País perseguirá tríplice objetivo:
1 – Exercer sem temor e sem provocação sua função institucional de crítica e fiscalização ao governo e ao sistema, clamando pela eliminação dos instrumentos e da legislação discricionários, com prioridade urgente e absoluta a revogação do AI-5 e a reforma da Carta Constitucional em vigor.
2 – Doutrinar com o Programa Partidário, unanimemente aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral, conscientizando o povo sobre seu conteúdo político, social, econômico, educacional, nacionalista, desenvolvimentista com liberdade e justiça social, o qual será realidade assim que o Movimento Democrático Brasileiro for governo, pelo sufrágio livre e sem intermediários do povo.
3 – Concitar os eleitores, frustrados pela interdição de a 15 de janeiro de 1974 eleger o Presidente e o Vice-Presidente da República, para que a 1 5 de novembro do mesmo ano elejam senadores, deputados federais e estaduais da oposição, etapa fundamental para atuação e decisões parlamentares que conquistarão a normalidade democrática, inclusive número para propor Emendas e Reforma da Carta Constitucional de 1969 e a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito, de cuja ação investigatória e moralizadora a presente legislatura se encontra jejuna e a atual administração imune, pela facciosa intolerância da maioria situacionista.

Hoje, e aqui, serei breve.

Somos todos cruzados da mesma cruzada. Dispensável, assim, pretender convencer o convicto, converter o cristão, predicar a virtude da liberdade a liberais, que pela fé republicana pagam até o preço de riscos e sofrimentos.

Serei mais explícito e minudencioso ao longo da jornada,quando falarei também a nossos irmãos postados no outro lado do rio da democracia.
Aos que aí se situaram por opção ou conveniência, apostasia política mais rebelde à redenção.
Prioritariamente, aos que foram marginalizados pelo ceticismo e pela indiferença, notadamente os jovens e os trabalhadores, intoxicados por maciça e diuturna propaganda e compelidos a tão prolongada e implacável dieta de informações.
Quando a Oposição clama pela reformulação das estruturas político-sociais e pela incolumidade dos direitos dos cidadãos, sua reiteração aflige os corifeus dos poderosos do dia.

Faltos de razão e argumentos, acoimam-na de fastidiosa repetição. Condenável é repetir o erro e não sua crítica. Saibam que a persistência dos abusos terá como resposta a pertinácia das denúncias.

Ressaltarei nesta Convenção a liberdade de expressão, que é apanágio da condição humana e socorre as demais liberdades ameaçadas, feridas ou banidas.
A oposição reputa inseparáveis o direito de falar e o direito de ser ouvido.
É inócua a prerrogativa que faculta falar em Brasília, não podendo ser escutado no Brasil, porquanto a censura à Imprensa, ao rádio e à Televisão venda os olhos e tapa os ouvidos do povo. O drama dos censores é que se fazem mais furiosos quanto mais acreditam nas verdades que censuram. E seu engano fatal é presumir que a censura, como a mentira, pode exterminar os fatos, eliminar os acontecimentos, decretar o desaparecimento das ocorrências indesejáveis.
A verdade poderá ser temporariamente ocultada, nunca destruída. O futuro e a história são incensuráveis.
A informação, que abrange a crítica, é inarredável requisito de acerto para os governos verdadeiramente fortes e bem intencionados, que buscam o bem público e não a popularidade. Quem, se não ela, poderá dizer ao Chefe de Estado o que realmente se passa, às vezes de suma gravidade, na intimidade dos Ministérios e dos múltiplos e superpovoados órgãos descentralizados?
Quem, se não ela, investigará e contestará os conselhos ineptos dos Ministros, as falsas prioridades dos técnicos, o planejamento defasado dos assessores? Essa a sabedoria e o dimensionamento da prática com que o gênio político britânico enriqueceu o direito público: Oposição do Governo de Sua Majestade, ao Governo de sua Majestade.
A burocracia pode ser preguiçosa, descortês, incapaz e até corrupta. Não é exclusivamente na Dinamarca, em qualquer reino sempre há algo de podre. Rematada insânia tornar impublicáveis lacunas, faltas ou crimes, pois contamina de responsabilidade governante que a ordena ou tolera.
Eis por que o poder absoluto, erigido em infalível pela censura, corrompe e fracassa absolutamente.
É axiomático, para finalizar, que sem liberdade de comunicação não há, em sua inteireza, Oposição, muito menos Partido de Oposição.
Como o desenvolvimento é o desafio da atual geração, pois ou o Brasil se desenvolve ou desaparecerá, o Movimento Democrático Brasileiro, em seu Programa, define sua filosofia e seu compromisso com a inadiável ruptura da maldita estrutura da miséria, da doença, do analfabetismo, do atraso tecnológico e político.
A liberdade e a justiça social não são meras conseqüências do desenvolvimento. Integram a condição insubstituível de sua procura, o pré-requisito de sua formulação, a humanidade de sua destinação.
A liberdade e a justiça social conformam a face mais bela, generosa e providencial do desenvolvimento, aquela que olha para os despossuidos, os subassalariados, os desempregados, os ocupados em ínfimo ganha-pão ocasional e incerto, enfim, para a imensa maioria dos que precisam para sobreviver, em lugar da escassa minoria dos que têm para esbanjar.
Este o desenvolvimento vivificado pelas liberdades roosevelteanas, inspiradoras da Carta das Nações Unidas, as que se propõem a libertar o homem do medo e da necessidade. É o perfilhado na Encíclica Populorum Progressio, isto é, prosperidade do Povo, não do Estado, que lhe é consectária, cunhando seu protótipo na sentença lapidar: o desenvolvimento é o novo nome da paz.
Desenvolvimento sem liberdade e justiça social não tem esse nome. É crescimento ou inchação, é empilhamento de coisas e valores, é estocagem de serviços, utilidades e divisas, estranha ao homem e a seus problemas.
Enfatize-se que desenvolvimento não é silo monumental e desumano, montado para guardar e exibir a mitologia ou o folclore do Produto Interno Bruto, inacessível tesouro no fundo o mar, inatingível pelas reivindicações populares. É intolerável misitificar uma Nação a pretexto de desenvolvê-la, rebaixá-la em armazém de riquezas, tendo como clientela privilegiada, senão exclusiva, o governo para custeio de tantas obras faraônicas e o poder econômico, particular ou empresarial, destacadamente o estrangeiro, desnacionalizando a indústria e dragando para o exterior lucros indevidos.
É equívoco, fadado à catástrofe, o Estado absorver o homem e a Nação.
A grandeza do homem é mais importante do que a grandeza do Estado, porque a felicidade do homem é a obra-prima do Estado.
O Estado é o agente político da Nação. Além disso e mais do que isso, a Nação é a língua, a tradição, a família, a religião, os costumes, a memória dos que morreram, a luta dos que vivem, a esperança dos que nascerão.
Liberdade sem ordem e segurança é o caos. Em contraposição, ordem e segurança sem liberdade são a permissividade das penitenciárias. As penitenciárias modernas são mini-cidades, com trabalho remunerado, restaurante, biblioteca, escola, futebol, cinema, jornais, rádio e televisão.
Os infelizes que as povoam têm quase tudo, mas não têm nada, porque não têm a liberdade. Delas fogem, expondo a vida ou aguardam aflitos a hora da libertação.
Do alto desta Convenção, falo ao General Ernesto Geisel, futuro Chefe da Nação.
As Forças Armadas têm como patrono Caxias e como exemplo Eurico Gaspar Dutra, cidadãos que glorificaram suas espadas na defesa da lei e na proteção à liberdade. O General Ernesto Geisel a elas pertence, dignificou-as com sua honradez, delas sai para o supremo comando político e militar do Brasil.
A história assinalou-lhe talvez a última oportunidade para ser instituído no Brasil, pela evolução, o governo da ordem com liberdade, do desenvolvimento com justiça social, do povo como origem e finalidade do poder e não seu objeto passivo e vítima inerme.
Difícil empresa, sem dúvida. Carregada de riscos, talvez. Mas o perigo participa do destino dos verdadeiros soldados.
A estátua dos estadistas não é forjada pelo varejo da rotina ou pela fisiologia do cotidiano.
Não é somente para entrar no céu que a porta é estreita, conforme previne o evangelista São Mateus, no Capítulo XXIII, versículo 24.
Por igual, é angustiosa a porta do dever e do bem, quando deles depende a redenção de um povo. Esperemos que o Presidente Ernesto Geisel a transponha.
A Oposição dará à próxima administração a mais alta, leal e eficiente das colaborações: a crítica e a fiscalização.
Sabe, com humildade, que não é dona da verdade. A verdade não têm proprietário exclusivo e infalível.
Porém sabe, também, que está mais vizinha dela e em melhores condições para revelá-la aos transitórios detentores do poder, dela tantas vezes desviados ou iludidos pelos tecnocratas presunçosos, que, amaldiçoam e exorcizam os opositores, pelos serviçais de todos os governos, pelos que vitaliciamente apoiam e votam para agradar ao Príncipe.
A oposição oferece ao governo o único caminho que conduz à verdade: a controvérsia, o diálogo, o debate, a independência para dizer “sim” ao bem e a coragem e para dizer “não” ao mal – a democracia em uma palavra.
Senhores Convencionais:
Do fundo do coração digo-lhes que não agradeço a indicação que consagra minha vida pública. Missão não se pede. Aceita-se, para cumprir, com sacrifício e não proveito.
Como Presidente Nacional do Movimento Democrático Brasileiro agradeço-lhes, aí sim, o destemor e a determinação com que ao sol, aos ventos e desafiando ameaças desfilam pela Pátria o lábaro da liberdade.
Minha memória guardará as palavras amigas aqui proferidas, permitindo-me reportar às da lavra dos grandes líderes Senador Nelson Carneiro e Deputado Aldo Fagundes, parlamentares que têm os nomes perpetuados nos Anais e na admiração do Congresso Nacional.
Significo o reconhecimento do Partido a Barbosa Lima Sobrinho, por ter acudido a seu empenhado apelo.
Temporariamente deixou sua biblioteca e apartou-se da imprensa, trincheiras de seu talento e de seu patriotismo, para exercer perante o povo o magistério das franquias públicas, das garantias individuais e do nacionalismo.
Sua vida e sua obra podem ser erigidas em doutrina de nossa pregação
Por fim, a imperiosidade do resgate da enorme injustiça que vitimou, sem defesa, tantos brasileiros paladinos do bem público e da causa democrática. Essa Justiça é pacto de honra de nosso partido e seu nome é ANISTIA.
Senhores Convencionais:
A caravela vai partir. As velas estão paridas de sonho, aladas de esperanças. O ideal está ao leme e o desconhecido se desata à frente.
No cais alvoroçado, nossos opositores, como o velho do Restelo de todas as epopéias, com sua voz de Cassandra e seu olhar derrotista, sussurram as excelências do imobilismo e a invencibilidade do establishment. Conjuram que é hora de ficar e não de aventurar.
Mas no episódio, nossa carta de marear não é de Camões e sim de Fernando Pessoa ao recordar o brado:

“Navegar é preciso.
Viver não é preciso”.

Posto hoje no alto da gávea, espero em Deus que em breve possa gritar ao povo brasileiro: Alvíssaras, meu Capitão. Terra à vista!
Sem sombra, medo e pesadelo, à vista a terra limpa e abençoada da liberdade.”

 

Discurso de posse de Ulysses

Encerrando essa Convenção de abril de 1972, o novo presidente do Diretório Nacional, deputado Ulysses Guimarães, em seu discurso “Hoje começa a ser outro dia”, repudiou o pessimismo de companheiros que pensavam ser impossível manter vivo um partido político de oposição em regime tão autoritário e asfixiante. E, em verdadeira profissão de fé, assegurou sua crença de que o MDB traria para o Brasil outros e melhores dias:

Senhores convencionais: fundador do MDB, participei de todas suas dramáticas crises. Sempre me manifestei contra a autodissolução do partido. Isso seria suicí- dio e o suicídio é rematada loucura. Se um parente ou amigo está mal, talvez condenado à morte, que fazer? Suspender a assistência médica, cessar os cuidados, conformar-se? Ou, ao revés, tentar tudo, fazer todos os sacrifícios, redobrar as vigílias, multiplicar os desvelos? Principalmente rezar.Temos fartos exemplos dos que assim se salvaram, por obra do amor e da ciência dos homens ou por milagre de Deus.

No meu sentir, extinção automática e universal dos mandatos oposicionistas e dos respectivos suplentes será o consectário moral e legal da medida extrema.

Digo legal, pois o ingresso da decisão terminativa da existência do partido na Justiça Eleitoral, implicitamente decretará o desaparecimento de todos seus órgãos. A Lei Orgânica dos Partidos, no art. 22, inciso III, define as bancadas como órgãos das agremiações políticas. É singelo postulado do bom senso: como os órgãos lograrão sobreviver à morte do organismo, as partes à do todo?

Parece que está chegando a hora de adotarmos a legenda do herói francês: “Tout est perdu. J´ataque”.

A procela esmigalhava a nau, o furacão arrastava e rompia o velame, as vagas varriam o convés. A tripulação, apavorada, escondeu-se nos porões, entregou-se, olhava desenganadamente pelas escotilhas fustigadas de espumas e de vento. Exempla o cronista da epopéia das descobertas, escrita pelas caravelas portuguesas nos mares da Terra e da qual o Brasil é pagina, que o capitão salvou a honra e a vida daquela gente ao lembrar-lhe: – “El Rei mandou navegar. El Rei não mandou ter medo”. Os que se filiam ao Movimento Democrático Brasileiro e, guiados por sua bandeira, são investidos em postos de deliberação, direção, ação parlamentar ou cooperação, fazem-no espontaneamente e, voluntariamente, se comprometem com o objetivo magno de recolocar a democracia no comando político do país. Esse 97 dever é irrenunciável. Para bem executá-lo, impõe-se ampliar os meios e não apoucá-los ou desprezá-los.

Na escalada deste ideal, a causa manda a oposição ousar e não recuar.

Alguns propõem desesperados: “Basta! Não devemos participar da farsa!” De acordo. Não devemos participar como atores, declamar o enredo impopular. Impõe-se sermos os anti-personagens, permanecermos no palco e não em casa, para denunciarmos o espetáculo, gritando para o público: “O título Democracia é falso. A peça é outra. Nós conhecemos seu texto e o povo é seu autor. Essa que aí está é contrafação. Seu verdadeiro nome é “Pseudodemocracia”, “Criptodemocracia” ou “Democracia consentida””.

Luta-se como se pode e não como se quer. Com bravura, não por valentia. Não é desonra, na luta, ser fraco ou desarmado. Desonra é não lutar. Desertar. Fugir. Jogar as armas no chão, ainda que imbeles. Como disse nosso extraordinário presidente de honra, senador Oscar Passos: “Devemos lutar até o último vereador”. Não é uma frase. Poderá ser trágica profecia.

O MDB está acuado. É lago do qual a violência vai secando as fontes abastecedoras de água e vida. A mais pura é o voto direto, vale dizer, o povo. Secou para presidente e vice-presidente da República, para governador e vice-governador de Estado. Secou para a autonomia dos maiores municípios, a começar pelas capitais. Foram explícita ou implicitamente discriminados como zonas de Segurança Nacional, como se urna, voto e vontade popular pudessem ser subversivos. Boqueja-se o torvo pregão de que a calamidade da curatela político-administrativa flagelará novas comunas. Como sempre, na presente conjuntura, além de boatos, nada previamente transpira do hermetismo inescrutável em que se encolheu o poder dominante, inclusive para proteger a clandestina elaboração dos megalomaníacos projetos-impacto.

O MDB pergunta, a ARENA nada sabe e o sistema nada informa. Finou-se o diálogo democrático por falta de interlocutores.

Eis o desencontrado monólogo que acabrunha o povo e diverte o mundo: – a oposição está rouca de tanto indagar, a situação ficou muda de tanto ignorar e o governo, que não é contra o MDB nem a favor da ARENA, porque simplesmente ignora a ambos, pela magia descomunal e pirotécnica propaganda, tenta impingir ao público os produtos prodigiosos de sua fenomenal fábrica de milagres.

Vencendo o entulho do AI-5, supressão de garantias ao Judiciário, censura à imprensa, pressão do dinheiro e da cadeia, sublegenda e voto vinculado, além de outros obstáculos, ainda corre um esgarço fio d´água para eleger vereadores, deputados e senadores. Isso tem evitado que o lago seque. Isso tem impedido que a democracia morra de sede. Ainda assim, continuando as coisas como estão, os atuais abencerragens – que não são os últimos, porque estes serão os que, raros, sobreviverem a futuras eleições, – lutam e lutarão de teimosos. Santa teimosia! Invadiram-lhes a Casa. O Congresso é sucursal do Palácio da Alvorada.

No Brasil, em sua Carta Outorgada, o 98 capítulo do Poder Legislativo na realidade é transplante do Poder Executivo. Este usurpou daquele funções institucionais. Falar com destemor e independência tornou-se risco e não dever, pela ameaça das cassações, efetivas ou brancas, e pela frustração da inviolabilidade e da imunidade parlamentares. E os que falam quase não são ouvidos. Suas palavras morrem nas belas paredes da Câmara dos Deputados ou do Senado da República.

Os jornais – gloriosas exceções! -, a televisão e o rádio divulgam o futebol, previsão do tempo, telenovelas e filmes, mortes, incêndios, afogamentos, sangrentos e não punidos desabamentos de pontes, viadutos e prédios. De “política”, exclusivamente o auto-elogio do governo. A oposição é assunto proibido. E daí? Nós, do MDB nos obstinaremos a fazer o que podemos, enquanto os outros continuarem a fazer o que não devem. Queremos a paz, mas não aceitamos a capitulação, que não infringiremos também aos que divergem de nós. Não é aceitável paz com injustiça; com salários e vencimentos poluídos; com moeda desonrada pela inflação; com o poder entronizado como fim e não empregado como meio; com o iníquo ostracismo político e profissional, dentro da própria pátria, de tantos brasileiros; com legislativos que são eleitos pelo povo, para praticamente não funcionarem, e executivos que são “eleitos” sem o povo para superfuncionarem, sem fiscalização e unipessoalmente.

Mal comparando, o MDB é instalação elétrica com muitos fusíveis queimados por força invasora. Isso explica a penumbra. A qualquer momento chegará a ela a corrente genuína que foi interceptada. Então a casa se iluminará com a boa luz da liberdade. Se não houver a instalação, a casa continuará às escuras. Ainda que precária, por que destruir a rede? As trevas são da responsabilidade dos que subtraem a corrente. Não seja nossa, pelo abandono do aparelho que as espancará um dia. Creio na verdade, no bem, na justiça e na fé. Em política estas virtudes só têm um nome: Democracia. Creio que, cedo ou tarde, o bem triunfará, do contrário coonestaria o mal pela convivência.

Creio que a verdade que afinal não prevalece é pseudoverdade ou monstruoso pressuposto da mentira. Creio que a justiça latente, perpetuamente oculta e inerme, é a suprema injustiça. Creio que só é fé a fé que se desterra das catacumbas, para ser consolo de muitos e não martírio de alguns. Creio na vitória da democracia, porque creio no povo. O povo é imbatível. Creio que no Brasil há povo e não massa, que sabe que tem direitos seculares, reconhecidos pelo Estado, e direitos naturais e eternos, herdados de Deus; que semelhantes direitos são sua casa, sua propriedade, sua crença, sua saúde, sua educação, sua mesa, sua roupa, seu lazer, seu bem-estar; que sem tais dons a vida é impostura, sendo preferível morrer vivo do que viver morto; que, como justificou Churchill, apesar de suas indiscutíveis e lamentáveis imperfeições, intrínsecas à obra humana, o engenho do homem até agora politicamente não inventou nada que substitua a democracia, único regime capaz de organizar o Estado para evitar o caos e simultaneamente armar o indivíduo com garantias e direitos, que resistam a todas as formas de poder, inclusive do Estado, em suas extras limitações de intolerância e prepotência.

Breve passarão os pesadelos da noite e seremos orvalhados pela benção da alvorada. Falo por todos, pelos correligionários de todos os cantos do Brasil, os que votam, os que arregimentam, os que se ocupam e preocupam com encargos partidários e de representação, ao expressar esta mensagem de consolo e perseverança: – Não serão baldios nossa insana lida, nosso desengano, nosso sofrimento e não rolaram em vão as cabeças de nossos líderes e de companheiros apaixonados pelo Brasil, pois é graças a isso que nosso coração sente que hoje começa a ser outro dia. Respeito a opinião dos que entendiam que ao Movimento Democrático Brasileiro apenas restava cerrar suas portas. Não estavam inspirados nem pelo medo, nem pelo escapismo.

Estavam passageiramente desesperados. É um erro e o que há de terrível no erro é que “ele tem seus heróis sinceros”, compreendia Chesterton. No suicídio quase sempre há a demissão, às vezes há o gesto. Impávido inclusive. É o caso clássico do comandante do navio que vai ao fundo. Não quer que o mar, seu velho amor e traiçoeiro inimigo, que lhe venceu o barco, também o mate. Morre antes. Mata-se. Os sismógrafos políticos acusam risco de naufrágio para as instituições democráticas deste país. Não é hora de morrer, nem de demitir-se, mas de viver, para salvá-las. Este o destino da oposição no Brasil Vamos cumprí-lo.

A ordem, que não poderá ser desobedecida, acaba de ser dada pela 5ª Convenção Nacional do Movimento Democrático Brasileiro. A oposição tem programa examinado com seriedade e respeito pela imprensa, associações, institutos e universidades, inclusive pelos nossos adversários. Nele estão os rumos e a estratégia a que estamos obrigados por fidelidade. Ao encerrar nossos trabalhos, incorporo-os ao abraço e às palavras de gratidão e adeus que a praxe recomenda que o presidente do Diretório Nacional dê e diga aos cavaleiros da cruzada redentora. Contudo, não deixarei esta cadeira sem antes malsinar dois recentes flagelos. O primeiro acarretará a aberração dos governos estaduais nascerem no bolso do colete e não nas urnas, contaminando-os de incurável ilegitimidade democrática.

É a Emenda-robô, concebida num delírio de ferro e força, para que sua fatalidade de autômato comande vontades automatizadas, obediências autômatas e votações automáticas. Materialmente não é emenda constitucional, embora lhe haja usurpado o aspecto e o apelido. É um expediente. Não foi o primeiro, desafortunadamente não será o último. A legislação eleitoral e a tributária estão infestadas deles. Castiguemo-la com o conhecido adágio: – Pior a emenda do que o soneto, corrija-se aqui para Carta Outorgada de 1969. Descobriram agora que o voto indireto é essencial para o combate à inflação. Esperemos que a absurda vinculação não seja subversivamente exportada para as 100 nações, como os Estados Unidos da América do Norte, que enfrentam a erosão do custo de vida sem golpear as instituições livres.

O outro é o Leviatã da República fiscal. Teme-se que resvale para a iliquidez a descomunal dívida externa e interna, temerariamente contraídas a curto prazo e para financiamento até de obras promocionais. O sacrifício e o irredentismo de Tiradentes não têm sido revividos, mas recrucificados, nos derradeiros 21 de Abril.

O Brasil geme como colônia fiscal do governo, como na época do Proto-Mártir da Independência o povo e as empresas são esfolados por dízimos e derramas, de vez que impostos, quando não votados pelo Legislativo e antes de cobrados, prudencialmente figurem nos orçamentos, para não surpreenderem e arruinarem os contribuintes. Com decretos-leis, decretos, portarias, ordens de serviço ou avisos de teor impositivos, intentam cortar a raiz histórica do Parlamento, que contra as espoliações tributárias opôs a armadura do “no taxation without representation”.

Há canção célebre no mundo e cruel e contemporaneamente verdadeira para o Brasil, “The Taxman”, da qual traduzo o seguinte libelo: “Se você dirige um carro, eu taxarei a rua.Se você tenta sentar-se, eu taxarei o assento.Se você sente frio, eu taxarei o calor.Se você sai a passeio, eu taxarei suas pernas”. Ao final, tomo como meus dois grandes interlocutores: O presidente da República e os convencionais. Dirijo-me ao general Emílio Garrastazu Médici, desta tribuna e tomando a nação por testemunha, porque o considero um brasileiro de honra e de bem. Há os que desejam, notadamente os oportunistas de todos os governos, que sua excelência simplesmente dure no poder.

O Movimento Democrático Brasileiro, cumprido seu programa, cujo pré-requisito é a restauração democrática, assegurará seu ingresso na história. Rogamos a Deus que transcorridos três anos, em data coincidente com a de hoje, fortalecidos pela indeclinável unidade partidária e motivados pelo fervor dos correligionários, ao passarmos o timão para outras mãos, possamos, com o beneplácito do excelso fórum político a que devemos contas, dizer com simplicidade e consciência tranqüila: “Missão cumprida”.

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